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Sacra repartição pública do vaticano

13 Feb 2002 | Comments

Depois de décadas de acusações acerca de uma certa despreocupação do Papa Pio XII com as vítimas do nazismo, o Vaticano finalmente anuncia que vai liberar em 2003 documentos que ajudariam a rebater tais acusações.

Mas vamos com calma: os tais documentos se referem ao pontífice anterior. Documentos da pontificado de Pio XII só vão ser disponibilizados depois de mais três anos. Eles alegam “proteger vítimas que ainda estão vivas” – desculpinha, hein? Será que alguém avisou eles que a guerra já acabou?

E depois a justiça brasileira é que é lenta – não é a toa que o Seu Edir está tomando o rebanho aos milhares…

Cadê a sacanagem???

13 Feb 2002 | Comments

Passou o carnaval, e, como de costume, nem tomei conhecimento. Mas o feriado foi ótimo para ficar atualizando as leituras, curtir a cidade deserta, e, eventualmente, ver televisão de madrugada.

Mas fiquei estarrecido com o seguinte: em *nenhum* dos dias de carnaval rolou aquela sacanagem da boa na TV aberta. No meu tempo de garoto, sempre contávamos com as emissoras de segunda linha (Bandeirantes, Gazeta, Manchete – todas com nomes diferentes hoje em dia) para mostrar uma boa dose de putaria dos bastidores, umas bizarrices ao vivo do Gala Gay ou de salões de periferia, sei lá. Dessa vez não tinha nada disso. Estranho, não?

Será que os reality shows diurnos acabaram com a graça do ninguém-é-de-ninguém anual das noites de carnaval? Ou naquela época era difícil ver mulher pelada no desfile oficial? Há quem diga que isso tudo é culpa do carnaval global narrado pelo Galvão Bueno, que brocha tanto o telespectador durante o dia que só sobra disposição para um bangue-bangue light à noite…

Sobre o “marqueteiro” do PT

09 Feb 2002 | Comments

Sei que é bobagem minha, mas não consigo deixar de lado uma sensação estranha quando penso que Duda Mendonça, ex-”marqueteiro” de Pitta, agora está cuidando da campanha do PT. Não questiono sua competência (em termos de carisma, Pitta era quase uma caricatura de si mesmo de tão insosso, e Duda foi capaz de torná-lo “vendável”), e tampouco sou contra o uso deste tipo de profissional (claro que preferia fazer parte de um eleitorado consciente, que dispensasse o artifício), mas alguma coisa meio caipira dentro de mim insiste na postura “sei não…”

Aproveitando o assunto: a dança dos marqueteiros foi dissecada de maneira muito competente em matéria de capa da Revista República – o link é para o excelente site da revista, mas a edição (com os publicitários de Lula, Serra e Roseana na capa) com sorte ainda se acha nas bancas.

Vila ema – é nóis na fita (e na ilha)

02 Feb 2002 | Comments

Quando eu falo que a Vila Ema (meu “bairro natal” em SP) é um lugar único no universo, ninguém acredita. Hoje eu resolvi dar uma procurada no Yahoo!Brasil, pra ver o que tinha sobre a vila. E encontrei o Nóis na ilha!, um site pessoal pra vilaemense nenhum botar defeito.

Destaque para a seção “cuecas”, onde são apresentados os manos Duzits, Negoxuru, Alemô, Peixe, Debal, Naldinho, Fião, Paraguaio, Nego Celo, Naté buscapé, Mun-há e muitos outros (o pior é que os meus camaradas *todos* tinham apelidos nesse naipe). Esse bairro tinha que ser tombado como patrimônio histórico (apesar que “tombado” lá quer dizer que o cidadão foi abatido a tiros, então deixa pra lá)…</tr> </table>

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Doméééstica… ela era doméééstica

02 Feb 2002 | Comments

Por mais que eu não ouvisse AM, esse refrão ficou estampado na minha cabeça por anos – e eu nunca dei atenção, achando que fosse uma dessas tentativas de fazer média com as “classes desprestigiadas”, como as odes às gordinhas e míopes do Roberto Carlos.

Esses dias um amigo me intimou a ouvir a música na íntegra. Meus caros, esse Eduardo Dusek é du-ca-ra-co! A letra tem um leve tom de crítica social, mas quebra o gelo com uns toques engraçadíssimos. Confira e divirta-se.

Eu tou voando, eu tou voando

28 Jan 2002 | Comments

Chegou o ano 2000 e a frustração foi geral: nada de carros voadores, teleporte ou colônia de férias em Marte. Mas semana passada testaram o primeiro protótipo de “jetpack” (aquelas mochilas estilo Rocketeer que você veste e sai voando). O doido aí do lado é o dono da Millenium Jet, que, claro, foi o piloto desse primeiro teste (eu também ia querer ser o primeirão se a firma fosse minha).

O vôo foi meio rápido (20 segundos – dá pra ver o vídeo no link), mas, como disse um colega, depois de Santos Dumont a coisa foi rapidinho. Isso me dá esperanças de ter um desses em casa enquanto ainda tenho saúde e culhões pra sair voando por aí…

Depois reclamam do Charles De Gaulle*

23 Jan 2002 | Comments

(* estadista francês que teria dito que “o Brasil não é um país sério”)

Isso deve ser carne de vaca na cultorolândia, mas eu soube hoje que Stefan Zweig, o autor da frase “O Brasil é o país do futuro” (que é, na verdade, uma leitura ligeiramente alterada do título de um dos seus livros), suicidou-se depois de passar alguns meses aqui… isso foi algum recado?

Spectreman – limpando o nome do Dr. Gori

02 Jan 2002 | Comments

(ou “spectromen”, como pronunciávamos nos anos 80)

Hoje em dia já devem ter mais páginas sobre o assunto, mas a primeira vez que eu fui procurar algo sobre o Spectreman na web, eu só achei esta página. Não ligue pro layout meio datado, ela é bem legal, com bastante fotos, e tem até alguns MP3 em português.

Mas eu resolvi escrever porque depois de grande percebi o seguinte: o Dr. Gori era o herói da história, e o Spectremen era, na verdade, o vilão. Pense bem: o Dr. Gori era um cientista que concluiu que a raça humana estava acabando com o planeta. Raciocínio perfeito. Ao invés de fundar um Greenpeace da vida, e ficar mendigando resultados, ele simplesmente resolveu cortar o mal pela raiz, dominando ou exterminando a raça humana. Simples, não?

Infelizmente, Spectreman ( um pau-mandado de uma espécie de ONU espacial, os “Dominantes”, cujo nome já diz tudo) vinha aqui no nosso planeta de terceira órbita, sem entender direito o nosso problema, já soltando porrada. E ele era “auxiliado” por um grupo de funcionários públicos japoneses, o “Grupo Anti-Poluição”, que não ficam devendo nada aos brasileiros: eles não faziam NADA a não ser lamber as botas do Spectreman e falar mal do Gori, que, à semelhança das esquerdas nacionais, era rechaçado mas sempre tentava de novo.

E, para eliminar qualquer dúvida: o Dr. Gori tinha uma consciência ecológica tão avançada, mas tão avançada, que teve o bom-senso de fazer todos os seus monstros de lixo. Ou seja, mostros reciclados. Doutor, o senhor é mesmo um injustiçado…

Retrospectiva Sílvio Santos 2001

02 Jan 2002 | Comments

(meio longo, mas é pra compensar os dias de ausência)

Na onda das retrospectivas, eu só digo o seguinte: 2001 foi o ano do Sílvio, goste-se ou não (e, considerando que o inimigo do meu inimigo é meu amigo, eu adorei). Vamos relembrar:

Em janeiro, tivemos briga do mal contra o mal: Eurico Miranda, numa tentativa de retaliar as alfinetadas que vinha sofrendo da Globo, estampa o logotipo do SBT nos uniformes do Vasco, e os Marinho ficam numa sinuca: ou não transmitem o futebol, ou fazem propaganda de graça para o homem do baú. E isso rolou sem que ele precisasse mexer uma palha (exceto, claro, se o SBT resolvesse processar o Vasco por uso indevido de imagem).

Mas isso foi só um aperitivo para o banquete que se seguiu. No carnaval, Sílvio Santos foi homenageado por uma escola de samba, e lá vai mais uma hora e tanto de transmissão do seu Sílvio na telinha global. Afinal, estamos no Brasil, ou seja: quando o assunto é futebol ou carnaval não dá pra fingir que não viu…

A vida transcorreu mais-ou-menos normalmente até agosto (apesar do “efeito Show do Milhão”, uma bola de neve que já vinha do ano anterior), quando ocorreu o sequestro de Patrícia Abravanel (filha de Sílvio, para quem esteve em outro planeta).

O comportamento da Globo neste episódio só tem um nome: pé-na-jaca. Alegando não querer incentivar outros sequestradores a fazerem exigências, deu a notícia do sequestro com antecedência, enquanto toda a mídia paulista mantinha a coisa em segredo, a pedido da família. Curiosamente, não teve essa pressa toda quando outro sequestro, este mais recente, envolvia um publicitário – ou seja, um representante dos clientes da empresa…

Não houve moral da história, mas ficou uma pergunta sem resposta: o que alguém ganha abalando a própria credibidade enquanto órgão de imprensa, com o único propósito de colocar o concorrente (mais uma vez) em destaque?

E a coisa não parou por aí: não bastasse o depoimento-pregação de Patrícia (desde Edir Macedo nenhum evangélico conseguiu catalisar tanta atenção da mídia em tão pouco tempo), o retorno do sequestrador à casa dos Abravanel deu ao episódio um enredo de folhetim com o qual as telenovelas globais já sonham há alguns anos.

O mês de setembro foi marcado pelos ataques a NY. Isso foi um alívio para a Globo, já que o aparato técnico-jornalístico lhes dá vantagem natural num evento como este. Entretanto, Sílvio guardava o uppercut para o final: a Casa dos Artistas, que se mostrou um “Show da Vida” muito mais interessante do que qualquer Fantástico. O resumo deste programa é um só: a Vênus Platinada apanhou mais do que gato em desenho animado.

Enfim, mesmo tendo deixado alguns eventos pontuais de fora (Show do Milhão dos Políticos, a biografia do Sílvio, etc.), dá pra ver que o ano foi do homem e ninguém tasca. Nao sei como será 2002, mas que 2001 foi divertido para quem precisava ver a emissora Mickey Mouse (a amiga do guarda), que foi cabo eleitoral do Collor e de tantos outros, enfim, a arrogante Rede Globo tomar uns cascudos (de quem quer que seja) pra variar, ah, isso foi…