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Apocamon: vai, anjo picachu

Oct 8, 2004

trecho de ApocamonMesmo nos meus tempos de fervoroso estudante da Bíblia, nunca tive muito saco para o livro do Apocalipse – aliás, me interessava por pouca coisa do Novo Testamento que fosse muito além dos Atos dos Apóstolos. Patrick Farley foi melhor que eu, sacando a semelhança entre as infindáveis bestas do Livro do Apocalipse e a franquia da Nintendo, o que o levou a produzir Apocamon.

É uma versão em flash do Livro do Apocalipse, só que apresentada em formato mangá. Conta com as indispensáveis piadinhas laterais, tais como o Apocadex (que permite responder à clássica pergunta “quem é esse Apocamon?”), e, apesar da paginação dar uns problemas comigo (nada que um botão direito e forward não resolvam), é divertido. Os dois primeiros episódios são gratuitos, e os outros podem ser comprados via BitPass (não saia para ler quadrinhos na web sem ele).

Red octane ignition 2.0 pad

Sep 26, 2004

O nome é cheio de firula, mas é merecido: o Ignition é o que há de melhor para jogar DDR, acabando com a desculpa de que “o tapete falhou”.

O vendedor de histórias

Sep 22, 2004

capa do livro O Vendedor de HistóriasJá tinha lido dois livros do autor (Jostein Gaarder): o famoso O Mundo de Sofia (que é um misto de romance e curso básico de história da filosofia), e o menos badalado, mas talvez mais interessante O Dia do Curinga. Este último era meu favorito pessoal, até que resolvi experimentar O Vendedor de Histórias – talvez o melhor livro que li este ano.

O narrador e personagem principal é uma pessoa extremamente imaginativa, capaz de criar e recordar histórias com a mesma intensidade e riqueza de detalhes que encontra nas memórias de fatos reais. Após algum tempo contando sua infância e adolescência, ele mostra a maneira pouco ortodoxa na qual aplicou tal dom para ganhar a vida, e as conseqüências disto.

Esta trama permite que várias outras histórias curtas sejam inclusas no meio da história principal. Algumas delas, claro, possuem ligação com a história principal, mas, independente disso, algumas delas já são geniais independente do conjunto, e justificariam o livro sozinhas.

O final, embora interessante, não empolgou como os finais das histórias mais curtas – o que não tira o mérito do livro. Não recomendo ler as sinopses – é muito mais divertido descobrir tudo à medida que vai acontecendo (isso devia ser com qualquer livro, mas parece que com esse os sites de venda insistem em querer revelar mais do que deveriam).

Bom cãozinho, mau cãozinho

Sep 19, 2004

Ótimo o livrinho Que Saudade, Snoopy!, lançado pela Conrad. São mais de 120 páginas de tiras do Snoopy a um preço que equivale a dois ou três dos mini-mangás atuais. O papel, a tradução, a impressão, e principalmente a seleção das tiras são todos de alto nível, gerando um excelente resultado.

Os elogios são em grande parte um contraponto ao fiasco Snoopy, eu te amo. Apesar do tema atrativo, a predileção por tiras muito antigas (que, com todo o sacrilégio que envolve falar mal do Schulz, eram bem amadoras e pouco lembram o Peanuts que conhecemos e amamos) e a limitação do tema acabam tornando o livro repetitivo e chato.

Fuja desse e fique com o primeiro. Não se deixe levar pelo marketing de “presente ideal para a pessoa amada” – eu mesmo comprei com essa intenção, mas o livro é tão ruim que eu resolvi provar o meu amor guardando ele pra mim…

Macanudo

Sep 16, 2004

clique para ver uma tira do MacanudoTive a oportunidade de conhecer o trabalho do argentino Ricardo Liniers Siri graças a um amigo que gentilmente me emprestou a coletânea Macanudo de Liniers, No. 1.

É uma das tiras mais agradáveis que li nos últimos tempos – tanto pelo desenho quanto pelas histórias e seus personagens inspirados, tais como “O senhor que traduz os títulos dos filmes estrangeiros” (e seu dicionário com todas as setenta e seis palavras do idioma nacional) até “Z-25, o robô sensível”. Isso sem falar nos duendes e pinguins – nunca imaginei o quanto essses dois grupos se prestavam ao questionamento existencial e sociológico.

Infelizmente a coletânea é difícil de achar por aqui (embora eu esteja a fim de tentar esse site). E mesmo assim só existe em castelhano – o que não é uma barreira, mas afasta leitores casuais. Uma dica: o jornal argentino La Nación publica a tira diariamente, e permite recebê-la por e-mail. Basta clicar em registrarse, e, na última tela, procurar por Liniers na seção “Humor” (também estão disponíveis Maitena e outros, tudo grátis como a Internet deve ser).

Ensaio Sobre a Cegueira (e uma espetada no Alan Moore)

Sep 9, 2004

Já que confesso os filmes que assisto tardiamente, aproveito para mencionar Ensaio Sobre a Cegueira, que só li agora.Sem grandes pretensões, este relato de uma cidade na qual vários habitantes são acometidos de uma cegueira misteriosa é interessante e justifica a leitura.

O autor é criticado por seu estilo que substitui os diálogos por longos parágrafos onde o narrador assume o “tom” de quem está falando.Não tive problemas com isso – ou, ao menos, não foram nada comparados aos que eu tive com o chatérrimo Voz do Fogo, que usa um artifício semelhante para tentar colocar o leitor dentro da cabeça de um homem das cavernas mentalmente debilitado. Este livro me levou a dois sacrilégios: falar mal do autor (Alan Moore) e parar de ler um livro antes do final.

Lua de fel

Sep 4, 2004

cartaz do filme Lua de Fel, versão alemãNão sei o que me atraiu desta vez. Posso estar influenciado pela falta de filmes interessantes, pela maneira com que ele chegou a mim ou até mesmo pela relevância pessoal das questões abordadas. O que sei é que ainda estou encantado com Lua de Fel, filme lançado em 1992, mas que só vim a assistir no último feriado.

O diretor (Roman Polansky) trabalha temas diversos, girando principalmente em torno de relacionamentos que se esgotam, seja pela falta ou pelo excesso de ardor. O mais importante é que ele o faz fugindo dos lugares-comuns do gênero, e, principalmente, sem a previsibilidade e as lições de moral que invariavelmente estragam qualquer tentativa de abordar tais assuntos com seriedade.

É difícil falar muito sem estragar surpresas. Além disso, não quero privar ninguém do prazer que eu tive ao assisti-lo sem saber nada a respeito. Desta forma, vou apenas deixar como referência de algo que muito me agradou – o que, em se tratando de filmes, não tem sido fácil ultimamente.

Apenas um comentário: o título me pareceu uma daquelas armações pseudo-marqueteiras que tentam associar qualquer lançamento a algum sucesso recente – cito, como exemplo, O Vingador do Futuro e O Exterminador do Futuro, nos quais o “Futuro” pulou do roteiro para o título numa provável tentativa de capitalizar sobre algum outro filme, talvez De Volta para o Futuro (único dos três cujo título original menciona o futuro).

Felizmente foi engano meu: o filme é uma co-produção anglo-francesa, e embora o nome em inglês seja Bitter Moon, a distribuidora nacional fez a feliz opção pelo nome em francês (Lunes de Fiel), já que este também é o nome do livro que deu origem ao filme.

A primeira vez… no estádio

Sep 1, 2004

Fotos: Adriana Garcia

**A EXPERIÊNCIA **

Adriana (gremista), Juan (corinthiano) e eu (não-praticante)Nunca me interessei por futebol. Não vou ser o primeiro nem o último nerd a dizer isso, mas o meu caso é crônico: não jogo bola, não acompanho campeonato, não assisto jogo na TV, nem copa do mundo eu vejo. O mais perto que eu cheguei foi gastar uma meia horinha no Winning Eleven (e mesmo assim só porque era da Konami).

Mas eu sou, acima de tudo, um cientista. E neste espírito científico aceitei o convite de dois queridos amigos para ver um jogo no estádio, e tentar entender (ou ao menos sentir um pouco) a paixão nacional. Sendo meu amigo corinthiano e minha amiga gremista, nada mais natural que prestigiar o Corínthians x Grêmio, que aconteceu no Estádio do Pacaembu em 21/Ago/2004.

Descendo as cataratas de barril

Aug 27, 2004

dúzias de guardas descendo as cataratas de barrilTive a oportunidade de assistir novamente ao episódio do Pica-Pau em que ele quer tentar descer as Cataratas do Niágara de barril (acompanhado da impagável gag dos turistas de capote amarelo fazendo “waaaah”). A maioria dos episódios do Pica-Pau clássico é fortemente inspirada no mundo real, e é fácil ver que este não é diferente, graças a sites como o Daredevils of Niagra Falls.

O site traz uma descrição cronológica detalhada de diversas proezas, de travessias a descidas, sempre envolvendo as cataratas. O mais interessante é que, de fato, vários desafiantes tentaram a descida através de um barril. A primeira a conseguir foi Annie Edson Taylor, que alegava ter 43 anos quando fez a “viagem”, mas há quem diga que ela tinha na verdade SESSENTA e três.

Em qualquer caso, espero ter metade dessa energia quando chegar lá…