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My Retweeted Tweets

17 Jul 2011 | Comments

My Retweeted TweetsEu nunca me animei a colocar o widget do Twitter no blog porque meus tweets variam bastante, e nem todos são interessantes para um público mais amplo. Isso mudou quando ouvi, nos dois últimos minutos do Nerdcast 264, o Rafinha Bastos confessar que:

“Eu (…) deixo no meu twitter só as (…) tweetadas¹ que foram bem retweetadas”

O comentário pode parecer inócuo, mas ajuda a explicar como ele foi considerado tão influente pelo The New York Times – essa “limpeza” garante uma excelente proporção de retweets por tweet na timeline. E o filtro popular deixa quase tudo mais bacana – como qualquer leitor do Digg sabe. Mesmo sem a multidão de seguidores do Rafinha, é possível olhar a própria página de tweets que foram retweetados e conferir a diferença com relação ao “dia-a-dia”.

Infelizmente o widget do Twitter não permite colocar apenas os tweets retweetados. A API de busca também não ajuda, porque só vai até uns poucos dias no passado. O jeito foi colocar a mão na massa e criar o meu próprio widget. Usando o Google AppEngine, a API do Twitter (via Twitter4J) e um final de tarde, saiu o My Retweeted Tweets.

Basta autorizar o aplicativo e ele gera o código que você pode usar para deixar os tweets retweetados em evidência, como eu fiz na coluna lateral do blog (e na ilustração). O código-fonte, como de costume, é livre (Apache License) e está disponível para quem quiser. O aplicativo foi feito para uso próprio, então ainda pode ser bastante melhorado, mas está lá.

¹ Sim, tweetar e seus derivados forçam a amizade, como me lembrou a Bani. Mas é o que a tradução oficial do Twitter diz, então paciência…</p>

miniTruco Android

10 Jul 2011 | Comments

Clique para baixar o miniTruco AndroidA versão Android do miniTruco está pronta e disponível para download no Android Market. O software é gratuito, e, mais importante: o código-fonte é livre (GPLv3).

miniTruco Android (para leitores de QR Code)O jogo original para Java ME foi criado em 2005, e ainda hoje ultrapassa os 6000 downloads/mês. Publiquei uma versão Android bem instável no final de 2010, e nas últimas semanas dei uma polida nela. Isso só foi possível graças ao feedback através do Market, então continuem sugerindo, criticando e reportando por lá!

A única coisa do miniTruco original que ficou para o futuro foi o multiplayer. Ainda não sei qual tecnologia usar (deve ser Wi-Fi, Bluetooth só me deu dor-de-cabeça), nem o modelo comercial – será que vinga uma colaboração pela versão paga? Por ora vou dar atenção para outros projetos, mas uma hora eu retomo essa parte.

Créditos

**As imagens (logotipo, ícone, baralho, etc.) são de autoria da Bani. A contagem de tentos do truco mineiro (versão 1.1) foi implementada pelo Guilherme Caram. O jogo não seria possível sem os códigos de estratégia do Leonardo Sellani e do Sandro Gasparoto (que também criou o gTruco), além do código do Willian Gigliotti, que não veio para essa versão, mas foi a estratégia original que viabilizou todas as outras.

 

Michael Jackson: The Experience – Kinect (XBox 360)

28 Jun 2011 | Comments

O Dance Central foi o motivo pelo qual eu comprei o Kinect (e o XBox 360). É um jogo divertido, mas peca em pequenos aspectos – sem dúvida por conta do pioneirismo. Esses pecadilhos ficaram evidentes no último fim-de-semana, quando comprei o Michael Jackson: The Experience. O jogo vai na mesma linha do DC, mas (claro) com músicas do MJ, e uma interface muito mais bem acabada. Diferença notável: no Dance Central, os dançarinos virtuais ocupam toda a tela, mostrando sua silhueta como um detalhe num canto. Neste jogo, você (ou: sua versão translúcida e purpurinada) é o centro das atenções.

eu no Michael Jackson: The Experience (ou o que minha câmera pegou no timer)

O jogo abre com três opções. A primeira é a MJ School, um conjunto de vídeos onde dançarinos de carne e osso ensinam a dançar um variado conjunto de passos do Michael Jackson. Não é o treinamento do jogo, e sim uma vídeo-aula de dança, totalmente à parte. É bacana, mas o mais produtivo é ir direto à opção Solo, escolher uma música (Beat It é uma boa para começar) e, ali, quebrar o gelo no Practice, recorrendo aos vídeos para os passos mais complicados.

É importante frisar: o modo praticar é muito mais bem acabado que o do Dance Central. Ele permite escolher livremente qual parte treinar, repetir quantas vezes quiser e ir passando para a próxima, pular direto para qualquer outra, enfim, fazer como bem entender. Outro lance vantajoso é ver a si próprio, no mesmo tamanho do dançarino virtual. Parece bobagem, mas isso ajuda muito na identificação dos erros. Outro diferencial: ele ensaia dois ou três passos de uma vez só, o que intimida no começo, mas é mais parecido com o aprendizado real de dança.

Para o jogo em si, você tem a opção entre simplesmente dançar a música ou fazer a “performance”, isto é, dançar e cantar alternadamente. Esta última opção permite usar o microfone do Kinect, mas o melhor resultado é com um microfone dedicado, de preferência sem fio. Novamente a atenção aos detalhes é diferencial: os LEDs coloridos do microfone da Microsoft (normalmente usados apenas para saber se ele sincronizou corretamente com o videogame) passam a fazer parte do show. No geral eu uso muito mais o modo Dance que o Performance, mas cantar de vez em quando ajuda a recuperar o fôlego.

A maior desvantagem para os dançarinos amadores (como eu) é que os passos não têm um nome mnemônico como no Dance Central (embora vários dos vídeos da MJ School dêem nome aos bois). Mas isso (e a ênfase no seu avatar) faz com que você se desprenda dos cartões e olhe mais para os dançarinos na tela, seguindo a música com mais naturalidade. O sistema de “estapear” os menus do Dance Central também faz falta, já que o jogo usa o esquema mais comum do Kinect (coloque-a-mão-e-aguarde), mas não é nada terrível.

Quando o Dance Central 2 sair, vai ter uma vantagem matadora: a possibilidade de duas pessoas dançarem ao mesmo tempo. Mas até lá, o melhor caminho para se divertir com dança no Kinect é o moonwalk com o Rei do Pop!

Sony Xperia X10 Mini Pro + Android 2.3 (Gingerbread) – Sony = ♥♥♥

23 Jun 2011 | Comments

Estou vendendo meu X10 Mini Pro (com o update 2.3 instalado)
clique na lojinha e veja mais detalhes

Animação do boot do Froyo. Hit the road, Sony Ericsson!Este post falava originalmente de um upgrade para o Android 2.2 (que continua válido), mas já consegui atualizar o celular para o 2.3, daí a mudança no título. Pule para o final para obter os links para 2.3.

Demorou, mas finalmente rolou: um programador (slade87) juntou código dele com o MiniCM (baseada no CyanogenMod) e conseguiu gerar uma versão do Android 2.2 (conhecido como “Froyo”) que funciona no X10 Mini Pro. Um amigo me avisou da existência de um tutorial em português escrito pelo NightCrawler, e foi o que eu segui.

IMPORTANTE: O processo não é trivial, e, embora não seja ilegal, não é autorizado pelo fabricante. Uma falha PODE inutilizar o seu aparelho, “tijolando” ele de forma possivelmente irreversível e certamente não coberta pela garantia. Não faça se não estiver disposto a assumir o risco ou se não souber bem o que está fazendo. Nem eu, nem o slade87, nem o NightCrawler nem NINGUÉM será responsável por qualquer dano, mas apenas VOCÊ. Se estiver em dúvida ou não for a sua praia fazer essas coisas, NÃO FAÇA.

Aviso dado, estou muito feliz com o resultado. Este Android é “debranded”, isto é, não tem as customizações que a Sony Ericsson inclui com a versão que vem com o telefone – é o Android do jeito que foi pensado originalmente pelo Google, com alguns toques extras dos programadores que o customizaram. A Sony afirma que não haveria vantagem em ter o 2.2 (e diz o mesmo do 2.3), mas sinto informar que o celular ficou bem mais rápido e funcional. Se foi o upgrade para o Froyo ou a remoção do software da Sony que proporcionou a melhora, fica a critério de cada um (a minha opinião é que são as duas coisas, e que a Sony devia contratar esses hackers sem pestanejar).

O tutorial enfatiza (e eu reforço) a importância dos backups com o XRecovery, que pode ser carregado antes do sistema operacional e permite executar backups e upgrades do mesmo. O Titanium Backup é outra ferramenta que já justifica fazer root do celular, e também reitero o custo/benefício de comprar o Root Explorer, além de recomendar doações para os autores dos outros softwares.

É preciso ter uma máquina com Windows para executar o upgrade (tanto o SuperOneClick, usado para ganhar acesso root, quanto o atualizador da Sony – usado no passo de “debranding” – só rodam neste sistema operacional). Mas os updates futuros podem ser feitos direto no celular, através do XRecovery. Eu queimei umas duas ou três horinhas entre downloads, backups e atualizações.

No final tudo funcionou, com a exceção do layout do teclado (o “ç” e outras teclas diferentes do original americano) – mas isso dá pra resolver com outro software do slade87. Depois de rodar o programa no PC e reiniciar o celular, é preciso descobrir qual o método de entrada correto: entre numa caixa de texto qualquer, toque ela até vir o menu, escolha Input Method e vá testando as opções (Android Keyboard, Default Input, etc.), até achar uma que esteja acentuada (pra mim variou conforme o firmware instalado).

Dentre os “brindes” que o firmware customizado oferece estão opções como fazer reboot direto para o XRecovery/ClockworkMod, e um programa que habilita o uso do flash LED da câmera como lanterna! Mas o ponto alto é a agilidade: a lista de contatos e o envio de SMS eram incapazes de administrar a quantidade de contatos que eu tenho, e no novo sistema é tudo instantâneo e bem integrado – bem mais próximo da experiência do iOS. E é cedo pra falar, mas até a bateria parece que está segurando melhor. Aprovadíssimo!

UPDATE: O slade87 não está mais desenvolvendo esta ROM (aparentemente ele ficou cansado dos trolls nos fóruns, que esquecem que ele está doando seu tempo), mas experimentei o FroyoBread que parece funcionar bem também.

UPDATE 2 (GINGERBREAD): O FroyoBread não foi tão liso quanto eu esperava. Mas tem um build de Android 2.3 que parece estável o bastante, e instalei hoje. Dei wipe nos dados do usuário dentro do XRecovery, instalei o firmware e logo em seguida, sem reboot, o patch, arrumei o teclado e parece que funciona tudo agora. Ou seja, estou com Android 2.3 (Gingerbread) no X10 Mini Pro!!!!

UPDATE 3 (MiniCM): Pouco antes do final de 2011 saiu o MiniCM7, outro firmware para o X10 Mini Pro customizado a partir do CyanogenMod 7 (e, portanto, Android 2.3). Ele promete mais estabilidade e performance, e, como sempre, tem a receita de bolo para instalar no xda-developers. O catch: para ser instalada, ela exige a troca do kernel Linux por um customizado (o nAa), e a instalação deste, por sua vez, pede o unlock do bootloader (além do root do celular que as outras pediam). É uma operação com uma bela possibilidade de tijolar o celular – eu só fiz porque estava em um delírio de insônia. Vamos ver se melhora algo.

Quadrinhos no iPad

19 Jun 2011 | Comments

FoxTrot sobre iPad e Quadrinhos (c) Bill Amend http://www.foxtrot.comResisti bastante à idéia de comprar um tablet. A inevitável comparação com o netbook mostra duas coisas que fazem falta: um teclado de verdade (indispensável para quem produz conteúdo) e a liberdade para usar os softwares que eu quiser. Mas fui seduzido pela novidade e, principalmente, pelo tempo generoso de bateria (algo muito útil em eventos de TI) e comprei um iPad 2 na minha última viagem. Claro que uma das primeiras coisas que eu quis tentar com ele foi ler quadrinhos – a tela e a resolução pareciam ideais para o formato.

Uma pesquisa rápida mostra que o comiXology é a maneira mais eficiente de fazer isso. Mais do que um aplicativo (cujo nome na App Store, “Comics”, já demonstra o pioneirismo), ele é o canal oficial de publicação das principais editoras norte-americanas. Através do aplicativo você pode comprar quadrinhos da Marvel, DC e Image. A loja virtual tem muitos lançamentos simultâneos com as edições em papel (a DC em particular está apostando nisso) e outros tantos com algum atraso, mas o mais interessante é poder revisitar coleções antigas: eu me empolguei com Lanterna Verde e fui desde clássicos do Dennis O’Neil até a excelente releitura do Geoff Johns.

Existe material grátis, mas os gibis normalmente custam em torno de US$ 2 (debitados na mesma conta que você usa para comprar apps). Há muitas promoções, e vale a pena ficar de olho na newsletter dos caras – lançamento de filme, por exemplo, é sempre acompanhado por descontos generosos nos quadrinhos relacionados. Eles ficam vinculados à sua conta, podendo ser baixados novamente caso você troque de dispositivo (e até em mais de um deles), como acontece, por exemplo, com o Kindle da Amazon. Em termos de qualidade, o iPad permite ver bem uma página inteira em 99% das vezes, e quando isso não ocorre você pode dar zoom ou usar o Guided View, um sistema originalmente pensado para dispositivos menores que mostra os quadrinhos em zoom, na ordem em que você leria. É uma boa, por exemplo, em páginas duplas (é possível girar o aparelho, mas eu acho pouco prático e perde-se um tantinho de resolução).

O comiXology é a app/loja mais popular, mas está longe de ser a única. O Comics+, por exemplo, licencia alguns outros títulos da Image, tem coisas da Top Cow e também Archie Comics a preços atrativos. Um lance curioso nele foi ver alguns volumes de PvP, que surgiu como webcomic mas lançou várias edições em papel, e estas foram parar no Comics+. E a editora IDW produziu um aplicativo próprio, o IDW Comics, que não pode faltar no seu aparelho por oferecer clássicos como Tank Girl e Rocketeer, bem como uma série de quadrinhos licenciados de franquias como CSI, Castlevania, Ghostbusters e tantas outras – não li quase nenhum desses, mas é um material que seria difícil conseguir aqui, mesmo importando. Nos dois casos, a compra e o armazenamento funcionam da mesma forma: via loja da Apple, vinculando ao seu usuário.

Claro que todas essas plataformas têm um custo (além do monetário): o uso de DRM (Digital Rights Management). Este tipo de tecnologia tem por objetivo evitar a pirataria e garantir que os autores sejam remunerados – o que é razoável e desejável – além de algumas conveniências como poder apagar os quadrinhos já lidos e baixar em outros dispositivos. O problema é que você fica nas mãos do publisher: eles podem, a qualquer momento, apagar um quadrinho que teoricamente era seu (já aconteceu com livros no Kindle), e se eles encerrarem as atividades, ou se você migrar para uma plataforma não-suportada, vai ficar a ver navios (como quase rolou com quem tinha músicas em dispositivos com tecnologia PlayForSure – os caras voltaram atrás, mas o risco está lá).

Eu honestamente acredito que o bem maior de manter viável a indústria (cujas crises no mundo real rivalizam aquelas que repaginam os super-heróis de tempos em tempos) justifica o DRM neste caso, mas entendo os riscos (e sei que tem gente séria preocupada com a questão). Se o DRM for impensável para você, a solução pode estar em obter quadrinhos no formato .cbr, para o qual existem diversos programas de visualização. Eu experimentei o ComicZeal, que por US$ 7,99 permite transferir os arquivos .cbr e ler no dispositivo de forma muito semelhante ao que os outros programas fazem com seus formatos proprietários. Existe uma infinidade de quadrinhos neste formato, mas sejamos honestos: baixar quadrinhos sem recompensar o autor é pirataria. Se você tem o quadrinho original, até vá lá, mas a real é que quase todo mundo baixa material que não comprou, ou seja, o autor não vê um centavo. Eu não aprovo.

E até agora eu só falei de quadrinhos estrangeiros – mas isso é porque os nacionais têm pouca presença no setor. Me surpreendi ao encontrar o aplicativo Digibi, que se propõe a disponibilizar quadrinhos de autores que vão dos “tradicionais” Angeli, Laerte, Glauco e Fernando Gonsales até gente mais nova como o genial Raphael Salimena. Infelizmente não pude fazer uma avaliação mais profunda, pois o aplicativo não funcionou muito bem no meu iPad. Na real, ele nem foi pensado para o aparelho – é um aplicativo de iPhone/iPod Touch que roda em zoom. E me preocupa o fato de as tiras aparecerem sem qualquer menção a um modelo comercial viável – eu gosto de conteúdo grátis tanto quanto qualquer um, mas é preciso remunerar o autor, e se a app não levar isso em conta, pode ser prejudicial no longo prazo. Mas é esperar pra ver o que as novas versões podem oferecer.

Espero que este relato ajude quem estiver considerando um iPad para ler quadrinhos, ou quem já tem um a (re)descobrir os mesmos – como aconteceu comigo. É bom lembrar que o iPad não é o único tablet do mercado, e eu (que não sou exatamente da Igreja do Mac) acredito que qualquer aparelho com resolução e formato/peso comparáveis se saia igualmente bem, em particular se tiver um sistema operacional com suporte bom. O Android parece ser a alternativa mais razoável: o comiXology está disponível para ele, o IDW sai em breve e eu tenho certeza que não faltam bons leitores do formato cdr. Seja qual for a plataforma, tablets realmente são bons para ler quadrinhos – se vão substituir o papel por completo ou não já é outra história, mas, pela minha experiência, qualquer fanático pela nona arte deve considerar um aparelho destes no seu arsenal.

O Mundo Mágico de Escher

19 Jun 2011 | Comments

Foi preciso coragem para vencer o frio e a preguiça, mas eu e a Bani fomos ver O Mundo Mágico de Escher, a tão falada exposição da arte de M.C. Escher. Qualquer nerd de respeito (e até alguns humanos normais) conhece muitas das ilustrações apresentadas ali, mas é bacana ver essas obras em tamanho grande – isso sem falar na parte interativa e no filminho 3D.

Dois obstáculos ficam no caminho do visitante potencial. O primeiro é a popularidade da exposição: já tínhamos tentado uma vez, mas a fila dava a volta no quarteirão. Hoje ela “só” ia até a esquina, e resolvemos ter paciência e encarar. Mas o pior mesmo é que pra chegar no Centro Cultural Banco do Brasil foi preciso enfrentar o centro da cidade, que está bem abandonado. Fomos do Metrô São Bento pela Rua São Bento e voltamos pela 15 de Novembro até o Metrô Sé. Os dois caminhos foram uma desventura de cheiros ruins e ruas semi-desertas com abordagens desagradáveis. Ir pela Sé foi o menos desagradável, mas mesmo eu que sou “rato” do centro fiquei tenso.

Voltando à fila: ela continua dentro do CCBB, mas  pelo menos você pode ver algumas obras enquanto aguarda sua vez para entrar no salão de cada piso. Dica: a fila do lado de fora vai direto para a exposição, passando ao lado da bilheteria onde tem os ingressos para o filme, e se for um grupo pequeno, dá para uma pessoa pegar os ingressos enquanto a outra aguarda na fila. O nosso ingresso era para uma seção dali a 1h – que foi o tempo certinho de ver a exposição e, ao final dela, o filme de 8 minutos.

Algumas instalações são, na minha opinião, dispensáveis. Ex.: o periscópio e a tentativa de reconstruir uma sala de um quadro, com direito a gato empalhado. Mas a maioria é bacana, e mesmo que você não queira pegar a fila para ver a exposição, vale interagir com a Sala de Escher. Reproduzida do museu original, ela permite que duas pessoas se posicionem em cantos opostos, para que um terceiro possa observar/fotografar a ilusão resultante do desenho da mesma. Como não tínhamos o terceiro, eu tirei duas fotos da Bani, e ela tratou de juntar:

O Mundo Mágico de Escher

O filme tem apenas oito minutos, mas é bacaninha: ele “desmonta” algumas das construções populares, mostrando como o ângulo particular que Escher usa para desenhá-las é crucial para gerar a ilusão de ótica desejada. Os óculos 3D funcionaram bem para mim (exceto durante os créditos), tornando o filme uma ótima maneira de encerrar a exposição – lembrando que ela só vai até 17 de Julho,  e eu recomendo uma visita. De preferência durante a semana, quando o Mundo Tenebroso da Sé não está tão largado – o que é uma pena, mas eu não esperava nada diferente de uma gestão do PFL DEM mesmo…

WonderCon 2011

22 Apr 2011 | Comments

Um item importante da minha lista de coisas a fazer antes de morrer era participar de uma grande convenção gringa de quadrinhos. Meu alvo particular era a San Diego Comic-Con International (e ainda vou lá um dia), mas uma feliz coincidência me colocou em San Francisco justamente quando ocorria ali a WonderCon, uma “irmã mais nova” da Comic-Con que atualmente é organizada pelo mesmo grupo

O evento ia de sexta a domingo, mas entre os horários do vôo, os compromissos profissionais e a programação, optei pelo sábado. Quando passei em frente ao Moscone Center na sexta e vi a fila gigante, resolvi comprar o ingresso antecipadamente, e fiz isso no Jeffrey’s Toys, que merece um comentário à parte:

O Jeffrey’s é uma mistura de comic shop e loja de brinquedos, imperdível para quem curte jogos de tabuleiro mais sofisticados. Ali você encontra de tudo, e acabei saindo com Munchkin-Fu, Turn the Tide e Back to the Future, entre outros – além, claro, de comprar o ingresso para o envento. Teria dado para comprar pelo site (e foi preciso fazer o registro lá de qualquer forma), mas o lugar valeu a visita – e qualquer medida para evitar filas maiores ou o risco de ficar de fora era justificada.

WonderCon 2011O evento se dividia entre as salas onde aconteciam palestras/mesas-redondas, e um salão onde editoras, lojas e artistas vendiam de tudo: camisetas, brinquedos, jogos – e, claro, quadrinhos. Vi menos webcomics (dos que eu conhecia) do que esperava – o autor do SBMC estava lá, mas adiei muito a ida ao stand dele, e quando cheguei ele já tinha saído. Por outro lado, haviam muitas publicações independentes em papel. Algumas tinham os próprios artistas no stand, outras eram vendidas por editoras focadas em algum nicho específico.

Dessas, a que me chamou a atenção foi o da Prism Comics. É uma organização que promove quadrinhos LGBT – uma definição um pouco vaga: estão falando dos autores, dos leitores ou dos assuntos abordados? De qualquer forma, eles tinham um stand lá e também promoveram um painel sobre homossexualidade e os quadrinhos bastante interessante. Nele foi possível ver a diversidade no lado da produção: autores com todas as orientações (incluindo heterossexuais) fizeram um balanço bem-humorado de quanto o meio evoluiu, e do quanto precisa caminhar ainda.

Voltando à Prism: resolvi experimentar duas publicações – ambas reedições de coisas ligeiramente antigas, mas bastante representativas. Uma foi Tales of the Closet, que o próprio autor define como “uma versão gay de Archie“, mas me pareceu mais profundo e mais interessante (disclaimer: nunca fui muito fã de Archie). Texto e traço começam um pouco vacilantes, mas rapidamente pegam o jeito, revezando momentos leves com temas mais “pesados”. A outra foi Boy Trouble, uma coletânea de diversos autores bastante variada, mas no geral de boa qualidade.

WonderCon 2011Um evento inesperado foi conhecer pessoalmente o Lloyd Kaufman, co-fundador da Troma, o estúdio que produziu filmes alternativos com status cult como Toxic Avenger. Acabei levando o livro que ele escreveu junto com James Gunn (que eu lembro sempre pelo PG Porn): All I Need to Know about Filmmaking I Learned from the Toxic Avenger – estou louco para começar a ler este.

Outro lance bacana que eu conheci lá foi o Comic Book Legal Defense Fund – grosso modo, uma espécie de “EFF dos quadrinhos”. O stand vendia camisetas e gibis, cujos lucros revertem para a ONG, que protege os direitos de artistas, leitores, donos de comic-shops, bibliotecários e quaisquer pessoas envolvidas com quadrinhos, em particular no tocante à liberdade de expressão, orientando-os em boas práticas, dando apoio legal e até fazendo lobby contra leis que violem estes direitos. Veja detalhes em quadrinhos no micro ou no iPhone/iPad via comiXology (um outro lance que merece seu próprio post.)

O painel com Sergio Aragonés e Mark Evanier foi um dos shows mais diveritdos que eu já assisti. Os dois têm a dinâmica que leitores de Groo e das sátiras à Marvel, DC e Star Wars podem esperar – e o Aragonés é tão maluco quanto parece. Tópicos como o desenvolvimento do bigode do Aragonés, o tamanho da coleção de quadrinhos do Mark e outras tantas inutilidades levavam a platéia às gargalhadas. O próprio Sergio estava autografando pela manhã.

Wally (Waldo) @ WonderCon 2011Um fato a observar é que o evento tinha muito cosplay de qualidade (dá pra ver alguns nas fotos que eu tirei do evento). Dava uma certa invejinha de não ter ido fantasiado (apesar que eu devo dizer que a minha camiseta de Space Invaders da Threadless fez sucesso).

Algumas coisas eu não entendia (ex.: qual a graça de ficar numa fila gigante do lado de fora pra ganhar uma “credencial da S.H.I.E.L.D.“), mas cada louco, digo, fã com a sua mania, né? Qualquer que seja a sua, vale ir e deixar o lado nerd correr solto – mas deixe com um bom espaço reservado na mala para gibis, camisetas e badulaques de todos os tipos!

SMS-Denúncia

08 Mar 2011 | Comments

SMS-Denúncia

Se já é difícil usar o transporte público em condições normais, a situação piora quando tem gente fazendo coisa errada: vândalos, ladrões, vendedores ilegais – isso pra não falar nos malditos chatos com som alto. Por conta disso, a CPTM e o Metrô de São Paulo criaram o SMS-Denúncia: você manda um SMS identificando a ocorrência, o meliante e o local, e os funcionários tomam providências.

O problema é que até você mandar o SMS com todas as informações necessárias o infrator já foi embora. A Bani testemunhou isso acontecendo comigo e programou o SMS-Denúncia para Android – você responde a algumas perguntas com poucos toques na tela do aparelho, e o aplicativo compõe e envia o SMS.

Resolvi dar outro passo e programei o SMS-Denúncia para Java ME, isto é, para celulares que aceitam aplicativos Java (possivelmente a maioria dos aparelhos em atividade nos trens). Você pode instalar pelo navegador do celular – basta abrir o endereço http:/smsdenuncia, ou baixar no computador e transferir para o aparelho, usando este link para o arquivo .jar.

Os dois aplicativos são software livre (licença MIT), e o código-fonte está no github. Use com responsabilidade e ajude a fazer o Metrô e a CPTM melhores para todos os usuários!

Chester em Curitiba

01 Mar 2011 | Comments

Mais uma vez apelei para o velho truque de transformar o transtorno de voltar de uma viagem a trabalho numa sexta-feira em um passeio de final de semana de baixo custo. Os curitibanos se orgulham de morar em uma cidade que alia qualidade de vida a comodidades urbanas, e resolvi passar o sábado conferindo, aproveitando as dicas da Bani, que sempre tem um mapinha turístico no fundo do armário.

Jardim Botânico em Curitiba

Fiquei no Hotel Confiance, que oferece um ótimo custo/benefício, destacando a internet sem fio de qualidade e o café da manhã amigável a vegetarianos. Um despretensioso folheto no quarto listava os restaurantes próximos por tipo de culinária e dava dicas de como chegar em lugares-chave, tais como a parada do Aeroporto Executivo, um transporte rápido (~30min), confortável (ar condicionado, poltronas espaçosas) e barato (R$ 8) até o Afonso Pena. Excelente alternativa ao táxi.

A mesma parada (na Rua 24 Horas) permite pegar a Linha Turismo, que facilita o passeio. São ônibus de dois andares – sendo que o de cima fica aberto quando o tempo está bom – num trajeto que cobre cerca de vinte e cinco pontos turísticos. Por R$ 20 (pagos diretamente no ônibus) você tem direito a 4 reembarques – o que permite visitar até seis locais se você coordenar a chegada e a saída com locais próximos ao hotel e/ou aeroporto.

Comecei pelo o Jardim Botânico, que é um dos mais populares (há quem passe o dia todo relaxando lá) e segui para a Ópera de Arame. Esta é um teatro/casa de shows bonito, e um exemplo interessante de reaproveitamento de espaço (era uma pedreira ou algo assim), mas deve ser bem mais interessante com um show rolando.

O terceiro ponto foi o Bosque do Alemão. Nele, o desembarque é em local diferente do embarque, e isso tem um motivo: após passar pelo Oratório de Bach e pela Torre dos Filósofos (que não impressionam muito) você desce uma escada de madeira e vai parar em uma trilha. Trata-se de um passeio temático baseado na história de João e Maria, contada através de ilustrações sobre azulejos! No meio do caminho (e da história) aparece a Casa da Bruxa – uma biblioteca infantil na qual eu passaria umas horinhas facilmente. Alguns azulejos estão faltando, mas isso não tira o brilho do passeio.

Fechei o turismo com a Torre Panorâmica – uma torre de telefonia adaptada para oferecer uma vista de vários pontos da cidade, por apenas R$ 3. É uma pena que o elevador suporta apenas meia dúzia de pessoas por vez, gerando uma grande fila. Eles pegaram emprestado um truque da Disney: a primeira parte da fila (quando você compra o ingresso) é adornada por uma exposição de telecom que mostra mesas de operação e aparelhos antigos – se tivesse o mesmo na fila do elevador seria perfeito.

O chato é que o ônibus que teoricamente passa a cada meia hora atrasou um bocado na segunda e na quarta parada, inviabilizando a visita ao Museu Ferroviário e me fazendo perder o jantar e o vôo – ainda bem que tinha outro logo em seguida. Uma pena, já que este jantar teria sido muito facilitado pelas dicas do @anderson_santos (via @van_vegan) – em particular a lista de lugares vegetarianos em Curitiba feita pela @mayraccastro. Com ela estarei mais preparado na próxima, e agradeço a todos pela solidariedade via Twitter – indispensável para um vegetariano em terra de churrascarias.

Eu repetiria o passeio facilmente – são muitos pontos, e realmente só dá pra ver uma meia dúzia ao longo de um dia. Numa próxima eu incluiria o bairro Santa Felicidade (que tive a oportunidade de conhecer através do gentil convite de um colega de lá), os outros bosques e museus. É bastante coisa pra ver e fotografar, garantindo um final de semana bacana, sozinho ou acompanhado.

The Amazing Adventures of Puny Parker

26 Jan 2011 | Comments

Muito bacana esse The Amazing Adventures of Puny Parker, do Vitor Cafaggi. É um quadrinho fanfic absurdamente bem desenhado, colorido e finalizado que ilustra as hipotéticas aventuras de uma versão infantil daquele que se tornaria o Homem-Aranha. O resultado lembra um pouco Calvin e Haroldo, em termos de leveza e profundidade, mas tem sotaque próprio:

Pequeno Parker - clique para ver

(clique para ler)

Ah, ele faz todas as tiras em dois idiomas. Pessoalmente, gosto mais da versão em inglês:

Puny Parker - Clique para ler

(clique para ler)

Puny Parker - clique para ler

(clique para ler)

Puny Parker - clique para ler

(clique para ler)

Nem todas as tiras são coloridas, mas a arte é sempre excelente:

Puny Parker - clique para ler

(clique para ler)

Curiosamente, a própria Marvel já fez algo assim: algumas edições gringas de gibis do Homem-Aranha traziam Petey – The Adventures of Peter Parker Long Before He Became Spider-Man. Também é interessante (e eu me impressiono com o letreiramento fora do “esquema” Marvel), mas a verdade é que nem se compara ao trabalho do Cafaggi:

Petey

Navegar nos arquivos é meio trabalhoso, em particular nas tiras mais antigas, quando versões em inglês e português ficavam em posts separados. Mas vale a pena, e embora um dos filmes seja suficiente para ambientar o leitor, os fãs dos quadrinhos se divertem ainda mais com as referências mais sutis.