Mês: junho 2007

Getting Real

27 de junho de 2007

Getting Real abre com uma proposta atraente: ajudar a construir aplicações web de sucesso. Não se trata de uma metodologia – até porque ele se dispõe a questionar muito do material e da cultura que compõem as metodologias (formais ou práticas) existentes.

É o oposto disso, a anti-metodologia. Não por rebeldia, preguiça ou limitação, mas por fazer crer que a melhor maneira de fazer as coisas sairem é… bem… fazer as coisas sairem (e não viver em torno de documentos, reuniões, cronogramas e outros mecanismos que fazem parecer que elas estão saindo).

Confesso que comecei a ler o livro meio de nariz torcido. Motivo: 37Signals é a empresa que criou o Ruby On Rails (especificamente, o Rails), que, embora seja um ambiente/linguagem/filosofia muito bacana, está cada vez mais ganhando o status de panacéia para resolver todos os males, e, por conta disso, atraindo aquele famoso séquito de “believers” chatos – os tipinhos que usam um tom anacrônico, messiânico e vazio de conteúdo (semelhante ao encontrado em igrejas ortodoxas e micropartidos trotskistas) para falar de tecnologia.

Ainda bem que coloquei a indicação acima do preconceito, porque trata-se de um livro excelente. Não trouxe horizontes insanamente novos (e nem pretendia, como diz a própria introdução), mas alinha de forma coerente uma série de boas idéias e recomendações que eu costumava enxergar isoladamente. Assim como no caso do RoR, é loucura sair achando que tudo se resolve com ele, mas muitas partes ali se aplicam ao cotidiano de diversos projetos desta natureza.

O livro bebe nas melhores fontes (é comum encontrar citações de Joel Spolsky, Fred Brooks e outros do mesmo calibre), sem, contudo, abrir mão de um texto leve, cujo único pré-requisito é (se tanto) ter trabalhado num projeto destes – nem que seja para atestar a veracidade dos obstáculos mencionados.

Pode ser lido online no original ou em português, sendo ambos gratuitos. Quem preferir, pode comprar o PDF ou o livro de papel. Ou seja, não tem desculpa. Leia.

11ª Parada do Orgulho GLBT de São Paulo

11 de junho de 2007

Pouco tenho a acrescentar a tudo o que a imprensa já falou (ex.: G1 e Estadão) sobre o assunto.

Apenas enfatizo que, de fato, é muita gente – é quase impossível se deslocar em qualquer direção que não seja a escolhida pela turba num dado instante. Mas foi divertido, e, como de costume…

Fotos da 11ª Parada do Orgulho GLBT de São Paulo

Homenagem a Carlos Zéfiro

6 de junho de 2007

ATENÇÃO: Links impróprios para escritório (é quase softcore para os dias de hoje, mas não custa avisar.)

Nos anos 50 e 60 proliferou no Brasil um gênero de material pornográfico que consistia em revistas em quadrinhos em preto-e-branco e formato de bolso. Eram os chamados “catecismos” ou “revistinhas de sacanagem”, cujo baixo custo e discrição foram fatores chave para o sucesso.

A primeira denominação era mais comum em São Paulo, e supostamente remete à semelhança de formato entre as revistinhas e os livros de instrução religiosa conhecidos por este nome.

Um dos autores mais populares deste meio era conhecido pelo pseudônimo de Carlos Zéfiro. Ele permaneceu anônimo até pouco antes de seu falecimento, no início dos anos 90, quando revelou seu nome verdadeiro (Alcides Aguiar Caminha) após um gaiato ter reclamado para si o privilégio, no melhor (ou pior) estilo Tourist Guy Brasileiro.

Na década de 80 o Ota já tinha publicado o completo livro O Quadrinho Erótico de Carlos Zéfiro, no qual o cartunista (famoso por seu trabalho na revista MAD e possuidor de cerca de 200 catecismos de Zéfiro), analisa vários aspectos da obra (e mostra algumas histórias completas). E o disco Barulhinho Bom, da cantora Marisa Monte, era todo ilustrado com cenas de histórias do Zéfiro, isso já mais perto do final dos anos 90. Ou seja, a influência perdurou.

As revistas teriam sido reeditadas em 2005 pela Editora A Ciência Muda, associada à famosa banca carioca de mesmo nome, especializada em quadrinhos antigos. Mas eu nunca vi em banca, o site não existe mais e não consegui nenhum contato, o que leva a crer que, se a coisa foi adiante, não teve âmbito nacional.

Isso tudo nos leva ao site que motivou este post, o Homenagem a Carlos Zéfiro, que disponibiliza para visualização imediata quase uma centena de catecismos. A qualidade da arte e do texto de Zéfiro são pontos polêmicos, mas uma olhada se justifica, nem que seja pela relevância do fenômeno: é surpreendente a quantidade de pessoas que viveram neste período e que confessam ter lido ao menos um catecismo, ou até mesmo lembram do nome do autor.

(só para constar: não, eu não era vivo na época dos catecismos. Em termos de material erótico adolescente, eu fui da era do videocassete, que fica em algum ponto do tempo entre as revistas suecas e a geração eMule/RapidShare.)

Visitando a Torre do Relógio e a Reitoria Ocupada da USP

5 de junho de 2007

A ocupação da reitoria da USP é bastante polêmica, e não pretendo discutir seus méritos e deméritos aqui. O fato é que eu aproveitei um tempinho no final da tarde para visitar a Torre do Relógio (até então fechada ao público) e também a própria ocupação.

As duas visitas foram documentadas, no limite do que a câmera sem flash do meu celular permitiu. Sem mais delongas, eis as fotos e clipes de vídeo da Torre do Relógio e da reitoria ocupada.