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Os Vagabundos Iluminados (the Dharma Bums)

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O mais perto que eu cheguei do nirvana foi ler Os Vagabundos Iluminados enquanto tomava sol e cerveja na praia, cercado de mulheres. Confesso que, por ser do mesmo autor de Pé na Estrada (que imortalizou a chamada geração beat) eu esperava algo na linha “mais do mesmo”, mas fui positivamente surpreendido.

De fato, o livro é, como seu predecessor, um relato semi-autobiográfico (i.e., romanceado e com nomes trocados, mas essencialmente calcado em experiências do autor com outros beatniks) – só que narra uma fase um pouco diferente, na qual ele e os outros personagens já estão completamente imersos nos conceitos do zen-budismo, aplicando-os ao dia-a-dia beat – bem à margem do “american way of life”.

Tal imersão é responsável por altos e baixos no livro: ao mesmo tempo em que delineia um contraste esteticamente interessante entre os objetivos de elevação espiritual e as atitudes mundanas dos personagens (muitas vezes justificadas como tentativas de vivenciar a iluminação), também acaba motivando momentos que beiram o nonsense (a leitura superficial do zen-budismo, é, de fato, uma crítica muito comum aos beatniks).

Quem espera uma trama elaborada pode sair frustrado: o retrato se sobressai ao roteiro, sendo comuns as descrições de lugares e caronas que, embora interessantes, pouco contribuem com a história. Se esta característica não for obstáculo, o livro é bastante agradável, deixando um retrato interessante (ainda que superficial) desse amálgama “zen-beat” e abrindo o apetite para uma imersão mais profunda em qualquer um dos dois universos.

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