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Desmontando O Nintendo DS

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Estava o pequeno Chester feliz, brincando com seu NDS, quando a tela sensível ao toque perdeu a dita sensibilidade. Do nada. Os jogos e programas continuavam funcionando, mas qualquer um que dependesse da mesma (i.e., qualquer um que não fosse o Mario Kart DS) não rolava.

Peregrinei de assistência técnica em assistência técnica, mas acho que ninguém gosta de mexer em NDS. Não sei se é pelo custo/benefício ou por serem relativamente poucos no Brasil, o fato é que fui desenganado até por aqueles tiozinhos mais ninja da Santa Ifigênia, Stand Center e similares pradarias paulistanas.

Fuçando um pouco, descobri que a tela agia como se tivesse um toque permanente no canto superior direito (fazendo com que qualquer outro toque fosse interpretado como o ponto médio entre eles, bem longe da área realmente tocada). Isso eu diagnostiquei graças ao Axe, um programinha que gera música eletrônica baseado no movimento da caneta (e que reproduz este movimento na tela).

Imaginando que alguma partícula estivesse travada lá dentro, limpei a não mais poder, sem muito resultado. Como não tem assistência técnica no Brasil (e a garantia já foi pro saco quando eu instalei o firmware alternativo para usar programas não-oficiais, como o Axe), resolvi abrir o bicinho por conta própria.

Não é trivial: em primeiro lugar, a Nintendo usa um tipo de parafuso alternativo: o Tri-Wing, cuja fenda em “Y” é um meio-termo entre a tradicional e o formato Phillips. Claro, nenhum lugar vende a chave Tri-Wing – ao menos nenhum lugar físico, já que no Mercado Livre tem várias opções (e eu me dei bem com esta).

O bom de viver na era YouTube é que foi fácil encontrar um vídeo que ensina a desmontar o DS. O cara, meio gripado (chuif), mostra passo a passo (chuif) como desmontar o brinquedo. Chave e vídeo à mão, fui à luta.

Como de costume, o trabalho exige uma paciência oriental. O meu caso era um pouco diferente do que o vídeo mostra: eu não precisei ir até o fim, mas tive que fazer o videogame funcionar desmontado (para testar a hipótese da sujeira atrapalhando). Deu um certo trabalho (por exemplo, para selecionar o Axe, tive que operar o NDS de cabeça para baixo), mas rolou: separando um pouco com o estilete o friso do sensor de toque, consegui passar um cartão de visitas e remover o que quer que estivesse causando o problema.

Foi tão divertido operar o videogame desmontado que eu até filmei um pouco (bem pouco, o limite do meu celular são 10s, fora que jogar Elite Beat Agents enquanto segurava o celular na outra mão foi um pouco mais difícil do que eu supunha):

Assim como no alpinismo, a volta é a pior parte. Montar os botões L e R é praticamente um jogo por si só, e você deve tomar *muito* cuidado para não misturar os parafusos – em particular, cuidado com o parafuso que fica sob a bateria (eu coloquei um grande ao invés de um pequeno ali, e por pouco não danifiquei bem a carcaça do meu DS).

No final das contas, o brinquedo foi remontado, e pude voltar a tomar as surras regulares do EBA. E depois deste episódio, o Trauma Center perdeu toda a graça.

UPDATE: O Tornado abriu bem o blog dele com uma descrição detalhada da troca do case plástico do Nintendo DS. Dicas úteis como o mapa dos parafusos tornam o artigo dele referência para quem for fazer essa “cirurgia”.

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