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Chester Em San Francisco

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Chester nos arredores da Golden GateNa minha cabeça, Califórnia é aquele lance descrito pelo Joel Spolsky: todo mundo plugado, surfe, e o verão do amor. A realidade, contudo, é outra: o WiFi nas ruas é escasso (e é difícil conseguir um chip pré-pago com dados), a chuva lembra a garoa paulistana, e me imaginar num calção de banho iniciava uma crise psicológica de hipotermia. Mas os amigos que nos acolheram tambem ofereceram Wi-Fi, dicas e companhia, viabilizando um passeio por San Francisco (e arredores) em apenas quatro dias – com direito a uma aula do Knuth em pessoa!

Comida e Passeios

Munidos do City Pass (que oferece transporte público por 7 dias e entradas para museus e outras atrações, tudo por menos de US$ 70), eu e a Bani fizéssemos passeios interessantes, alternando as inevitáveis compras no centro de San Francisco com visitas a lugares como o MoMA, o Cartoon Art Museum (quadrinhófilos: reservem um tempinho para este), a California Academy of Sciences (não perca o planetário) e o Japanese Tea Garden – esses dois últimos dentro do Golden Gate Park.

Come-se bem lá. O fish and chips do Plouf me fez abrir a primeira exceção à dieta vegetariana, e recomendo uma voltinha na vizinhança (Belden Place), parece ter um restaurante melhor que o outro. O café no estilão americano do Lori’s Dinner também foi ótimo (aviso: porções gigantes), e fechamos o passeio no Osha Thai, recomendação de um amigo que mora lá – e que encontrei por puro acaso na Apple Store!

Claro que quis conhecer a Cheesecake Factory (sim, ela existe fora do The Big Bang Theory) – no caso, a da Macy’s (uma loja de departamentos bem $$$, mas que proporciona uma ampla visão da Union Square). Não curti a comida (muito apimentada); no mesmo prédio, me agradou bem mais o Burger Bar.

Foi divertido andar pelo Haight, apreciando as lojinhas alternativas (dizem que tem muito maluco beleza por lá, mas eles deviam estar todos se recuperando do sábado à noite) para chegar no Golden Gate Park, mas o melhor mesmo foi visitar o Fisherman’s Wharf, comendo no Bubba Gump (sim, do filme) e passeando de barco sob a Golden Gate e ao redor de Alcatraz.

Stanford e Knuth {#stanford}

Dedicamos um dia para visitar a Universidade de Stanford – até porque a data foi escolhida por ser quando o Prof. Donald Knuth (autor do seminal The Art Of Computer Programming e criador do TeX, entre outras coisas) daria uma aula/palestra, cujo tema tinha suas origens na aproximação de Stirling – uma maneira de calcular fatoriais que sugere uma curiosa relação entre estes e o número π.

O que o levou ao tema foi uma prova dessa aproximação publicada recentemente por um matemático sueco, que mostra, de forma muito elegante, como os círculos surgem no meio dos fatoriais. Não era exigido conhecimento prévio, mas pedia um certo traquejo com matemática de nível superior (e, claro, o inglês em dia), resultando no cansaço típico de uma aula de equações diferenciais no IME/USP – mas com a sensação de “achievement unlocked”.

O Knuth é um cara muito simpático: eu e a Bani chegamos cedo e pudemos conversar um pouquinho com ele. Quando contamos de onde viemos, ele brincou (“é um recorde… espero que vocês tenham algo mais pra fazer por aqui além de assistir essa aula”) e tirou fotos comigo e com ela. Outro lance legal: como ele recebe cópias do seu livro em diversos idiomas da editora, estava passando adiante. Arranhar um tiquinho de japonês me rendeu alguns fascículos do Volume 4, publicados pela Editora ASCII (sim, a mesma do MSX).

A aula foi no final do dia – muito conveniente, pois nos permitiu passar o dia inteiro na universidade. A sugestão é chegar às 11h no Visitor Center, pois nesse horário sai uma visita guiada dali. Nela, um aluno escolhido a dedo caminha com o grupo por cerca de uma hora mostrando locais e explicando fatos sobre a universidade e suas tradições. Uma delas fica evidente: ele(a) faz a caminhada de costas – afinal, tem que conhecer sua alma mater de trás pra frente!

Saldo Final

Foram quatro dias muito corridos, mas que seguramente valeram a pena (veja todas as fotos). Ficar uma semana ou duas não seria uma má idéia. E apesar de Nova Iorque ainda me seduzir um tantinho mais, eu moraria em San Francisco sem pestanejar.

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