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Crumb: a censura acontecendo onde menos se espera

03 Jan 2003 | Comments

A Conrad lançou o especial “R. Crumb: Frtiz the Cat”, uma edição com preço meio salgado [na editora][1], mas que na FNAC estava com um [bom desconto][2] quando eu comprei.

Trata-se de uma compilação das histórias de Fritz, personagem de Robert Crumb que dispensa apresentações. O que me levou a escrever foi a história “R. Crumb Comics & Stories”. Eu já tinha lido esta no número 5 da revista “Porrada”, de 1998. Sem estragar muitas surpresas: Fritz retorna à casa de sua mãe no interior, depois de ter vivido um tempo na cidade, e acaba tendo uma relação sexual com uma garota.

Na tradução da Porrada, a garota era a filha do vizinho. Qual não foi a minha surpresa ao ver que, na tradução da Conrad, a garota era a irmã mais nova do Fritz. Pesquisando na Internet, vi que a versão do incesto é a [correta][3]. Também descobri que esta história também sofreu este tipo de censura [na Espanha][4], na revista Star, mas em 1975.

Pode ser que a Porrada tenha pirateado o material da revista espanhola, sem saber da censura. Mas também pode ter sido feito de caso pensado. Pior ainda: talvez eles tenham republicado a história da revista Grilo, ou de alguma outra que publicasse Crumb no Brasil. Eu não acredito que a Grilo fizesse coisas deste gênero (só li um exemplar dela até hoje, mas sei que fez a cabeça de muitos autores de quadrinhos no Brasil). Mas é uma possibilidade no mínimo frustrante.

É curioso pensar que, se a Conrad tivesse censurado, até seria compreensível – afinal, eles publicam quadrinhos infantis de sucesso. Seria lamentável, mas compreensível. Mas não o fizeram, o que merece os parabéns e só reforça minhas recomendações acerca desta edição.

Seguem alguns quadrinhos das duas publicações – a qualidade da digitalização deixa a desejar, mas o conteúdo não deixa dúvida alguma.

</tbody> </table> [1]: http://www.lojaconrad.com.br/produto.asp?id=139 [2]: http://www.fnac.com.br/livros/Ficha.asp?cod=8587193805&menu= [3]: http://www.typotheque.com/articles/zap.html [4]: http://www.mundofreak.com/html/archivos/v2b/magazine/comic/reportaje.htm


R. Crumb: Fritz The Cat, 2002
“sem censura”</td>


Porrada! no. 5, 1988
“censurada”</td> </tr>

“Você” virou “a pequena do vizinho”…

…e “maninha” também virou “pequena”.

“Namorados” é feio, né ? Melhor que a menina tenha “amiguinhos”.

Deram até um nome pra ela !

Pelo menos o final é um legitimo final Fritz, em ambas as edições.

Mensagens subliminares

02 Jan 2003 | Comments

Essa é tão ridícula que eu não podia deixar passar: o site Mundo Subliminar dedica-se a achar as mensagens que os conspiradores deixam na mídia na tentativa de corromper nossas criancinhas. Não sei se o autor é um rei da ironia, ou se acredita nisso tudo, mas ele juntou uma quantidade de material capaz de entreter por horas.

Um dos itens hilários é a “mensagem” que descobriram na campanha eleitoral de Lula (confira na seção “Destaques”), que comprova de forma irrefutável que ele é mesmo o demônio encarnado. Também gostei da matéria “Disney”, que promete boas risadas ao mostrar que tudo que o Tio Walt fez é para incutir idéias pecaminosas na petizada. E a seção de comentários, como não poderia de ser, descamba pro quebra-pau pseudo-teológico, dá até medo.

Os paulistas da Zona Leste ganham um brinde: no meio destes comentários, um cara alega que a vinheta da danceteria Overnight, tocada ao contrário, possui uma mensagem satânica (a mensagem é de 19/09/2002, tem que dar uns “avançar”). Se for verdade, é muito irônico, já que, no local onde era a Over, hoje funciona uma igreja…

Desista!

02 Jan 2003 | Comments

Ser macho, pra mim, é ser sincero. E neste ponto, me acho um pouco boiola: eu elogio vestidos floridos que realçam pneuzinhos, ignoro e-mails cuja gramática ou linha de argumentação imploram por uma desconstrução, parabenizo amigos “abençoados” com uma paternidade/maternidade inesperada, enfim, deixo a honestidade de lado na esperança de tornar o ar mais respirável para as pessoas.

Não me culpo por isso não – se todo mundo fosse sincero, esse mundo ia ser uma carnificina só. Mas admiro quem consegue colocar os dois pés na porta na hora certa, como o autor do artigo “Desista“. Não sou publicitário, mas depois de um certo tempo convivendo pessoal e profissionalmente com gente da área, acredito que o texto devia ser leitura obrigatória para vestibulandos nesta carreira.

P.S.: Ando escrevendo pouco. Combinação de FUVEST e uma repensada que eu estou dando no layout disso aqui. Mas eu volto.

Dez anos depois, uma devassa na Rede Globo

01 Dec 2002 | Comments

Eu sempre ouvi falar no documentário Brazil: Beyond Citzen Kane (“Brasil: Além do Cidadão Kane”), que disseca a história da TV Globo e a maneira com que esta manipulou seu público na defesa, entre outros interesses, dos governos militares e de Fernando Collor. Como muitas outras pessoas, não tive a oportunidade de assisti-lo na época (1993), já que as tentativas de trazê-lo a público no Brasil tendem a ser obliteradas pela rede de influência da Vênus Platinada.

Já tinha procurado na Internet antes, mas foi só desta vez que encontrei uma página que disponibiliza os vídeos para download. O principal mérito do documentário é permitir um realinhamento com a realidade sempre que a Globo tenta passar uma imagem de jornalismo isento – fica difícil acreditar que seja possível deixar para trás uma herança deste porte.

É um pouco pesado para baixar: quatro episódios de uns 150MB cada, em formato DivX. Se fossem menores eu até disponibilizava aqui. Eis o link – se alguém conseguir converter pra VCD e disponibilizar, eu agradeço.

Macho que é macho programa em Atari

22 Nov 2002 | Comments

Certa vez escrevi um artigo sobre desenvolvimento de jogos para o videogame Atari 2600. Vira e mexe alguém quer mais informações sobre desenvolvimento pra Atari, e eu costumo recomendar o Stella – uma espécie de “manual oficial do desenvolvedor” – além de alguma coisa sobre Assembly 6502 (que você acha fácil no Google ou em sebos).

Da última vez que eu fui procurar, me deparei com um site que traz o código-fonte comentado (através de um paciente trabalho de engenharia reversa) de jogos como Combat, Freeway e Adventure. Passei uma hora divertidíssima (ok, diversão de nerd) lendo este último de cabo a rabo. Conclusão óbvia, mas indiscutível: esse Warren Robinett (autor do jogo) é um gênio. De marca maior.

Depois eu é que sou estranho…

16 Nov 2002 | Comments

A Wired News está dando uma matéria (também em português) falando sobre o fetichismo – na sua conotação sexual mesmo – que ronda o mundo do Macintosh. O destaque é para a quantidade de links para sites com fotos envolvendo Macs e sexo, fora alguns tão bizarros quanto, como o FAQ sobre sexo com carros (não em carros, mas com eles mesmo).

O artigo mostra que o mundo Windows não tem muito dessas coisas. Não que não tenha material com conteúdo sexual para esta plataforma, pelo contrário: tem de monte. É que os usuários de Windows provavelmente mantém sua vida sexual distante do seu hardware, assim, não tem material sobre sexo com a plataforma. Fora que os fetichistas devem ter alguma dificuldade para se excitarem com um desktop IBM ou para imaginarem uma fantasia erótica com aquele clips babaca do Office.

Também é digna de nota a informação de que existem iniciativas semelhantes (embora em menor número) dentre os usuários de Linux. Claro que ainda é prematuro concluir que existe vida sexual de qualquer espécie neste grupo…

Finalmente um anti-spam que funciona de verdade

12 Nov 2002 | Comments

O Cloudmark SpamNet é um plug-in gratuito para o Outlook 2000/XP que se propõe a combater os e-mails não desejados (também conhecidos como “spam”) de uma maneira bastante original e eficiente. De forma análoga a um antivírus, ele gera uma “assinatura” para cada mensagem que você recebe, e compara com uma lista de assinaturas que ele sabe que são de spams. Quando identifica um, manda para uma pasta “Spam”.

Até aí, nada de mais. O interessante é que, quando algum spam passa pelo “pente fino”, você pode clicar num botão “block”, que, além de mandar para a pasta “Spam”, informa a assinatura daquele spam para todos os usuários do programa. Resultado (no meu caso): mais de 90% dos spams que chegam já foram bloqueados por alguém, e somem da minha vista antes que eu os abra.

Claro que o sistema tem um botão “unblock” – para o caso de alguém bloquear, por engano, uma lista de discussão, ou um mail marketing legítimo (i.e., aqueles que você opta para entrar e que realmente permitem o seu descadastro), e só envia as assinaturas para todos quando o spam é reportado por usuários que costumam identificar corretamente o spam.

É quase impossível dar “alarmes falsos”, i.e., identificar como spam e-mails legítimos) – coisa comum em outros programas e serviços anti-spam. Comigo aconteceu de ele engolir *uma* newsletter legítima (no meio de quase 1000 spams bloqueados). E-mail pessoal, isso ele nunca bloqueou (nem teria como, só se outra pessoa com SpamNet recebesse uma cópia e bloqueasse).

Claro que eu tenho motivos extras para fazer propaganda disto: quanto mais brasileiros usarem isto, mais spam nacional será bloqueado (eu notei que já tem *bastante* spam nacional bloqueado, mas diria que uns 25% passa, ao passo que a taxa de spam gringo que passa é menor que 10%). Mas vale a pena, acreditem.

É bom pra quem não quer pensar em nada: basta instalar e, sem nenhuma configuração, os spams diminuem drasticamente). Mas acaba sendo natural que quando um spam chega (especialmente aqueles de calão, moralidade, target ou ortografia duvidosos), fale mais forte o impulso de apertar o botão “Block”, sabendo que este gesto provavelmente fez com que centenas de milhares de cópias daquela propaganda da loja de pregos do Zimbawe estão sendo obliteradas dos PCs alheios. Infelizmente, não funciona com Outlook Express, nem com Outlook conectado no Exchange – caso contrário eu iria entrar em greve até tornarem o uso do SpamNet obrigatório no meu escritório!

É de menina, mas eu gosto

02 Nov 2002 | Comments

Ok, vou admitir: o mangá que mais está me divertindo, o que eu não aguento de ansiedade quando termina é esse mesmo, Love Hina – a história extremamente novelesca do jovem Keitarô Urashima que, depois de rodar algumas vezes no concorrido vestibular da Universidade de Tóquio, vai parar em uma pensão só para mulheres.

Mas a vida não é boa como possa parecer, pois ele apanha o tempo todo – e esses são os *bons* monentos: quando ele não está apanhando, está metido em algum rolo sentimental.

Cada uma das meninas da pensão daria um gibi à parte – no começo dá um nó na cabeça, mas você vai se acostumando. O autor não tem o menor compromisso com a realidade, e a linearidade da história muitas vezes é atropelada por situações dramáticas ou cômicas – e é isso que a torna genial.

A série está no número 13 em São Paulo, mas a R$ 3,50 sai mais barato comprar a coleção toda em algum comic shop do que, digamos, um CD duplo ou um DVD básico. Recomendo, recomendo, recomendo.

No fim das contas, quem é que fala “errado”?

01 Nov 2002 | Comments

Pelo jeito não restou outra alternativa aos “medrosos” (ao menos para aqueles que não chafurdam aqui e ali na contra-mão da história) senão destilarem seu preconceito reacionário circulando correntes idiotas.

Neste contexto, é reconfortante ver o Professor Pasquale – sim, aquele Professor Pasquale – <a href=”http://www1.uol.com.br/folha/brasil/ult96u42010.shtml” “>colocar alguns pingos nos “i”s</a> no que diz respeito à sua matéria quanto a este assunto. Coragem é isso.

UPDATE: Oportunismo acadêmico ou não, Lula agora é doutor. Justo.

Cavaleiro das Trevas 2: mais um prego no caixão dos comics

01 Nov 2002 | Comments

Agora que finalmente saiu o terceiro volume, meu parecer: Cavaleiro das Trevas sintetiza tudo o que me levou a começar a ler gibis de super-heróis. Cavaleiro das Trevas 2, por sua vez, resume bem tudo aquilo que me fez *parar* de ler este gênero de quadrinhos (que me trouxe muita diversão e – por que não dizer – cultura nestes últimos quinze anos).

Não é culpa do Miller, não – o gibi é, no geral, bom. Acontece que ele é sintomático do esgotamento do gênero, que sacrificou demais a qualidade em prol da quantidade, o conteúdo em prol da forma, a diversão em prol da coleção. Ressaca total. Me parece mais jogo guardar o dinheiro para os eventuais lançamentos “de autor”, que não demandem conhecimentos enciclopédicos de cronologia e tragam mais diversão e cultura por página.