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The Happy Mutant Handbook

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Uma coisa leva à outra: ao ler The Hacker Files (HQ sobre Internet muito à frente de sua época, mas eu falo dela outro dia) tomei conhecimento do fanzine bOING bOING (hoje um “diretório de coisas fantásticas“). O zine era ótimo, mas difícil de conseguir por aqui. Em 1995 os autores publicaram o livro The Happy Mutant Handbook: Mischievous Fun For Higher Primates, e em 1998 eu perdi o medo do e-commerce e comprei na Amazon.

A idéia de happy mutant se baseia no seguinte: as pessoas, em sua maioria, dedicam suas vidas à busca de conformidade e à perpetuação da espécie. Existem uns poucos (mutants) que simplesmente não querem fazer parte do gado. Excluídos os unhappy mutants, isto é, os que se tornam chatos e negativos por não se encaixarem, sobram os happy mutants (nós), que tentamos nos divertir com isso.

E o mundo dos normais é o grande playground dos happy mutants. O vício das pessoas em obedecer alguém e o sistema cultural 100% “de cima para baixo” tornam muito fácil manipular as cordinhas, o que produz os mais interessantes resultados – sempre em nome do conhecimento, da liberdade, e, acima de tudo, da diversão.

Colocados os pingos nos “i”s, o livro mostra alguns happy mutants que estão por aí e o que eles fazem, tais como a Billboard Liberation Front (caras que adulteram outdoors de maneira criativa e reversível) os bulidng hackers (gente que fica entrando em lugares físicos onde a entrada é proibida), e o genial Joey Skaggs, cujo anúncio de prostíbulo para cachorros, é realmente inspirador.

Além de falar do que se faz, ele dá muitas dicas para quem quer fazer: criar uma rádio ou TV alternativa, publicar seu próprio livro, prensar CDs e até LPs (que já eram velharia na época) são coisas ao alcance de qualquer um, basta querer. Pode não ser tudo up-to-date, mas é muito inspirador – eu mesmo devo ao livro boa parte da minha iniciativa de publicar conteúdo na web (ao invés de apenas criar softwares de publicação e deixar os profissionais do ramo se divertirem).

O livro também fala de atividades mais lúdicas, tais como colar etiquetas de “comida reciclada” em pacotes de supermercado, criar sua própria logomarca ou mesmo uma carteirinha de “imprensa” (abrindo as portas da ingenuidade alheia). Ele traz e sugere bastante “brain candy”: textos, quadrinhos, ilustrações e fotografias para desintoxicar e estimular cérebros cansados da cultura mainstream.

Eu que tive um pé nos anos 80 e outro nos 90 me identifiquei muito. Relendo o livro oito anos depois, continuo achando fantástico. Claro que é nonsense para quem só quer ficar no “esquemão”. Mas nestes casos, recomendo a Veja ou a Você S.A. mesmo…

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