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Cegonha: ainda um sucesso na China

14 Dec 2001 | Comments

É difícil de aceitar para nós, latinos calientes, mas, entre os universitários chineses, 10% dos homens e 16% das mulheres simplesmente não sabem como nascem as crianças, conforme pesquisa realizada recentemente e divulgada neste artigo.

O mais bizarro é que, ao ler isto, a primeira coisa que vem à cabeça é a imagem de milhões de adolescentes grávidas, e que isto seria a principal causa da superpopulação da China. Afinal, é comum atribuir à desinformação o problema da gravidez precoce que tão duramente atinge o nosso país. Entretanto, o mesmo artigo salienta que a China “é um dos países do mundo onde os jovens começam mais tarde a ter relações sexuais, em torno dos 22 anos”.

Percebe-se, então, que as coisas não são tão simples. Outro dado: ao comparar com outros estudos, acadêmicos ou não, sobre o assunto, percebe-se que os tabus em torno do sexo lá não mudaram muito nos últimos vinte ou trinta anos (eu tomo por base o excelente livro “Henfil na China”, onde o “irmão do Betinho” descreve de forma irreverente e detalhada sua viagem feita ao “país do cumunismo” em plena época de repressão).

Polícia ou bandido? Na periferia tanto faz

10 Dec 2001 | Comments

A crise de identidade da polícia se agravou nesta semana: enquanto policiais são flagrados controlando o tráfico de drogas na “cracolândia” de SP, o líder do PCC fica puto com um assalto a uma creche e manda os bandidos “éticos” caçarem os bandidos “sem coração”.

Pra quem mora na periferia de São Paulo, esse tipo de contradição não causa espanto. Quando eu era moleque na Vila Ema (zona leste de SP), era senso comum a gente sair à noite com um olho no bandido e outro na polícia. Claro, bandido era mais perigoso (pelo menos pra mim, que não tinha “cor de marginal” – essa segregação filha da puta que alguns chamam de racismo cordial), mas o fato é que ninguém ficava muito à vontade quando pintava a polícia.

O que é uma pena, porque essa carência de referências positivas na figura da autoridade constituída é um dos pilares da popularidade dos Malufs e suas crias na região – afinal, qualquer aspecto caótico de idéias como o endividamento público ou a transformação da polícia em gestapo desaparece quando é comparado com a situação que lá se apresenta…

Um raio-x na crise da Globo

07 Dec 2001 | Comments

Com o final da Casa dos Artistas se aproximando, a onda “O Sílvio é um gênio” da semana retrasada parece estar lentamente se convertendo em “A Globo não é mais aquela”.

Esse sentimento era difícil de racionalizar para mim, até que o No. trouxe esta excelente matéria, na qual Anabela Paiva joga uma luz no assunto. É extenso, mas vale a leitura.

Potter: “queima ele!!!”

05 Dec 2001 | Comments

Tem horas que eu me rendo ao pessimismo: somos mesmos atrasados. Só agora surgiu um desinformado brazuca querendo associar Harry Potter ao anticristo (mesmo sem ter lido os livros ou assistido ao filme, como confessa na matéria).

Pastor Araújo, o Sr. está atrasadíssimo. Os neuróticos gringos já estão de olho no Potter há meses… Se o Sr. quiser inovar, sugiro dar uma olhada em DragonBall, desenho animado no qual:

. Deus (Kami Sama) não possui poderes, operando seus milagres através de um dragão (Sheng Long); . Qualquer mané pratica a ressurreição, a torto e direito, basta ser bem-relacionado (alguém tem que fazer o pedido pro dragão no seu nome); . A divindade suprema (Dai Kaioshin) só concordou em salvar a humanidade em troca de um momento mais “íntimo” com a gostosa da série (Bulma).

E por aí vai… Se esse Toriyama não é o profeta do Apocalipse, não sei quem pode ser. Queima ele, queima!!!

Bonecos ou bonecas?

04 Dec 2001 | Comments

“Homem brinca com bola, mulher brinca com boneca”.

Essa era a lei, e ai daquele que fizesse diferente. Impossível saber o que seria pior: a repressão familiar ou a humilhação perante os colegas. Apesar disso, os bonequinhos dos Comandos Em Ação (e outros militares de plástico semelhantes), conseguiram passar pelo crivo da conservadora família brasileira, sendo sucesso entre a garotada dos anos 80.

Nem sei se há tanta diferença assim entre um G.I. Joe e uma Barbie – ambos trabalham modelos de personalidade bem definidos, deixando a imaginação focada nos “enredos” das brincadeiras e na combinação dos acessórios, roupinhas e afins. Mas creio que dar um soldado desses para seu filho era visto pelos pais uma espécie de seguro contra o “perigo” de encontrar o varão trocando o vestidinho da Barbie ou da Suzi…

Não vou me estender no tema – só entrei nele porque tenho recebido vários links para sites de colecionadores desses bonecos, como o LoucoPorBonecos.com e o G.I. Joe em Ação. Parece que a onda agora é colecioná-los (eu fico feliz de ver pela web, obrigado), e o pessoal leva isso muito a sério.

Ah, esses milicos são muito truculentos pra você? Dê uma olhada no Billy, possivelmente o primeiro “action figure” gay da história. É interessante observar que os criadores tomaram o cuidado “power rangers” de distribuir etnicamente os personagens (Billy é um americano típico, Carlos um hombre latino e Tyson é o afro-americano). Não sei se vende muito, mas a visita ao site é no mínimo interessante.

Papai Noel não existe (mas não espalhe!!)

03 Dec 2001 | Comments

Uma professora primária foi expulsa da escola onde trabalhava por ter trazido à tona em sala de aula esta cruel realidade: o bom-velhinho não passa de uma armação criada pelos pais das crianças para que elas se comportem no período entre outubro e dezembro (já que, se dependesse de bom comportamento o ano todo, o trenó podia ser trocado por um Twingo que sobrava espaço pra presente).

Tá certo que a coitada era iniciante, mas tinha que abordar um assunto tão polêmico logo na primeira aula? Imagino que no segundo dia ela ia passar um daqueles documentários dos sindicatos americanos que mostram o Walt Disney tendo ataques histéricos com seus funcionários, ou algo do gênero.

E por falar em Papai Noel, quando será que alguém vai ter o bom-senso de revelar às criancinhas brasileiras que o bom velhinho existe, mas que na verdade ele usa bermudas vermelhas e camiseta florida? Como se não bastasse alguém ter que pagar o mico de se fantasiar pra alegrar a petizada, a pessoa ainda tem que colocar aquela roupa de inverno em pleno verão tropical. É a sacanagem das sacangens…

Gravata anti-gravatas

03 Dec 2001 | Comments

Você trabalha com tecnologia e sua empresa o obriga a usar gravata? Pense um pouco: isso quer dizer que a gerência perdeu tempo precioso determinando um código de vestuário. Este tempo poderia ser usado para aperfeiçoar a estratégia de mercado, repensando o processo de produção, enfim, para tentar almoçar a concorrência antes que ela os jante.

Já foi o tempo em que dava pra usar uma gravata com estampa do Pinky ou de outro personagem engraçadinho para continuar expressando sua individualidade – além de todo mundo ter uma dessas hoje em dia, a diretoria torce o nariz.

Assim, se você *precisa* manifestar sua opinião, uma solução é esta gravata que permite dar o recado de forma bem sutil: ela possui uma estampa discreta que, vista bem de perto, mostra ser uma seqüência de uns e zeros. Estes números são uma forma codificada (usando a tabela ASCII, velha conhecida dos programadores) de escrever a frase “TIES SUCK” – numa tradução livre, “gravatas são uma merda”.

Me parecem US$ 32,99 bem gastos, e é certamente menos do que o custo de uma hora de trabalho da pessoa que bolou o código de vestuário…

Crise no Japão: a herdeira é menina

03 Dec 2001 | Comments

O Japão está em crise: a imperatriz deu à luz uma menina, o que pode desencadear uma crise política. Sério! A lei do país permite apenas que homens assumam o trono, mas o nascimento da princesa reacende o debate sobre o sentido desta lei nos tempos atuais.

Um dos catalisadores da crise foi o fato de a Imperatriz ter demonstrado interesse em criar a filha perto de si, pois normalmente os pais da realeza nipônica não criam seus filhos (dizem as más línguas que isso também acontece com a “realeza” brasileira hoje em dia, mas essa é outra história, na qual eu nem me meto…)

Sei que é um assunto seríssimo para eles, mas a “crise da imperatriz” não deixa de causar uma sensação estranha em nós, que enfrentamos a crise econômica, a crise energética, a crise da moralidade na política…