chester's blog

technology, travel, comics, books, math, web, software and random thoughts

Meninas Iranianas (a Beginner’s Guide to Acting English / Persépolis)

| Comments

A Beginner's Guide to Acting EnglishPor uma coincidência curiosa, estou lendo um livro e um quadrinho que tratam basicamente do mesmo tema: iranianas que se viram forçadas a crescer fora do país por conta da Revolução Islâmica.

A Beginner’s Guide to Acting English narra a história de Sahppi Khorsandi, cuja família estava temporariamente na Inglaterra quando a revolução ocorreu. A viagem era motivada pela ascensão na carreira do pai, o escritor e poeta Hadi Khorsandi, e a narrativa é marcada pela adoração da autora por ele – compreensível em se tratando de alguém que escreve versos como:

“The clock on the mantel
Tick tick tick tick
The baby bird in the tree
Chick chick chick chick
I am a poet and will not be silenced! Bring me my pen!
Bic bic bic bic!”

O livro tempera os momentos dramáticos com um texto bastante suave, transportando o leitor para o universo de uma criança que mistura a já complexa experiência do crescimento, com a dificuldade de se adaptar a outra cultura enquanto toma conhecimento das atrocidades impostas pelo regime de Khomeini e seus sucessores aos familiares e amigos que ficaram para trás.

Persépolis CompletoPersépolis é um quadrinho também autobiográfico, no qual Marjane Satrapi retrata seu cotidiano de pré-adolescente nesse mesmo período. Originalmente publicado em episódios de poucas páginas, está disponível aqui numa edição completa que não faz feio na estante ao lado de clássicos do quadrinho mais politizado, tais como Maus ou Palestina -Uma Nação Ocupada.

As duas obras ajudam a esclarecer um ponto bastante importante: ao contrário do que muitos imaginam, o Irã não é uma nação de fundamentalistas malucos. Ao contrário: a maioria das pessoas lá, muçulmanas ou não, são gente normal. Como de costume, uma minoria impõe sua vontade, aproveitando as inoportunas intervenções passadas dos EUA e Inglaterra para justificar um desprezível regime de perseguição e violência, particularmente contra mulheres. Neste sentido estes depoimentos – ainda que só possam ser escritos por quem está fora de lá – denunciam e dão uma certa esperança de mudança.

E se engana quem pensa que isso não tem nada a ver com o nosso país: o que não falta aqui é líder religioso doido pra riscar do mapa tudo o que não for do credo deles . Pra piorar, a massa popular de manobra e poder financeiro desses malucos só aumenta. Por um lado eu fico feliz em ver qualquer um batendo na Globo, mas por outro me assusta que alguém tenha ganho estrutura o bastante para fazer este desafio – baseado apenas no dízimo.

Comments