Mês: agosto 2002

Elesbão e Haroldinho – coisa de dizáin

11 de agosto de 2002

Fuçando nos meus Zip Disks velhos (alguém quer comprar um Zip Drive paralelo? faço baratinho, baratinho), encontrei os MP3 “Montagem do Star Wars” e “Montagem do Dizáin” da dupla “Elsebão e Haroldinho”. É um estilo funk-comédia, meio “antigo” até. Vou dar só uma palhinha da “Montagem do Star Wars” (a letra completa tem no O Menino Está Com Sede e Não Temos Mais Laranja, um caso raro de blog que vale a banda que consome):

…Invade com os rebelde, o baile do mau
Léa popozuda é a princesa na moral
(…)
Estrela da Morte vai ter que respeitar (2x)
Império do Mal, o bonde pra esculachar (2x)
Pega e destrói o lado B e o lado A
Manda pra vala o tal do JarJar…

Indispensável, não? Tem mais: a “Montagem do Dizáin” traz pérolas do gênero:

…Eu uso PageMaker, eu uso PhotoShop
Tu gosta de CorelDraw, então pra mim tu é X9

Manjo lineatura, manjo fechar arquivo
Elesbão e Haroldinho é o terror no fotolito…

Não precisa correr pro Kazaa: aqui tem os MP3. Os caras são dizáin, digo, designers e têm um site oficial – mas ele não diz muito, quase depõe contra. Melhor ficar com o blog do Haroldinho, que dá pra tirar uma boa diversão. E se você tiver acesso à revista Bundas no. 3 (é de Julho de 1999), dê uma olhadinha no “brinde” da página 20…

Saudades de akira? experimente Gunm – Alita Battle Angel

11 de agosto de 2002

Ainda estou impressionado com este mangá, lançado pela Opera Graphica. Logo nas primeiras páginas, a primeira coisa que me veio à mente quando li foi Akira, de Katsuhiro Otomo. Não que um tenha se baseado no outro, mas ambos navegam com habilidade no perigoso terreno da “influência ocidental”, tanto na temática bladerunneriana quanto no ritmo e na arte mais “orgânica”, que se distancia do desenho “cartunesco” característico do mangá.

Se isso não bastar para atrair os não-viciados no gênero nipônico, também ajuda o fato de não ser uma edição “invertida”, i.e., a ordem de leitura das páginas é da esquerda para a direita (ao contrário de 99% dos mangás recentemente lançados no Brasil, que preservam as onomatopéias e a ordem de leitura originais, num misto de preciosismo e economia de custos).

Além disso, embora não seja a história completa de Alita, o volume de 260 páginas é, como diz a capa, uma saga completa. Isso faz uma diferença para os leitores escaldados com as sagas quilométricas do quadrinho japonês (ou mesmo com as histórias norte-americanas que nunca acabam).

E olha que eu ainda nem falei da história em si, que é muito bacana. A temática não é exatamente inédita: a sociedade é dividida entre duas castas – a privilegiada, que mora nas “cidades altas”, e outra, marginalizada, que vive em cidades como Scrap Yard, onde se passa a ação deste volume. Estes últimos dependem muito dos detritos orgânicos e tecnológicos abandonados pela casta superior, e entre eles existem não apenas humanos, mas também andróides como Alita, que… ah, tire os R$ 6,50 do bolso e descubra sozinho. Você não vai se arrepender.