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A Saga Do Visto De Trabalho Canadense

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Quem vai para o Canadá através de uma oferta de trabalho (ao invés dos já conhecidos processos de imigração) precisa solicitar um visto de trabalho. O site oficial explica em detalhes como fazer isso, mas resolvi documentar alguns detalhes que aprendi solicitando o meu.

Devo lembrar que não sou especialista no assunto e não tenho nenhuma relação com o governo do Canadá – apenas passei pelo processo e resolvi compartilhar o que aprendi. A sua experiência pode ser diferente, pode ter mudado tudo, se informe. Se tiver compreendido que não me responsabilizo por nada sobre o seu caso, continue lendo sobre o meu.

Dependendo de vários fatores, o processo pode levar algo entre 2 e 5 meses. Assumindo que você tenha uma proposta de emprego de uma empresa que esteja disposta a passar pelo processo, ele se divide em dois passos:

Passo 1: Labour Market Offer (LMO)

A empresa é que faz esta parte. Ela coloca o caso para o governo, justificando que não encontrou um canadense para a vaga, e que o candidato que está pleiteando será uma aquisição positiva para o país como um todo, e o governo faz a análise.

O processo normal costuma demorar uns 3 meses, mas se a empresa já teve um LMO emitido nos últimos tempos, ela pode ir pelo A-LMO – o meu caso foi um desses, e demorou uns 10 dias úteis.

UPDATE: O A-LMO está suspenso por tempo indeterminado, e LMOs devem sofrer um escrutínio maior nos próximos tempos (afetando o tempo mencionado acima).

Passo 2: Solicitar o Visto

Este é por sua conta. A empresa te envia a proposta formal de emprego e o número do LMO aprovado, e você solicita o visto aqui no Brasil mesmo. Dá pra fazer direto no consulado ou via despachante, mas eu achei melhor ir pelo VAC (Visa Application Center), um órgão criado pelo governo canadense para mediar o processo.

Por uma taxa bem razoável, o VAC confere os documentos e formulários antes de mandar pro consulado, responde dúvidas por e-mail e permite consultar o andamento do processo no próprio site. Opcionais (cobrados à parte e que não usei) incluem o preenchimento dos formulários com você e a devolução do passaporte via DHL.

Aplicando

Após preparar os documentos e formulários, você paga as taxas (consulado e VAC) via depósito bancário. Faça depósitos separados para cada aplicante e para cada taxa, e é só ir lá (não precisa agendar).

Uma pessoa confere o pacote todo, devolve os documentos a mais e avisa se faltar algum (neste caso você volta novamente quando tiver tudo certo), e você sai de lá com um código do processo, que pode ser consultado no próprio site

Andamento

O status começou em “Solicitação em trânsito para a Embaixada” e “Solicitação recebida pela Embaixada – Sob consideração”. Depois de uma semana, emoção: foi para “Documentos adicionais solicitados pela embaixada”.

Mandei um e-mail (não precisava) e responderam (de um dia pro outro) que se tratava do exame médico. Mas quando fui buscar a guia no VAC havia, de fato, uma solicitação de documentos adicionais:

Atestados de Antecedentes Criminais

Os atestados que pediram para mim e para minha acompanhante foram os que constam no site, isto é:

  • Original do Atestado de Antecedentes Criminais emitido pela Polícia Federal (www.dpf.gov.br)
  • Original da Certidão de Distribuição do Poder Judiciário Civil e Criminal (Justiça Federal: www.justicafederal.gov.br)
  • Original do Atestado de Antecedentes Criminais emitidos por todos os Estados e países onde residiu por mais de 06 meses após ter completado 18 anos de idade (emitido pela Polícia Civil ou SSP)

Todos podem ser emitidos pela internet nos sites indicados – o último dá pra tirar no site da SSP (mas eu só descobri quando já tinha ido tirar pessoalmente no Poupatempo).

O atendente do VAC que entregou a solicitação disse que teria que ter assinatura oficial nas certidões, o que eu resolvi indo a um tabelião de notas no centro e pedindo para certificar elas. Isto faz com que elas passem a ter carimbo, assinatura e selo. Não sei se foi necessário, mas o custo foi irrisório e aceitaram assim.

Exame Médico

O médico que eu escolhi (parte pelo site informativo, parte pela localização) fez aquelas perguntas básicas de exame admissional, tirou pressão, fez um teste visual e um teste de urina ali mesmo. Em seguida ele nos encaminou para um laboratório específico pra fazer exame de sangue e radiografia.

Isso tudo volta pro médico, que junta com o que ele avaliou e envia pra Ottawa. Gastamos algo em torno de R$ 380 por pessoa (médico + exames + envio compartilhado entre nós dois). Dica: ligue no consultório uns dias depois que os exames ficarem prontos e peça o protocolo do envio pra acompanhar no site.

Dicas Gerais

  • O visto do aplicante principal é vinculado à empresa. Já o acompanhante pode solicitar um open work permit, que permite trabalhar ou estudar onde quiser.
  • Você precisa da guia do médico pra fazer o exame, mas não pra marcar ele. Quando vier a confirmação você já pode ligar lá e marcar – só não esqueça de pegar a guia antes de ir no médico.
  • Tente marcar o médico cedo e ir no laboratório no mesmo dia – quanto antes os exames ficarem prontos, mais cedo eles vão voltar pro médico e ser enviados.
  • Tanto o médico quanto o laboratório vão pedir identidade, e não aceitam carteira de motorista. Eu tive que voltar por causa disso.
  • Não perca tempo ligando pro VAC – quem atende é a central, que só vai ter respostas genéricas. Se você já leu o site e não esclareceu sua dúvida, o e-mail vai direto para o VAC onde você aplicou.
  • Nem sempre é possível emitir as certidões online (e o meio tradicional pode demorar semanas) – enquanto a LMO estiver rolando, já veja se consegue emitir as certidões mencionadas acima. Se alguma não rolar, veja com o órgão quanto tempo demora, e não peça muito antes da hora, porque se forem muito antigas o consulado vai recusar.
  • Se o sistema do DPF não conseguir localizar seu nome para emitir a certidão, antes de ir lá tente abreviar o nome do meio – foi o que me salvou de atrasar o processo em quase duas semanas.
  • Em tese, você nem precisaria emitir as certidões para levar ao cartório (se for certificar), porque eles re-emitem pra fazer isso. Mas não custa nada, e você já vai lá com os dados certinhos.
  • O acompanhante não precisa ir ao VAC, basta ter todos os documentos e formulários – incluindo o checklist assinado por ele. Tem um código separado para o processo dele, mas é vinculado ao prinicpal, e no meu caso o status era sempre o mesmo para ambos.
  • A validade do visto é influenciada pelo tempo do contrato de trabalho utilizado no LMO, e geralmente é limitada pela validade do passaporte. Se possível e estiver no prazo, renove ele antes de aplicar.
  • Sobre o checklist:
    • Ele pedia uma carta de aceitação emitida por uma escola do Canadá – o que eu não tinha e só faz sentido para um visto de estudante. Deve ser erro de copy/paste, ignorei e tudo bem.
    • Também pedia xerox do RG, mas o funcionário devolveu dizendo que não precisava.
    • Ele não pede nenhum atestado de antecedentes – razão pela qual eu não coloquei e me pediram os três acima. Um amigo colocou o da SSP (tirado no Poupatempo), e não pediram nenhum dos outros, só o exame médico mesmo. Eu sugiro já colocar os três certificados na hora de aplicar.
    • Não é preciso traduzir nenhum documento – a aplicação é avaliada pelo consulado daqui.

Conclusão

Após cerca de duas semanas do exame médico, meu status mudou para “Processamento de solicitação finalizado – Em trânsito para o VAC”, e dois dias úteis depois veio e-mail solicitando a retirada dos passaportes. Os dois tinham o visto de trabalho e a carta para entregar na fronteira – que é onde o work permit vai ser efetivamente emitido. Missão cumprida!

Vale repetir: as regras mudam o tempo todo, e cada caso é caso. O que está aqui foi a minha experiência, e é só pra dar uma referência. Use essa informação por conta e risco próprios – o que vale é sempre o site oficial. Boa sorte!

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