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Saudades de akira? experimente Gunm – Alita Battle Angel

11 Aug 2002 | Comments

Ainda estou impressionado com este mangá, lançado pela Opera Graphica. Logo nas primeiras páginas, a primeira coisa que me veio à mente quando li foi Akira, de Katsuhiro Otomo. Não que um tenha se baseado no outro, mas ambos navegam com habilidade no perigoso terreno da “influência ocidental”, tanto na temática bladerunneriana quanto no ritmo e na arte mais “orgânica”, que se distancia do desenho “cartunesco” característico do mangá.

Se isso não bastar para atrair os não-viciados no gênero nipônico, também ajuda o fato de não ser uma edição “invertida”, i.e., a ordem de leitura das páginas é da esquerda para a direita (ao contrário de 99% dos mangás recentemente lançados no Brasil, que preservam as onomatopéias e a ordem de leitura originais, num misto de preciosismo e economia de custos).

Além disso, embora não seja a história completa de Alita, o volume de 260 páginas é, como diz a capa, uma saga completa. Isso faz uma diferença para os leitores escaldados com as sagas quilométricas do quadrinho japonês (ou mesmo com as histórias norte-americanas que nunca acabam).

E olha que eu ainda nem falei da história em si, que é muito bacana. A temática não é exatamente inédita: a sociedade é dividida entre duas castas – a privilegiada, que mora nas “cidades altas”, e outra, marginalizada, que vive em cidades como Scrap Yard, onde se passa a ação deste volume. Estes últimos dependem muito dos detritos orgânicos e tecnológicos abandonados pela casta superior, e entre eles existem não apenas humanos, mas também andróides como Alita, que… ah, tire os R$ 6,50 do bolso e descubra sozinho. Você não vai se arrepender.

Elesbão e Haroldinho – coisa de dizáin

11 Aug 2002 | Comments

Fuçando nos meus Zip Disks velhos (alguém quer comprar um Zip Drive paralelo? faço baratinho, baratinho), encontrei os MP3 “Montagem do Star Wars” e “Montagem do Dizáin” da dupla “Elsebão e Haroldinho”. É um estilo funk-comédia, meio “antigo” até. Vou dar só uma palhinha da “Montagem do Star Wars” (a letra completa tem no O Menino Está Com Sede e Não Temos Mais Laranja, um caso raro de blog que vale a banda que consome):

…Invade com os rebelde, o baile do mau Léa popozuda é a princesa na moral (…) Estrela da Morte vai ter que respeitar (2x) Império do Mal, o bonde pra esculachar (2x) Pega e destrói o lado B e o lado A Manda pra vala o tal do JarJar…

Indispensável, não? Tem mais: a “Montagem do Dizáin” traz pérolas do gênero:

*…Eu uso PageMaker, eu uso PhotoShop Tu gosta de CorelDraw, então pra mim tu é X9</p> Manjo lineatura, manjo fechar arquivo Elesbão e Haroldinho é o terror no fotolito…</i>

Não precisa correr pro Kazaa: aqui tem os MP3. Os caras são dizáin, digo, designers e têm um site oficial – mas ele não diz muito, quase depõe contra. Melhor ficar com o blog do Haroldinho, que dá pra tirar uma boa diversão. E se você tiver acesso à revista Bundas no. 3 (é de Julho de 1999), dê uma olhadinha no “brinde” da página 20…

Transformando o google em paintbrush

29 Jul 2002 | Comments

Eu *realmente* estou sem tempo, mas atendendo a pedidos vai outra nota chupada (esta do clássico Boing Boing): Quem já fez buscas na área “groups” do Google já viu que as mensagens vêm com as palavras buscadas “pintadas”. Pois bem: tem nego fazendo posts na Usenet (a rede que dá origem aos tais “groups”) que aparecem nas buscas do Google como textos gigantes ou mesmo desenhos. E eu aqui, perdendo meu tempo com trabalho… :-)

Eleições

10 Jul 2002 | Comments

Ok, não ando escrevendo nada. Mas o bom da web é isso: tem bastante gente escrevendo por mim. O Observatório da Imprensa vem preenchendo o vácuo do falecido No. com artigos interessantes sobre as eleições, e destaco estetexto sobre a “pesquisite” (é a segunda parte de uma série, mas achei mais interessante do que a primeira – que, de qualquer forma, também está ).

Mods

09 Jul 2002 | Comments

Eis um artigo bem interessante sobre mods – as alterações que as pessoas fazem em jogos para torná-los mais interessantes. Quem já se divertiu com o “Pac-Doom” ou CounterStrike vai gostar.

Mangá made in brazil

06 Jul 2002 | Comments

Sempre que algum personagem ligado direta ou indiretamente a histórias em quadrinhos faz sucesso com o público infantil (leia-se: público ultra-consumidor), há um reflexo positivo no mercado de HQ. No caso de Dragonball, uma quantidade enorme de lançamentos de mangás que se viabilizou em grande parte graças ao sucesso do desenho animado e de seus produtos associados (ok, também ajudou o fato de os editores perceberem que podiam baratear bastante o produto final mantendo-o em preto-e-branco e na diagramação original).

O que me chama a atenção é que, mesmo a molecada já indo procurar outra coisa para assombrar os bolsos de seus pais, o mercado de mangá parece estar com fôlego total – a um ponto que surgem coisas como Oiran: uma revista feita totalmente no Brasil, mas no estilo japonês (mangá).

Isso não é exatamente novidade – gente como Claudio Seto faz isso há um bom tempo. Acontece que o resultado geralmente cheira a cópia mal-feita (o caso do Seto é exceção, volto a esse assunto quando for oportuno). Mas Oiran me chamou a atenção: a arte/história são, no geral, bem construídas, a ambientação no Japão medieval – se é que eu estou habilitado, como gaijin, a falar do assunto – é convincente, sem se perder em detalhes como acontece às vezes com os mangás originais no estilo medieval. Embora a influência tupiniquim apareça na construção do personagem principal, na minha opinião ela só acrescenta.

Enfim, recomendo. O site da editora fala dos outros lançamentos. Honestamente, não sei se é possível manter a peteca tão alta o tempo todo, mas a R$ 2,60 o exemplar, acho que vale a pena arriscar.

Harry Potter paraguaio, vindo da china

01 Jul 2002 | Comments

Essa é ótima: assim como o resto do mundo, os chineses estão de saco cheio de esperarem a autora lançar o quinto livro da série Harry Potter. Só que resolveram colocar a mão na massa, e, na melhor tradição da pirataria asiática (que eu considero quase uma forma de arte) lançaram sua própria versão do livro.

Se bem conheço o mundo dos bucaneiros, logo pinta uma tradução meia-boca para o inglês desta “obra” (que, diz o artigo, já é meia-boca no original) nos Kazaas da vida. E eu que achava que o Polystation era o limite da cópia fuleira…

Inversão de papéis: ursos panda recebendo educação sexual

27 Jun 2002 | Comments

Não é exatamente o objetivo destas notas ficar apontando matérias bizarras na imprensa eletrônica – fiz isso bastante quando comecei a escrevê-las, mas como já disse em outras ocasiões, tem gente muito mais competente nesse ramo.

No entanto essa merece destaque: ursos panda chineses estão sendo expostos a filmes sobre educação sexual. O artigo me remeteu imediatamente ao impagável Panda do Assédio Sexual do South Park – como se os cientistas chineses estivessem vingando as crianças americanas que sofreram (e sofrem) com esse tipo de experiência educacional a la Laranja Mecânica.

O Brasil é o país do passado

22 Jun 2002 | Comments

Me assusta um pouco quando praticamente todos os candidatos de peso desta eleição colocam o processo de industrialização do Brasil como prioridade sobre o incentivo à agricultura. Como “ser urbano”, isso até me beneficia (ok, trabalho no setor de serviços, mas neste caso uma coisa puxa a outra), mas não acredito que seja o melhor para o país como um todo.

E não sou só eu: até diretores da ONU reconhecem (como mostra esta matéria do Caderno I) que a agricultura é a saída viável para combater a fome. Mas parece que, ao menos na telinha, “modernizar” soa melhor se for vendido em tom de Getúlio Vargas, vai entender…

Dr. Slump: chega de saiyajins

18 Jun 2002 | Comments

Se você tem aquele senso de humor um pouco diferente do resto da humanidade, i.e., mais pra Monty Python do que para Jim Carrey, não deixe de ler Dr. Slump, lançado pela editora Conrad. Este mangá, embora do mesmo criador de DragonBall, não tem nada a ver com batalhas planetárias ou dinastias de guerreiros – talvez as mentiras do Mr. Satan ou as aventuras amorosas do Mestre Kame coubessem aqui, mas nada mais.

A história não tem nenhum elemento humorístico de destaque. É o jeito com que Toriyama escreve que a deixa muito engraçada. Depois de me frustrar um pouco com One Piece e Fushigi Yuugi (que até são bons, mas não têm aquele “algo mais” que faz você ficar esperando a próxima edição), esse gibi coçou algum músculo na minha cabeça. Recomendo.