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Eee PC 900 + Ubuntu = :-) (Mas Leia O último Parágrafo)

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Cansado de ir e vir com o MacBook do trabalho – sendo que em casa o meu uso é bem comedido – acabei comprando um mini-mini-mini-notebook, o ASUS Eee PC 900, e estou muito satisfeito com a maquininha – comprei por R$ 1350 na galeria da Rua Aurora, 249 – loja 29, com nota fiscal e garantia de 1 ano do fabricante (também dá pra encontrar no MercadoLivre).

Além do preço, os maiores atrativos foram o peso (pouco menos de 1KG) e o tamanho reduzido. Ele não “rouba” como, por exemplo, o primeiro PS2 Slim ou o Amiga 600 (que eram minúsculos, mas tinham fontes externas gigantes): a fonte é mínima, uma das menores que eu já vi em notebooks.

Claro que esta miniaturização toda tem um preço: é preciso um tempinho para se acostumar com o teclado (nada que não se resolva plugando um teclado USB – que custa duas jujubas hoje em dia – quando rolar trabalho pesado). O mais importante é a tela de 7″ das gerações anteriores foi substituida por uma de 9″ no 900 – e apesar da resolução pouco convencional de 1024×600, funciona bem. E dá pra conviver muito bem com 1GB de RAM e o processador de 900Mhz se você não pegar muito pesado.

Um item que pouca gente presta atenção é que, assim como o badalado MacBook Air, o Eee não tem disco rígido – ao invés dele, ele usa um SSD (Solid-State Drive), que é, grosso modo, como um pendrive interno. O meu modelo 900 veio com dois SSDs: um de 4GB na placa-mãe e outro de 16GB – ambos internos. Com boa vontade é possível substituir este de 16GB (assim como é possível subir a RAM para 2GB), mas um conveniente slot SD permite adicionar cartões de memória sem ficar nada pendurado.

O que eu não curti foi o XandrOS, o Linux que vem instalado nele. Ubuntu ao resgate, pensei. Minha primeira tentativa foi instalar o Ubuntu 8.04 padrão, já que tem dúzias de guias na web pra fazer isso. O ideal é usar um drive de CD ou DVD plugado na USB, bootar o Ubuntu (pressione ESC quando aparecer a tela da ASUS pra escolher o dispositivo de boot) e seguir o processo normal.

Quem não tem um desses (como eu) tem que sambar um pouco mais. Decidi que o mais saudável seria dar boot do instalador a partir de um cartão de SD (aproveitando o slot mencionado acima). Por R$ 99 eu comprei um SD de 4GB (na Fnac, que era o que tinha perto de casa), que depois da brincadeira ainda serve pra aumentar um pouco mais a capacidade do micro.

Existem várias maneiras de colocar o instalador no cartão. A primeira que deu certo pra mim foi a dica do Universo Bolha. Uma das maiores vantagens dela é que você copia a ISO direto para o cartão (o que vai ser útil se você precisar instalar outra versão, como eu precisei), com duas adaptações:

  1. O link dos três arquivos lá é para o Ubuntu 7 – o do 8 é esse;

  2. Se o XandrOS tem um GRUB instalado e disponível, está bem escondido – eu tive que instalar o GRUB no segundo SSD, usando o Terminal (Ctrl+Shift+T) e o grub-install. Em seguida usei o ESC no boot para selecionar este SSD e lá eu dei os comandos do artigo.

Fazendo tudo direitinho, entra a instalação em modo texto (não se assuste, são as mesmas perguntas da versão gráfica). No final você tem o Ubuntu instalado e funcionando – ao menos parcialmente.

Por exemplo, ele entra em 800×600, distorcendo a tela. O WiFi não funciona (e a rede com fio só depois de tirar e recolocar a bateria). Tem um script que alega resolver os problemas, mas pra mim ele consertou algumas coisas e quebrou outras. Não curti, e passei para o plano B: o Ubuntu Eee, essencialmente um Ubuntu pré-ajustado para o hardware do Eee.

Eu tinha um certo pé atrás com isso, mas através do UNetbootin (que eu não consegui rodar a partir do XandrOS porque ele é desatualizado demais, faltam as bibliotecas mais essenciais) foi possível dar boot diretamente do SD. E cinco minutos de Live SD (nos quais o Wifi, a resolução e o som rolaram de prima) foram suficientes para clicar no Install e torná-lo meu sistema default.

Ainda tem um ou outro quirk pra resolver (ex.: quando ele volta do sleep o som desaparece), mas no geral tudo funciona. Só de farra, instalei o Java 6 e o Eclipse 3.4, e funciona!

Um detalhe importante: o drive SSD é bem mais rápido que um HD tradicional, mas tem uma desvantagem: cada um dos blocos do disco suporta um número limitado (embora alto) de gravações. Dessa forma, o ideal é reduzir ao máximo as escritas no disco para maximizar a vida útil do drive. Outro lance que você tem que levar em conta é que são duas unidades (4GB e 16GB), que você quer aproveitar ao máximo.

Na prática, Isso significa que você não deve aceitar o esquema padrão de particionamento sugerido durante a instalação do Ubuntu (que assume que você tem um unico HD “normal” e que vai reservar uma pequena parte dele para swap, i.e., para usar como memória quando esta faltar). Ao invés disso, a minha sugestão é formatar os dois SSDs, cada um com uma só partição. Monte o sistema de arquivos raiz (/) no primeiro SSD e o /home na segunda.

Dessa forma os seus documentos, músicas, pornografia, etc., terão todo o segundo HD para usar, e você ainda pode reinstalar o sistema operacional sem perder as suas coisas. O instalador vai falar que não é uma boa ir sem uma partição de swap, mas você está com ele ou comigo? Falando sério: o swap não vai te ajudar muito – e diminuirá a vida útil de parte do seu SSD à toa.

Outra coisa: ao formatar, use o sistema de arquivos ext2, e não o ext3 (que a instalação também sugere). Este último tem um lance (journaling) que aumenta muito a tolerância a falhas, mas também aumenta a quantidade de escrita no disco – e você já sabe que isso é ruim.

Com esses ajustes, o Eee PC 900 se torna um micro muito decente. Cheguei a brincar com ele na loja rodando Windows XP – até dá jogo, mas eu já superei essa coisa de Windows na minha vida. Em qualquer caso é um computador bacana, e eu recomendo.

UPDATE: Após ter escrito este post, eu tive um problema com o EEE – algumas teclas pararam de funcionar. Como estava na garantia, mandei pra loja, que mandou pra assistência da ASUS. E esta última me disse que eu tinha aberto o computador (o que eu não fiz) e que iria cobrar a assistência. Fiquei muito puto e mandei devolver. Quando pegar vou tentar consertar o teclado por conta própria (já fiz isso antes), mas não dá pra continuar recomendando o EEE com um pós-venda tosqueira desses.

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