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WonderCon 2011

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Um item importante da minha lista de coisas a fazer antes de morrer era participar de uma grande convenção gringa de quadrinhos. Meu alvo particular era a San Diego Comic-Con International (e ainda vou lá um dia), mas uma feliz coincidência me colocou em San Francisco justamente quando ocorria ali a WonderCon, uma “irmã mais nova” da Comic-Con que atualmente é organizada pelo mesmo grupo

O evento ia de sexta a domingo, mas entre os horários do vôo, os compromissos profissionais e a programação, optei pelo sábado. Quando passei em frente ao Moscone Center na sexta e vi a fila gigante, resolvi comprar o ingresso antecipadamente, e fiz isso no Jeffrey’s Toys, que merece um comentário à parte:

O Jeffrey’s é uma mistura de comic shop e loja de brinquedos, imperdível para quem curte jogos de tabuleiro mais sofisticados. Ali você encontra de tudo, e acabei saindo com Munchkin-Fu, Turn the Tide e Back to the Future, entre outros – além, claro, de comprar o ingresso para o envento. Teria dado para comprar pelo site (e foi preciso fazer o registro lá de qualquer forma), mas o lugar valeu a visita – e qualquer medida para evitar filas maiores ou o risco de ficar de fora era justificada.

WonderCon 2011O evento se dividia entre as salas onde aconteciam palestras/mesas-redondas, e um salão onde editoras, lojas e artistas vendiam de tudo: camisetas, brinquedos, jogos – e, claro, quadrinhos. Vi menos webcomics (dos que eu conhecia) do que esperava – o autor do SBMC estava lá, mas adiei muito a ida ao stand dele, e quando cheguei ele já tinha saído. Por outro lado, haviam muitas publicações independentes em papel. Algumas tinham os próprios artistas no stand, outras eram vendidas por editoras focadas em algum nicho específico.

Dessas, a que me chamou a atenção foi o da Prism Comics. É uma organização que promove quadrinhos LGBT – uma definição um pouco vaga: estão falando dos autores, dos leitores ou dos assuntos abordados? De qualquer forma, eles tinham um stand lá e também promoveram um painel sobre homossexualidade e os quadrinhos bastante interessante. Nele foi possível ver a diversidade no lado da produção: autores com todas as orientações (incluindo heterossexuais) fizeram um balanço bem-humorado de quanto o meio evoluiu, e do quanto precisa caminhar ainda.

Voltando à Prism: resolvi experimentar duas publicações – ambas reedições de coisas ligeiramente antigas, mas bastante representativas. Uma foi Tales of the Closet, que o próprio autor define como “uma versão gay de Archie“, mas me pareceu mais profundo e mais interessante (disclaimer: nunca fui muito fã de Archie). Texto e traço começam um pouco vacilantes, mas rapidamente pegam o jeito, revezando momentos leves com temas mais “pesados”. A outra foi Boy Trouble, uma coletânea de diversos autores bastante variada, mas no geral de boa qualidade.

WonderCon 2011Um evento inesperado foi conhecer pessoalmente o Lloyd Kaufman, co-fundador da Troma, o estúdio que produziu filmes alternativos com status cult como Toxic Avenger. Acabei levando o livro que ele escreveu junto com James Gunn (que eu lembro sempre pelo PG Porn): All I Need to Know about Filmmaking I Learned from the Toxic Avenger – estou louco para começar a ler este.

Outro lance bacana que eu conheci lá foi o Comic Book Legal Defense Fund – grosso modo, uma espécie de “EFF dos quadrinhos”. O stand vendia camisetas e gibis, cujos lucros revertem para a ONG, que protege os direitos de artistas, leitores, donos de comic-shops, bibliotecários e quaisquer pessoas envolvidas com quadrinhos, em particular no tocante à liberdade de expressão, orientando-os em boas práticas, dando apoio legal e até fazendo lobby contra leis que violem estes direitos. Veja detalhes em quadrinhos no micro ou no iPhone/iPad via comiXology (um outro lance que merece seu próprio post.)

O painel com Sergio Aragonés e Mark Evanier foi um dos shows mais diveritdos que eu já assisti. Os dois têm a dinâmica que leitores de Groo e das sátiras à Marvel, DC e Star Wars podem esperar – e o Aragonés é tão maluco quanto parece. Tópicos como o desenvolvimento do bigode do Aragonés, o tamanho da coleção de quadrinhos do Mark e outras tantas inutilidades levavam a platéia às gargalhadas. O próprio Sergio estava autografando pela manhã.

Wally (Waldo) @ WonderCon 2011Um fato a observar é que o evento tinha muito cosplay de qualidade (dá pra ver alguns nas fotos que eu tirei do evento). Dava uma certa invejinha de não ter ido fantasiado (apesar que eu devo dizer que a minha camiseta de Space Invaders da Threadless fez sucesso).

Algumas coisas eu não entendia (ex.: qual a graça de ficar numa fila gigante do lado de fora pra ganhar uma “credencial da S.H.I.E.L.D.“), mas cada louco, digo, fã com a sua mania, né? Qualquer que seja a sua, vale ir e deixar o lado nerd correr solto – mas deixe com um bom espaço reservado na mala para gibis, camisetas e badulaques de todos os tipos!

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