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SMS-Denúncia

08 Mar 2011

SMS-Denúncia

Se já é difícil usar o transporte público em condições normais, a situação piora quando tem gente fazendo coisa errada: vândalos, ladrões, vendedores ilegais – isso pra não falar nos malditos chatos com som alto. Por conta disso, a CPTM e o Metrô de São Paulo criaram o SMS-Denúncia: você manda um SMS identificando a ocorrência, o meliante e o local, e os funcionários tomam providências.

O problema é que até você mandar o SMS com todas as informações necessárias o infrator já foi embora. A Bani testemunhou isso acontecendo comigo e programou o SMS-Denúncia para Android – você responde a algumas perguntas com poucos toques na tela do aparelho, e o aplicativo compõe e envia o SMS.

Resolvi dar outro passo e programei o SMS-Denúncia para Java ME, isto é, para celulares que aceitam aplicativos Java (possivelmente a maioria dos aparelhos em atividade nos trens). Você pode instalar pelo navegador do celular – basta abrir o endereço http://chester.me/smsdenuncia/SMS-Denuncia.jad, ou baixar no computador e transferir para o aparelho, usando este link para o arquivo .jar.

Os dois aplicativos são software livre (licença MIT), e o código-fonte está no github. Use com responsabilidade e ajude a fazer o Metrô e a CPTM melhores para todos os usuários!

Chester em Curitiba

01 Mar 2011

Mais uma vez apelei para o velho truque de transformar o transtorno de voltar de uma viagem a trabalho numa sexta-feira em um passeio de final de semana de baixo custo. Os curitibanos se orgulham de morar em uma cidade que alia qualidade de vida a comodidades urbanas, e resolvi passar o sábado conferindo, aproveitando as dicas da Bani, que sempre tem um mapinha turístico no fundo do armário.

Jardim Botânico em Curitiba

Campus Party Brasil 2011 (#cpbr4)

24 Jan 2011

Woz no cpbr4Esse ano eu passei menos tempo no Campus Party do que gostaria. Do pouco que vi, as coisas boas permanecem: você interage com muita gente (velhos conhecidos e sangue novo), aprende e ensina a toda hora, e – importante – se diverte um bocado. Algumas das ruins melhoraram, tais como a (quase) total erradicação das cornetas e vuvuzelas, que atrapalhavam as palestras acrescentando pouco ou nada ao evento.

Mas o principal problema do Centro Imigrantes permanece: o calor INFERNAL. Talvez seja o fato de estar ficando mais velho e reclamão a cada ano, mas simplesmente não vejo mais como ficar mais do que algumas horas em um lugar tão quente. O que seria necessário para dotar o ambiente de ar condicionado ou ventilação decente? Ou ainda: por que não fazer o Campus Party em Julho? Qualquer coisa vale, o que não rola é ficar suando em bicas.

A minha ida esse ano teve a ver com o pessoal da Vivo, que colocou bastante energia na melhoria e divulgação de sua plataforma de aplicativos. Com diferenciais como o suporte a vários sistemas (incluindo a “maioria silenciosa” dos celualres J2ME) e a monetização adicional baseada no envio/recebimento de SMS, eles lançaram um concurso com prêmio polpudo (R$ 15K + passagem pro Camps Party EUA) e anunciaram a união de forças com a BlueVia, aumentando o alcance potencial dos aplicativos para vários outros países.

Claro que com toda essa fanfarra eles não poderiam deixar de convidar pessoas para falar sobre desenvolvimento mobile, e eu fui uma delas. Com tanta gente abordando os aspectos técnicos e comerciais, optei por uma abordagem pragmática, e falei sobre as armadilhas que fazem com que nem sempre a gente consiga sair de uma idéia e chegar em um produto, mesmo tendo o lado técnico e o modelo de licenciamento/distribuição bem resolvidos. O pessoal gostou, e os slides estão aqui – se eu achar o vídeo, atualizo o post!

Não é possível deixar de mencionar a presença do Steve Wozniak, que literalmente parou o evento. Para mim teve um sabor especial, já que passei boa parte da infância e pré-adolescência desvendando os segredos do Apple ][ (e até hoje descubro coisas novas). Certa vez um amigo descreveu a emoção de ter visto a Mona Lisa pessoalmente – e acho que só compreendi o que ele dizia quando eu vi o Woz falando. No final formou-se uma fila para pegar autógrafo e fotografia dele, mas o calor e e a própria mensagem dele me fizeram declarar missão cumprida, guardar com carinho o passado e ir cuidar do futuro.

Revolution in the Valley: The Insanely Great Story of How the Mac Was Made

18 Jan 2011

Antes de se tornar objeto da admiração de uns e desinteresse/suspeita de outros, a Apple passou por três fases bem definidas: a “era de ouro” em que o Apple II e o Macintosh original foram criados; a queda em parafuso rumo à irrelevância; e a volta por cima. O papel evidente de Steve Jobs nas fases virtuosas alavanca o culto em torno de sua pessoa  a um ponto que fica difícil separar a verdade do mito, valorizando qualquer testemunho de quem esteve mais próximo.

Revolution in the Valley: The Insanely Great Story of How the Mac Was Made é um livro que reúne dúzias de histórias sobre o fim da primeira fase, isto é, sobre a criação do Macintosh. Boa parte delas veio do site Folklore.org: Macintosh Stories, organizado pelo autor – ninguém menos que Andy Hertzfeld, que escreveu boa parte do sistema operacional original do Mac.

Sony Ericsson Xperia X10 Mini Pro – Avaliação

16 Jan 2011

Estou vendendo meu X10 Mini Pro (com o update 2.3 instalado)
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Passei dois anos com um iPhone, e uma das coisas que me incomodava era digitar nele. Fato: o melhor teclado virtual do universo é pior que o teclado físico mais vagabundo. Eu escrevo muito (basta me seguir no Twitter para conferir) e quem produz conteúdo “na estrada” precisa de teclas de verdade. É o motivo pelo qual eu não trocaria meu netbook por um tablet – e que me fez desencanar de um iPhone 4 quando o 2G se foi.

Juntando a isso o fato de já estar de olho no Android há pelo menos três anos, comecei a procurar aparelhos com este sistema cujo preço não superasse os três dígitos. Também era importante contornar outras limitações do iPhone: a falta do flash na câmera e o formato/tamanho. A busca terminou no Sony Ericsson Xperia X10 Mini Pro.

Desmontando o nome gigante: Xperia é a linha de smartphones high-end da Sony Ericsson, X10 foi o primeiro baseado em Android, Mini é a versão reduzida (com algumas características diferentes) e o Pro o Mini que ganhou o teclado retrátil.

O tão desejado teclado físico não decepciona: a Sony abriu mão das teclas numéricas superiores (que só fazem falta em ocasiões raras) em favor de um tamanho viável para digitar com os polegares – o resultado é bom se você tiver as duas mãos disponíveis e dedos não muito grandes. Também conta a favor o flash, aliado à câmera de 5 megapixel – um pouco sensível demais à vibração, mas no geral boa.

A autonomia da bateria depende do uso. O meu caso é bem intensivo: vou para o trabalho ouvindo podcasts, assistindo seriados (dica: converta os arquivos usando o HandBrake com o preset “iPod” – a resolução QVGA é a mesma, e o formato resultante é suportado nativamente), uso o Twitter (geralmente com o Seesmic e agora experimentando o twicca – a app oficial não me caiu bem), faço checkins e reviews no Apontador Local e jogo bastante. No geral, uma carga por dia é suficiente para tudo isso, mas eventualmente alguma app menos comportada fica em background detonando a bateria. Entra em cena o Advanced Task Killer, que com um toque mata o que quer que esteja rodando em segundo plano.

Jogos, aliás, são o aspecto em que o iOS ainda dá mesa, mas os mais populares (ex.: Angry Birds) começam a surgir no Android. Os puzzles são numerosos (atualmente me divirto com o Andoku e o Bubble Blast) e uma área de destaque são os emuladores, praticamente impossíveis no iOS devido às políticas draconianas. Me divirto com jogos de Atari no Ataroid, de Spectrum no Marvin e ZX81 no Zed Ex – este último do brasileiro Claudio Matsuoka. E muito em breve vai ter miniTruco pra ele também!*

Um dos pontos negativos são as customizações desnecessárias no Android e as demos de software não-removíveis. As primeiras a gente troca (por exemplo, troquei o lançador de apps pelo HelixLauncher), e com o resto o jeito é conviver. Mas o ponto que realmente complica é a política da Sony Ericsson com updates: eles demoraram uma vida para disponibilizar o Android 2.1 (só pintou no final do ano passado), e anunciaram de forma deselegante (e mal-justificada) que não vão mais fazer updates nos Xperia.

Com essa atitude eles deixam na mão quem acreditou neles, coincidentemente no exato momento em que estão lançando uma nova linha de smartphones Android. Não fosse isso, eu recomendaria a compra sem reservas – é um ótimo aparelho – mas enquanto não rolar um firmware alternativo, eu volto ao boicote anti-Sony iniciado por conta dos rootkits e formatos incompatíveis.

  • (ok, já tem uma versão beta, mas ainda está um pouco instável – quando estiver apresentável, faço um post só sobre ela)

UPDATE: Saiu um firmware alternativo baseado no Android 2.2 (Froyo), e ele realmente dá vida nova ao celular (e mostra como o software da Sony Ericsson é horrível). Escrevi as minhas impressões sobre ele.

Racing the Beam: Um raio-x do Atari 2600

04 Jan 2011

Racing The BeamUm aviso: não tenho como ser muito imparcial com este livro. Pra começo de conversa, jogos como Enduro, Pitfall, Adventure e Raiders of The Lost Ark são parte integrante das minhas memórias de infância. Eu associo o nome Atari ao universo dos videogames tanto quanto gerações mais recentes o fazem com Nintendo, Sega ou Sony. E um dos grandes “to-do”s da minha vida é concluir o desenvolvimento de algum jogo para essa plataforma. Já flertei com esta proeza no passado, o que resultou em uma pequena animação interativa (perdida no tempo) e em um artigo publicado há quase DEZ anos atrás no site Fliperama – cortesia do Internet Archive Wayback Machine.

Dance Central (Kinect)

29 Dec 2010

Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de Dance Dance Revolution (DDR), o jogo de dança japonês disponível em fliperamas (embora os do Brasil geralmente tenham Pump It Up, o equivalente da coreana Andamiro) e também nos consoles através de “tapetes de dança”. Cheguei até a customizar um tapete e também a importar outro, mais profissional. Mas chegou um ponto em que a limitação do controle aos pés e a baixa viabilidade de jogar à noite em apartamento me fizeram desisitr de tê-lo em casa.

Quando soltaram o primeiro vídeo promocional do Kinect (então conhecido como Project Natal), a primeira coisa que eu pensei foi em como a Konami não perderia tempo em lançar algo parecido com o DDR para ele, mas a Harmonix saiu na frente com o Dance Central. O jogo se beneficia da experiência da empresa como desenvolvedora original do Guitar Hero e do Rock Band – que ajudou não apenas com a dinâmica do jogo, mas também com os contatos que levaram ao uso de músicas conhecidas em versão original (as poucas músicas que não são feitas pela própria Konami no DDR costumam ser remixes europeus de *covers *de qualidade questionável).

DDR à parte, o Dance Central é ótimo. O objetivo do jogo é simples: você dança em frente à câmera, reproduzindo os passos que compõem cada música, sendo que cada passo é representado por um símbolo e um nome mnemônico. Por exemplo: o Torch pede para erguer os braços como se estivesse carregando uma tocha; Burn a Ride é o gesto de pedir carona, Disco e Fever compõem uma dancinha básica estilo John Travolta, e por aí vai. Um passo executado corretamente rende um “nice” ou (se for muito bem feito) “flawless”, e no meio da música o momento freestyle deixa o jogador dançar à vontade (e filma para constrangê-lo logo em seguida).

Dance Central (Kinect)

Jogadores mais avançados (ou ousados) podem ignorar os símbolos e simplesmente imitar o dançarino na tela como se estivessem em frente a um espelho. Eu vou pelo caminho oposto: antes de jogar uma música, entro no modo Break it Down, que ensina a dançar cada um dos passos isoladamente. É possível até treinar em câmera lenta aqueles em que você estiver mais enroscado. Com isso não tem desculpa: qualquer um pode jogar, independente de sua relação prévia com a balada.

Mesmo passando a empolgação inicial, ainda estou me divertindo um bocado com o jogo (a ponto de ter mudado a posição de todos os móveis na minha sala para liberar o espaço que o Kinect pede – pelo menos 1,80m). O mesmo não pode ser dito do Kinect Adventures (que vem junto com o periférico) – ele lembra o Wii Sports no sentido de mostrar as capacidades do controle inovador, mas não tem o replay value deste.

Tenho também o Dance Masters – esse sim da Konami e planejado como sucessor do DDR – mas confesso que ainda nem abri a caixa. O Dance Central me ganhou fortemente. Fãs de jogos de dança têm nele uma justificativa mais do que suficiente para adquirir o Kinect, e mesmo quem não se empolgou com os tapetes pode vir a gostar desse jogo. É comprar e se jogar!

Scroogenomics: A Economia dos Presentes

24 Dec 2010

Um livro cujo título junta Economics (economia) e Scrooge (personagem avarento do conto de Dickens, que também foi homenageado por Carl Barks ao nomear o Tio PatinhasUncle Scrooge no original), pode parecer mal-intencionado. Mas não é: o objetivo de Scroogenomics é mostrar que a compra desenfreada de presentes no natal não é exatamente a oitava maravilha para a economia nacional ou global – ao contrário do que o senso comum (compras ⇒ aquecimento econômico) possa sugerir.