Mês: setembro 2002

Dois filmes e um pequeno desabafo

8 de setembro de 2002

Ainda na onda de dar um tempinho dos filmes do circuito, fui ver e recomendo:

Jalla! Jalla! – Quando alguém diz “filme sueco” acontecem duas reações: a velha guarda pensa “filme de sacanagem” e o pessoal mais novo imagina “putz, filme intelectualóide”. Jalla! Jalla! não é nem uma coisa nem outra. O tema (um casamento arranjado à revelia) pode sugerir o dramalhão choroso sobre o triste amor da menina, mas o foco é no cara – e no lado comédia de algo assim acontecer com alguém como eu e você. Em paralelo, o filme cria situações engraçadas em torno de um problema sexual do amigo do noivo, sem qualquer apelação desnecessária. Dá pra levar o namorado(a) numa boa, mesmo que ele(a) esteja mais a fim de ver historinha de namorico com a Julia Roberts e o Richard Gere – todo mundo sai feliz do cinema.

Uma Onda no Ar – Uma opção menos gangsta que o já comentado Cidade de Deus para quem quer conferir a tal retomada do cinema brasileiro. Embora também seja ambientado na favela, baseado em história real, etc, etc, o tema central do filme é a montagem de uma rádio comunitária, e não a indefectível dobradinha tráfico/miséria. Claro que o cenário influencia – mas o filme não se perde nele, tornando a digestão muito mais agradável. Fora que os gringos vão descobrir que existe favela fora do Rio de Janeiro (mais ainda: que existe Brasil fora os morros do Rio e a floresta na Amazônia), o que já vale o ingresso pra eles.

Agora que falei dos filmes, um pequeno desabafo: estou de saco cheio de ouvir diálogos como o que se segue (literalmente transcrito de um papo que ouvi sobre filmes em cartaz):

- E Cidade de Deus, hein?
- Ah, eu acho esse filme muito violento.
- É mesmo? Eu estava pensando em ver.
- Sei lá, tem cenas muito fortes, não achei nada legal.
- Credo, mas você viu isso no filme ou no trailer?
- Não vi nem um nem outro, eu não gosto de filme assim.

Eu já fico fulo com gente que se acha mais capacitada que todos os diretores, autores, governantes, engenheiros e médicos do planeta para dizer como qualquer coisa deve funcionar, mas comentar as cenas violentas do filme sem ter assistido é demais. E quando digo que fui ver o filme, eu é que sou tido como “arrogante” por “ficar gastando tempo e dinheiro com esses filmes ruins só pra dizer que é inteligente”…

Cidade de Deus

1 de setembro de 2002

Normalmente eu não vou assistir os “filmes cabeça” da moda. Não é tirar onda de pós-tudo não, é que, assim como os “blockbusters”, é difícil diferenciar o joio do trigo. Cidade de Deus é um caso desses – e ainda por cima fala de periferia e narcotráfico, temas que costumam deixar um vilaemense como eu com um pé atrás.

Mas embalado pela experiência agradável com o curta “Palace 2″, resolvi arriscar. E não me arrependi: o filme é realista, um pouco chocante até, mas não tenta se sustentar nisso – a história interessnte, no final faz valer o ingresso. Fugindo ao “jeito Spike Lee” de retratar situações de gueto, o filme chega até a usar um pouco da linguagem de roliúde, mas bem de leve, sem deixar aquela impressão de terceiro mundo querendo fazer bonito.

Como está em circuito, é uma boa oportunidade pra desanuviar um pouco dos remakes de seriados dos anos 60/70 com roupagem de Matrix. Recomendo.

Joel sobre software

1 de setembro de 2002

Finalmente começaram a ser publicados os artigos do Joel On Software em português. Não canso de recomendar este site a qualquer um que tenha ligação direta ou indireta com o desenvolvimento profissional de software: os artigos do autor são bastante instigantes, e, para quem conhece inglês, o fórum tem um nível tão bom que dá até remorso do tempo perdido com brigas nível 5a. série no SlashDot e similares.