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Quadrinhos a Serviço Da Igreja

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Aproveitando o assunto HQ: por esses dias eu recebi na USP um panfleto, que me chamou a atenção por ser todo feito em quadrinhos. Não é novidade nego usar HQ para tentar passar um recado: o formato junta o apelo visual de mídias como a TV com a densidade dos meios escritos.

O que me chamou a atenção é que o panfleto era propaganda de uma igreja. Quadrinhos costumam abordar temas eclesiásticos, especialmente a partir dos anos 70, mas é comum fazê-lo através de uma visão mais distante. Quando há um posicionamento, geralmente é crítico.

Eu analisei como se fosse um fanzine – achei mais justo, dado que não é uma publicação profissional. A introdução foi muito feliz, dado o público-alvo (foi distribuída na porta do local de prova), e é até engraçada. Pena que, a partir da metade, o argumento descamba para as técnicas Instituto Universal Brasileiro de passar um recado (especialmente a terceira linha).

Talvez o autor estivesse fazendo outra piada neste ponto (caso em que falhou), talvez tenha se empolgado demais com o tema (motivo que, a meu ver, mata na praia muito músico gospel de talento), ou talvez simplesmente ele tivesse se comprometido com uma mensagem densa demais para uma página só (os personagens começam a ser “empurrados” pelos balões pouco ortodoxos, erro comum em fanzines iniciantes). O fato é: se ele tivesse mantido o ritmo das duas primeiras linhas, o resultado final ia ser bacana.

De qualquer forma, é interessante ver que uma organização de caráter mais ortodoxo enxergou os quadrinhos como uma mídia potencial (eles podiam ter feito um panfleto “normal”, que certamente envolve menos riscos institucionais). Claro que provavelmente foi feito por alguém da própria instituição, mas alguém ali dentro aprovou – já é lucro.

É bom lembrar que, em se tratando de Brasil, eu sou partidário de que se estimule toda e qualquer produção de quadrinhos. Quando a gente tiver um volume de publicações (e, principalmente, de remuneração) compatível com o primeiro mundo, daí podemos ser mais críticos com a qualidade e o uso que é feito delas.

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