Questionable Content

31 de maio de 2007

Nada como falar de quadrinhos um pouco para desopilar. Ando lendo um bocado de coisas ultimamente, mas hoje o assunto é Questionable Content. Não faço a menor idéia de como encontrei este webcomic – mas dado que o autor (Jeph Jacques) lê várias coisas que eu também leio, como Diesel Sweeties, não é surpreendente que eu tenha curtido.

O enredo é difícil de definir, mas começa com a relação platônica entre Marten e Faye, e a partir daí se desenvolve para todos os lados, misturando humor, drama e referências culturais (que começam amarradas no universo indie, mas logo se tornam mais cosmopolitas). Pense Love Hina, com ritmo e diálogo lembrando Gilmore Girls e ambientação de Friends.

Ah, tem um único elemento de sci-fi, o robôzinho PintSize (um AnthroPC, no vocabulário da série) que no começo é meio chatinho, mas acaba se tornando um contraponto cômico comparável ao Skull de PvP.

Os primeiros episódios não animam muito em termos de arte, mas o autor evoluiu constantemente, e de 2005 para cá atingiu um nível muito bom, realmente agradável aos olhos. Ele ainda não se solta 100% com os cenários (particularmente nos raros momentos em que os personagens saem do circuito apartamento-cafeteria), mas os personagens estão estado-da-arte, e para este tipo de história, é o que conta.

Como bônus, observar o o processo de ilustração do cara é divertido – até para não-artistas como eu.

10 Comentários em Questionable Content
  1. “Não faço a menor idéia de como encontrei este webcomic”

    Poxa… A gente indica o quadrinho com o maior carinho, sabendo que o cara vai gostar… Tudo para não ser lembrado… Sniff…

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  2. Chester disse:

    Confesso que você me pegou por uns 15 a 20 minutos… :-P

    (com o desconto de que eu tinha acabado de sair de uma aula sobre análise qualitativa de sistemas de equações diferenciais)

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  3. Sou um antiquado: ainda não consigo ler quadrinhos online. Me falta algo. Tipo ler deitado na cama…

    Ah, a modernidade…

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  4. Chester disse:

    De fato, HQ em papel é uma experiência única. Mas tem material bom demais hoje em dia (inclusive tupiniquim: Preto no Branco e Malvados, por exemplo). Não é nada que substitua o papel (é como pensar na TV substituindo o rádio), mas sem dúvida é um canal de arte e entretenimento que vale a pena explorar.

    (não nego que um notebook leve e silencioso me ajudou muito nesse sentido :-) )

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  5. Lúcio disse:

    Achei a resenha sensacional. Vc deveria estar ganhando dinheiro com isso.

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  6. Chester disse:

    Lúcio, que bom que você gostou. Ter isso como atividade full-time seria legal, mas o momento ainda é difícil para ganhar dinheiro *fazendo* quadrinhos no Brasil, que dirá resenhando. Mas quem sabe no futuro, né?

    Obrigado pelo apoio!

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  7. mOa disse:

    Ave Centro-do-Universo,

    Vi no seu blog um post sobre quadrinhos on-line e um cara dizendo que prefere o papel porque ler deitado é legal (?).

    Eu acho que os quadrinhos on-line parece ser uma ótima opção pois – realmente não sei o quanto custa – eu acho que os quadrinhos no Brasil são muito caros.

    Vc não acha que quadrinhos no Brasil é algo caro para o bolso do brasileiro-padrão?

    Digo isto pq gosto muito de um mangá chamado Lobo Solitário (Koike-Kojima) que foi editado por diversas vezes no Brasil e ganhou uma boa edição – a última – pela editora Panini, com um item interessante como o padrão da edição japonesa (a sequência da estória progride do “fim” da revista para o seu “começo”) e acabei por deixar de comprar pq me incomodava o preço.

    E olha que custava apenas – por volta – de R$ 15,00.

    Se eu fiz isso com algo que custa apenas R$ 15,00, será que alguns que vi – alguns chegava a R$ 45,00 – seriam viáveis economicamente? Digo, mesmo para as editoras?

    Bjim,
    mOa.

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  8. Por falar em preço de HQs…

    Saudades do tempo da Abril e as HQs em formatinho. A qualidade era ruim, mas dava para comprar com o dinheiro da merenda… Minha opinião é que o formatinho foi responsável por conquistar uma legião de garotos e que agora são adultos e podem comprar HQs de R$45,00…

    Porém como fica a próxima geração? Será que estão conseguindo conquistar novos leitores com esses preços?

    OBS: Também tenho mania de ler deitado… Inclusive é comum eu estar deitado no sofá e ler um texto no notebook segurando ele no ar como se fosse um jornal…

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  9. Chester disse:

    Eu também lamento muito o fim do formatinho – e o pior é que ele terminou justamente numa época em que estava ótimo, em termos gráficos: nos últimos anos deste formato, a Abril aumentou a altura da revista um pouco (compatibilizando a proporção com o formato americano) e mudou algo no processo de impressão que tornava as cores muito melhores.

    Infelizmente, uns dois anos depois dessa mudança eles trocaram o formatinho pela linha “Premium” – que tinha papel e tamanho ótimos, mas R$ 10 era realmente pedir demais para quem estava, como diz o Derek Kirk Kim, na idade de se ocupar mais com a vida sentimental do Homem-Aranha do que com a própria.

    A elitização foi inevitável, como vocês bem descreveram. Por um tempo eu acreditei que os mangás da Panini/JBC iriam preencher este vazio. É difícil fazer contas porque o formatinho era da época da inflação e das constantes trocas de moeda, mas eu lembro bem que o preço de um gibi era mais ou menos o preço de uma passagem de ônibus (só não lembro se era o de uma inteira ou de um passe escolar). Mesmo no pior caso, os mangás “básicos” custam o equivalente a duas a quatro passagens – não sei o quanto os ônibus perderam para a inflação, mas não foi numa razão 4:1.

    Enfim, olhando no curto prazo as empresas exploram o filão das “crianças crescidas”, e sabe-se lá como/se vão se formar novos leitores. No caso dos mangás, talvez os animês ajudem (a relação mangá/animê é meio simbiótica, como acontecia com os desenhos/quadrinhos Disney em eras passadas), mas é uma aposta meio arriscada. Lembra a questão da poluição: as pessoas se preocupam com o futuro, mas no dia-a-dia agem visando apenas o presente.

    Os webcomics podem ou não preencher este filão. O custo (ou falta de) ajuda – mesmo para a molecada, se você estuda há boas chances de ter acesso a computadores e internet. No entanto, há o obstáculo do idioma: embora existam ótimos quadrinhos online em português – usem a busca no site para achar comentários meus sobre o Dahmer (Malvados), Sieber (Preto no Branco, Vida de Estagiário), Arnaldo Branco (Capitão Presença e outras – o número é reduzido, e me parece difícil achar algo que se encaixa na lacuna dos “gibis de heróis”.

    E tem outro problema: acredito que não haja condições para viver apenas dos webcomics no Brasil. Lá fora a publicidade e o merchandising permitem aos autores de sucesso viver apenas desenhando a tira (o que ajuda um boacdo a manter a quantidade e qualidade), vide http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_self_sufficient_webcomics .

    Encerro meus 5 centavos sobre o assunto com os 100 euros do Fabio “Combo Rangers” Yabu (o câmbio é desigual assim, afinal ele é ele e eu sou eu):

    http://yabu.com.br/blog/2007/02/22/calvin-haroldo-gibis-legais-e-afins/

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  10. Chester disse:

    Um adendo: em 2002, comentei brevemente a breve volta da Abril ao formatinho (durou apenas umas poucas edições, após as quais eles largaram o osso da publicação de quadrinhos americanos de uma vez por todas): http://chester.me/200205.html#post_417137

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