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Arte E “Pirataria”

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O futuro da indústria fonográfica (e, para quem consegue dissociar, dos artistas) num mundo onde o download de MP3 e o CD pirata do camelô estão ao alcance de qualquer um é um tema que rende muita conversa. Além disso, a relação dos quadrinhos impressos com as inúmeras alternativas online, se não tem a universalidade do outro tema, possui muitas semelhanças – e é igualmente interessante.

Claro que a explosão de popularidade dos MP3 players (desde os mais modestos até os iPods) e as iniciativas de venda de música (e quadrinhos) online (também dos mais diversos portes) exercem um papel nessa história toda. No entanto, minhas convicções sobre o assunto ainda são fortemente calcadas em um texto da Courtney Love e uma história em quadrinhos do Scott McCloud[1] que antecedem tudo isso (são de 2000 e 2001, respectivamente).

Muita gente torce o nariz para estas fontes – afinal, bad girls e quadrinhistas não entendem picas desse negócio de tecnologia e mercado (e mal sabem escrever textos longos), certo? Errado: ambos abordam o assunto com competência e profundidade. E eles possuem uma perspectiva que eu (ou a maioria das pessoas que dá pitacos neste assunto) não tem: são artistas e vivem disso. Esta condição lhes dá todos os motivos do mundo para assumir uma posição mais conservadora – o que só reforça seus argumentos (que passam ao largo desta esfera).

Claro, eles continuam lançando CDs e quadrinhos em papel, mas sem perder a perspectiva do trabalho, do público e das alternativas para continuar vivendo de (e, igualmente importante, pela) arte.

UPDATE (06/01): Embora eu tenha um pé atrás com pessoas dotadas de campo pessoal de distorção da realidade, tenho que adicionar um terceiro texto a esta lista, o Thoughts on Music, publicado ontem por Steve Jobs. Se não pelo ineditismo, pela relevância.

[1] Essa é a parte 2, que eu considero a mais relevante para a discussão – mas você pode ler a parte 1 antes ou depois, sem prejuízo.

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