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Chester Na África (I)

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Estou trabalhando no braço brasileiro da MIH, uma empresa sediada na África do Sul. Como a equipe é geograficamente dispersa (além de brasileiros e sul-africanos, temos chineses também), fomos convocados para um team building. Resultado: desde o último sábado eu estou na Cidade do Cabo (ou Cape Town, como chamamos aqui), e os próximos posts vão falar disso. Divirtam-se.

29/09 (Sábado) – Embarque

A rota São Paulo-Joanesburgo é a única que conecta o Brasil com a África do Sul, embora nenhuma das cidades seja capital de seu respectivo país. De fato, a África do Sul tem três capitais: Pretória (executiva), Bloemfontein (judicial) e a Cidade do Cabo (administrativa), e para alcançar esta última é necessário ir primeiro a Joanesburgo, o que totaliza umas 12h de vôo (ou 16h de estresse).

Eu trouxe alguns presentes para o pessoal daqui, incluindo duas garrafas de pinga (para que os meus colegas, mais experientes no universo etílico do que eu, pudessem preparar uma caipirinha) e alguns pacotes de café – ambos violando as regras do que podia ser importado. Achei que ia dar a maior treta na alfândega, mas os caras sequer passaram as malas pelo raio-x (que, de boa, parecia estar quebrado).

O maior susto foi um carregador do aeroporto em Joanesburgo que foi bastante incisivo na sua intenção de carregar nossas malas do terminal internacional ao nacional (tradução: se ele fosse um pouco mais rápido, eu acharia que era assalto). Ele não nos deu qualquer oportunidade de aceitar ou não a ajuda (não gosto disso) e passou metade do caminho falando sobre a fantástica gorjeta que iríamos dar a ele (detesto isso). Eu sou muito mão-aberta com gorjeta, mas odeio ser abordado desse jeito. Azar dele: a pouca quantia em moeda africana (Rand) que tínhamos não deu uma gorjeta exatamente incrível. Bem feito.

Um detalhe curioso: no terminal havia cachorros farejadores procurando drogas. Só que ao invés daqueles cachorrões que a gente vê nos filmes, era um cachorro com jeitão de vira-lata, pequeno, fofinho… não dá pra imaginar aquele primo do Snoopy trabalhando pra polícia. Fiquei com a impressão que ele só estava lá pra ver se alguém tremia na base e se entregava.

30/09 (Domingo) – Hotel, porto e esporas

Chegamos no hotel às 12h, destruídos, e dormimos até as 17h, quando nos encontramos com nossos colegas chineses: David e Allen. Eu não sabia, mas é comum o pessoal de TI da China adotar prenomes ocidentais, para facilitar a comunicação. Dado que eu sou o “Chester do Nascimento” no servidor de e-mails da empresa, não posso falar nada.

De qualquer forma, nosso chefe (que mora na África do Sul) nos levou ao Victoria & Alfred Waterfront, uma espécie de cidade histórica anexada ao porto. Ali fomos a uma cervejaria a céu aberto (não lembro o nome, mas vou voltar lá para tirar fotos, agora que tenho câmera). As boas opções eram a cerveja tradicional e uma variedade com limonada, mais suave (“the ladies’ option”, segundo meu chefe). Fui direto nessa, já que bebo quase que anualmente.

O vento começou a ficar forte (em Cape Town venta muito à noite), o que nos levou a buscar abrigo no shopping anexo ao Waterfront. Nele comemos no Spur (espora), uma lanchonete com um visual estilo velho oeste (que fica muito estranho quando o colorido africano se mistura com os temas indígenas), mas cuja comida poderia ser servida até com visual de cabaré, pois é excelente.

A costela era muito macia – em termos de textura, só perdia mesmo para a do Outback (embora o tempero sul-africano supere de longe o supostamente australiano). Quero ir lá novamente para provar o hamburger, que foi recomendado. Fechamos a noite na sorveteria da Häagen-Dazs, que dispensa apresentações.

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