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O Dia da Boa Notícia

12 Sep 2011 | Comments

Página do iG em 2001 (clique para ampliar)Esta época sempre me lembra uma história trágicômica dos primeiros anos do iG. Quando ela aconteceu eu era programador na equipe que cuidava, entre outras coisas, do sistema de publicação do Último Segundo, jornal online no qual se deu o “causo”.

Uma experiência que se tornou recorrente no portal foi a criação de campanhas temáticas que, durante um período de tempo, customizavam a cara e o conteúdo de um ou mais sites. No embalo de um sucesso anterior (creio que ligado a animais de estimação, não lembro ao certo), surgiu a idéia de criar uma data comemorativa: o Dia da Boa Notícia.

O mote: a imprensa só publica assassinatos, guerras, aumentos de impostos e coisas assim, e um dia em que se lesse apenas boas notícias seria uma mudança de ares. Além disso, o Último Segundo contaria com matérias especiais, que falariam de ONGs ou qualquer outra coisa “do bem” e seriam marcadas no publicador para aparecer com um destaque BOA NOTÍCIA bem chamativo.

Vários jornalistas foram contra – uma notícia é uma notícia, e não achavam certo deixar de noticiá-la, ainda que por uma boa causa. Mas a determinação foi mantida, e preparamos o sistema para operacionalizá-la. O teste de fogo do plano veio na madrugada, com o assassinato de um político, mas a direção do portal foi firme e resolveu manter a diretriz, não veiculando a notícia. A crise da madrugada foi superada, e o plano parecia infalível.

A alegria durou pouco: logo pela manhã aconteceu outra notícia nada boa: um avião se chocava contra uma das torres do World Trade Center, em Nova York. Isso mesmo, era o dia 11 de Setembro de 2001! A CNN reduziu sua pagina a uma foto e uma manchete, e os portais (incluindo a gente) lutavam para atender à enxurrada de pessoas que procuravam notícias em tempo real.

Os editores estavam a mil por hora, e pediram o ligamento e desligamento do “modo boa notícia” tantas vezes que o sistema mal tinha tempo de atualizar os caches entre uma ação e outra. Eventualmente decretou-se o fim da data comemorativa e o assunto permaneceu como tabu durante um bom tempo, mas sua sombra nos manteve cautelosos. Afinal, sempre existe o risco de se escolher justo o dia em que quase começa a terceira guerra mundial para não dar más notícias…

DISCLAIMER: Este relato não pretende qualquer desrespeito àqueles que perderam entes queridos nesta tragédia, tampouco aos profissionais de jornalismo do iG, muitos dos quais me ensinaram bastante sobre o assunto, só aumentando o orgulho de ter feito parte da “família do cachorrinho”. É só uma história que eu não quis deixar passar em branco.

Palestra sobre Programação para Atari 2600 no Dev in Sampa 2011

28 Aug 2011 | Comments

O Dev in Sampa é um evento bacana, por conta do blend muito equilibrado entre aprendizado e networking. A edição deste ano foi, a meu ver, ainda melhor que a do ano passado – os organizadores (@tinogomes, @nuxlli e @lfcipriani) e o pessoal de apoio da Abril estão de parabéns. Gostei da decisão de reverter ao formato de trilha única de palestras, que limita a quantidade de vagas mas mantém o nível alto e ajuda a galera a se manter na mesma estação.

Das palestras que eu vi, destaco o @shiota despertando o lado designer dos programadores, o convite do @klauswuestefeld a repensar o compartilhamento de informações e o @qmx destrinchando a JVM. E dessa vez eu também palestrei, falando sobre Programação para Atari 2600:

Foi uma palestra bastante difícil de encaixar no tempo, porque a proposta era habilitar o público a compreender a totalidade de um programa “Hello, World!” para Atari, e para isso foi preciso mostrar os elementos básicos do chip de vídeo TIA (usando jogos clássicos para mostrar como eram aplicados) e também dar uma visão rápida do Assembly 6502/6507. Mas o pessoal curtiu, o que me deixou MUITO feliz. :-)

UPDATE: Saiu o vídeo da palestra – obrigado, @agaelebe pela edição! Confira abaixo:

Recomendo um passeio nos links do finalzinho (slide 138) para quem quiser se aprofundar mais no assunto (alguns já foram comentados neste blog, como o livro Racing the Beam), e creio que em breve os vídeos das palestras devem ser disponibilizados. Reitero os parabéns e agradecimentos à organização do evento, e espero ver esse povo todo lá no ano que vem!

Clean Code (Código Limpo), por Robert “Uncle Bob” Martin

14 Aug 2011 | Comments

Já observei que a maior parte dos programadores com algum tempo de estrada tende a se acomodar, acreditando que o que quer que fosse estado da arte (ou apenas popular) quando a pessoa era ultra-jovem é a verdade absoluta e inenarrável. Não sei se por preguiça, insegurança, ou cansaço, mas muita gente, depois de um tempo, se recusa a a aprender qualquer tecnologia, paradigma ou modo de trabalho novo, em muitos casos se afastando da programação porque já “aprendeu tudo”.

Robert C. Martin é tiozão, assim como eu. Talvez um tiquinho mais: ele até adotou o nick “Uncle Bob”, me fazendo pensar se eu não vou virar o “Tio Chester” logo, logo. Mas, também como eu, ele não é acomodado. Muito pelo contrário: entre seu tempo de consultor, desenvolvedor e autor, ele foi um dos criadores do Manifesto Ágil, e, mais recentemente, ajudou a consolidar o termo “Artesanato de Software” (Software Craftsmanship).

Artesanato, de fato, descreve o dia-a-dia da imensa maioria dos programadores profissionais de forma muito mais completa do que as metáforas tradicionais que giram em torno de engenharia ou administração, reaproximando o ofício das suas raízes na computação, mas levando em conta o aspecto de criação, qualidade e atenção ao ser humano que está na “outra ponta”. Uncle Bob postula com muita propriedade que a adoção de uma política de aprendizado constante e qualidade total é fundamental para um profissional digno do nome – em um bate-papo com o Fábio Akita ele compara o desenvolvimento de software com a medicina, ilustrando muito bem a questão.

O Clean Code é um guia sobre um aspecto fundamental da atividade: a criação de código limpo. Mesmo tendo bastante experiência e escrevendo código que eu julgava muito limpo e bem documentado, o livro me mostrou diversas maneiras de escrever código que seja mais fácil de ler e manter. O autor adverte: você pode não concordar com todas as sugestões dele, e provavelmente vai discordar de forma veemente de uma ou duas (no meu caso: deixe meus parâmetros booleanos em paz :-P). Mas o espírito é que conta.

Uncle BobEle vai a fundo em uma série de aspectos – quase todos são possivlemente pequenos detalhes, mas a atenção ao conjunto cria programas que dão orgulho para quem faz e alívio para quem mantém. Os exemplos todos são baseados em Java, mas compreensíveis para qualquer um que tenha conhecimentos básicos de orientação a objeto, e quase todos são aplicáveis a qualquer linguagem.

Comportamentos enraizados no Java (ex.: JavaDoc, encapsulamento via getters/setters) são analisados com a mente limpa, na tentativa de separar o mito da realidade no que diz respeito aos benefícios reais (e possíveis malefícios) de cada um deles. Eu certamente revi meus conceitos quanto à maneira de nomear e dividir os artefatos dentro do meu software, e recomendo o livro para qualquer um que leve a programação a sério, independente da experiência ou área de atuação.

Li a versão Kindle que, apesar de não usar formatação monoespaçada para o código, foi bem confortável de ler, até mesmo no iPod Touch (meu companheiro do ônibus/metrô). Existe uma versão nacional (“Código Limpo”), mas não sei quão boa é a tradução. Qualquer que seja o formato ou idioma, só não recomendo a leitura se para você programação é só um day job, ou se você acha que o seu jeito é o jeito certo, e todo o resto é modinha. Neste caso, eu torço muito para que a gente se encontre na rua ou na balada, mas jamais em um projeto de software.

Scrum roles in Pulp Fiction

23 Jul 2011 | Comments

Product Owner

He ensures that the Team delivers value to the business, always considering the stakeholders’ needs. Sometimes he gets screwed by people outside the project, but a good P.O. makes his name and can even turn enemies and traitors into allies.

The Team

Each one has their unique style, but they are all cross-functional, having the skills to do what needs to be done in order to deliver. The really great team members will strike down with furious anger those who would attempt to poison and destroy the quality of the work. But beware: cocky ones eventually get caught with their pants down and meet unfortunate ends.

Scrum Master

He facilitates Scrum by removing impediments. He solves problems. He knows the rules. Time and resources may look tight, but if you do what he says, when he says it, it should be plenty.

Stakeholders

People who enable the project and for whom it will produce the agreed-upon benefits. When they get too involved with members of the team, bad things happen to everyone.

My Retweeted Tweets

17 Jul 2011 | Comments

My Retweeted TweetsEu nunca me animei a colocar o widget do Twitter no blog porque meus tweets variam bastante, e nem todos são interessantes para um público mais amplo. Isso mudou quando ouvi, nos dois últimos minutos do Nerdcast 264, o Rafinha Bastos confessar que:

“Eu (…) deixo no meu twitter só as (…) tweetadas¹ que foram bem retweetadas”

O comentário pode parecer inócuo, mas ajuda a explicar como ele foi considerado tão influente pelo The New York Times – essa “limpeza” garante uma excelente proporção de retweets por tweet na timeline. E o filtro popular deixa quase tudo mais bacana – como qualquer leitor do Digg sabe. Mesmo sem a multidão de seguidores do Rafinha, é possível olhar a própria página de tweets que foram retweetados e conferir a diferença com relação ao “dia-a-dia”.

Infelizmente o widget do Twitter não permite colocar apenas os tweets retweetados. A API de busca também não ajuda, porque só vai até uns poucos dias no passado. O jeito foi colocar a mão na massa e criar o meu próprio widget. Usando o Google AppEngine, a API do Twitter (via Twitter4J) e um final de tarde, saiu o My Retweeted Tweets.

Basta autorizar o aplicativo e ele gera o código que você pode usar para deixar os tweets retweetados em evidência, como eu fiz na coluna lateral do blog (e na ilustração). O código-fonte, como de costume, é livre (Apache License) e está disponível para quem quiser. O aplicativo foi feito para uso próprio, então ainda pode ser bastante melhorado, mas está lá.

¹ Sim, tweetar e seus derivados forçam a amizade, como me lembrou a Bani. Mas é o que a tradução oficial do Twitter diz, então paciência…</p>

miniTruco Android

10 Jul 2011 | Comments

Clique para baixar o miniTruco AndroidA versão Android do miniTruco está pronta e disponível para download no Android Market. O software é gratuito, e, mais importante: o código-fonte é livre (GPLv3).

miniTruco Android (para leitores de QR Code)O jogo original para Java ME foi criado em 2005, e ainda hoje ultrapassa os 6000 downloads/mês. Publiquei uma versão Android bem instável no final de 2010, e nas últimas semanas dei uma polida nela. Isso só foi possível graças ao feedback através do Market, então continuem sugerindo, criticando e reportando por lá!

A única coisa do miniTruco original que ficou para o futuro foi o multiplayer. Ainda não sei qual tecnologia usar (deve ser Wi-Fi, Bluetooth só me deu dor-de-cabeça), nem o modelo comercial – será que vinga uma colaboração pela versão paga? Por ora vou dar atenção para outros projetos, mas uma hora eu retomo essa parte.

Créditos

**As imagens (logotipo, ícone, baralho, etc.) são de autoria da Bani. A contagem de tentos do truco mineiro (versão 1.1) foi implementada pelo Guilherme Caram. O jogo não seria possível sem os códigos de estratégia do Leonardo Sellani e do Sandro Gasparoto (que também criou o gTruco), além do código do Willian Gigliotti, que não veio para essa versão, mas foi a estratégia original que viabilizou todas as outras.

 

Michael Jackson: The Experience – Kinect (XBox 360)

28 Jun 2011 | Comments

O Dance Central foi o motivo pelo qual eu comprei o Kinect (e o XBox 360). É um jogo divertido, mas peca em pequenos aspectos – sem dúvida por conta do pioneirismo. Esses pecadilhos ficaram evidentes no último fim-de-semana, quando comprei o Michael Jackson: The Experience. O jogo vai na mesma linha do DC, mas (claro) com músicas do MJ, e uma interface muito mais bem acabada. Diferença notável: no Dance Central, os dançarinos virtuais ocupam toda a tela, mostrando sua silhueta como um detalhe num canto. Neste jogo, você (ou: sua versão translúcida e purpurinada) é o centro das atenções.

eu no Michael Jackson: The Experience (ou o que minha câmera pegou no timer)

O jogo abre com três opções. A primeira é a MJ School, um conjunto de vídeos onde dançarinos de carne e osso ensinam a dançar um variado conjunto de passos do Michael Jackson. Não é o treinamento do jogo, e sim uma vídeo-aula de dança, totalmente à parte. É bacana, mas o mais produtivo é ir direto à opção Solo, escolher uma música (Beat It é uma boa para começar) e, ali, quebrar o gelo no Practice, recorrendo aos vídeos para os passos mais complicados.

É importante frisar: o modo praticar é muito mais bem acabado que o do Dance Central. Ele permite escolher livremente qual parte treinar, repetir quantas vezes quiser e ir passando para a próxima, pular direto para qualquer outra, enfim, fazer como bem entender. Outro lance vantajoso é ver a si próprio, no mesmo tamanho do dançarino virtual. Parece bobagem, mas isso ajuda muito na identificação dos erros. Outro diferencial: ele ensaia dois ou três passos de uma vez só, o que intimida no começo, mas é mais parecido com o aprendizado real de dança.

Para o jogo em si, você tem a opção entre simplesmente dançar a música ou fazer a “performance”, isto é, dançar e cantar alternadamente. Esta última opção permite usar o microfone do Kinect, mas o melhor resultado é com um microfone dedicado, de preferência sem fio. Novamente a atenção aos detalhes é diferencial: os LEDs coloridos do microfone da Microsoft (normalmente usados apenas para saber se ele sincronizou corretamente com o videogame) passam a fazer parte do show. No geral eu uso muito mais o modo Dance que o Performance, mas cantar de vez em quando ajuda a recuperar o fôlego.

A maior desvantagem para os dançarinos amadores (como eu) é que os passos não têm um nome mnemônico como no Dance Central (embora vários dos vídeos da MJ School dêem nome aos bois). Mas isso (e a ênfase no seu avatar) faz com que você se desprenda dos cartões e olhe mais para os dançarinos na tela, seguindo a música com mais naturalidade. O sistema de “estapear” os menus do Dance Central também faz falta, já que o jogo usa o esquema mais comum do Kinect (coloque-a-mão-e-aguarde), mas não é nada terrível.

Quando o Dance Central 2 sair, vai ter uma vantagem matadora: a possibilidade de duas pessoas dançarem ao mesmo tempo. Mas até lá, o melhor caminho para se divertir com dança no Kinect é o moonwalk com o Rei do Pop!

Sony Xperia X10 Mini Pro + Android 2.3 (Gingerbread) – Sony = ♥♥♥

23 Jun 2011 | Comments

Estou vendendo meu X10 Mini Pro (com o update 2.3 instalado)
clique na lojinha e veja mais detalhes

Animação do boot do Froyo. Hit the road, Sony Ericsson!Este post falava originalmente de um upgrade para o Android 2.2 (que continua válido), mas já consegui atualizar o celular para o 2.3, daí a mudança no título. Pule para o final para obter os links para 2.3.

Demorou, mas finalmente rolou: um programador (slade87) juntou código dele com o MiniCM (baseada no CyanogenMod) e conseguiu gerar uma versão do Android 2.2 (conhecido como “Froyo”) que funciona no X10 Mini Pro. Um amigo me avisou da existência de um tutorial em português escrito pelo NightCrawler, e foi o que eu segui.

IMPORTANTE: O processo não é trivial, e, embora não seja ilegal, não é autorizado pelo fabricante. Uma falha PODE inutilizar o seu aparelho, “tijolando” ele de forma possivelmente irreversível e certamente não coberta pela garantia. Não faça se não estiver disposto a assumir o risco ou se não souber bem o que está fazendo. Nem eu, nem o slade87, nem o NightCrawler nem NINGUÉM será responsável por qualquer dano, mas apenas VOCÊ. Se estiver em dúvida ou não for a sua praia fazer essas coisas, NÃO FAÇA.

Aviso dado, estou muito feliz com o resultado. Este Android é “debranded”, isto é, não tem as customizações que a Sony Ericsson inclui com a versão que vem com o telefone – é o Android do jeito que foi pensado originalmente pelo Google, com alguns toques extras dos programadores que o customizaram. A Sony afirma que não haveria vantagem em ter o 2.2 (e diz o mesmo do 2.3), mas sinto informar que o celular ficou bem mais rápido e funcional. Se foi o upgrade para o Froyo ou a remoção do software da Sony que proporcionou a melhora, fica a critério de cada um (a minha opinião é que são as duas coisas, e que a Sony devia contratar esses hackers sem pestanejar).

O tutorial enfatiza (e eu reforço) a importância dos backups com o XRecovery, que pode ser carregado antes do sistema operacional e permite executar backups e upgrades do mesmo. O Titanium Backup é outra ferramenta que já justifica fazer root do celular, e também reitero o custo/benefício de comprar o Root Explorer, além de recomendar doações para os autores dos outros softwares.

É preciso ter uma máquina com Windows para executar o upgrade (tanto o SuperOneClick, usado para ganhar acesso root, quanto o atualizador da Sony – usado no passo de “debranding” – só rodam neste sistema operacional). Mas os updates futuros podem ser feitos direto no celular, através do XRecovery. Eu queimei umas duas ou três horinhas entre downloads, backups e atualizações.

No final tudo funcionou, com a exceção do layout do teclado (o “ç” e outras teclas diferentes do original americano) – mas isso dá pra resolver com outro software do slade87. Depois de rodar o programa no PC e reiniciar o celular, é preciso descobrir qual o método de entrada correto: entre numa caixa de texto qualquer, toque ela até vir o menu, escolha Input Method e vá testando as opções (Android Keyboard, Default Input, etc.), até achar uma que esteja acentuada (pra mim variou conforme o firmware instalado).

Dentre os “brindes” que o firmware customizado oferece estão opções como fazer reboot direto para o XRecovery/ClockworkMod, e um programa que habilita o uso do flash LED da câmera como lanterna! Mas o ponto alto é a agilidade: a lista de contatos e o envio de SMS eram incapazes de administrar a quantidade de contatos que eu tenho, e no novo sistema é tudo instantâneo e bem integrado – bem mais próximo da experiência do iOS. E é cedo pra falar, mas até a bateria parece que está segurando melhor. Aprovadíssimo!

UPDATE: O slade87 não está mais desenvolvendo esta ROM (aparentemente ele ficou cansado dos trolls nos fóruns, que esquecem que ele está doando seu tempo), mas experimentei o FroyoBread que parece funcionar bem também.

UPDATE 2 (GINGERBREAD): O FroyoBread não foi tão liso quanto eu esperava. Mas tem um build de Android 2.3 que parece estável o bastante, e instalei hoje. Dei wipe nos dados do usuário dentro do XRecovery, instalei o firmware e logo em seguida, sem reboot, o patch, arrumei o teclado e parece que funciona tudo agora. Ou seja, estou com Android 2.3 (Gingerbread) no X10 Mini Pro!!!!

UPDATE 3 (MiniCM): Pouco antes do final de 2011 saiu o MiniCM7, outro firmware para o X10 Mini Pro customizado a partir do CyanogenMod 7 (e, portanto, Android 2.3). Ele promete mais estabilidade e performance, e, como sempre, tem a receita de bolo para instalar no xda-developers. O catch: para ser instalada, ela exige a troca do kernel Linux por um customizado (o nAa), e a instalação deste, por sua vez, pede o unlock do bootloader (além do root do celular que as outras pediam). É uma operação com uma bela possibilidade de tijolar o celular – eu só fiz porque estava em um delírio de insônia. Vamos ver se melhora algo.

Quadrinhos no iPad

19 Jun 2011 | Comments

FoxTrot sobre iPad e Quadrinhos (c) Bill Amend http://www.foxtrot.comResisti bastante à idéia de comprar um tablet. A inevitável comparação com o netbook mostra duas coisas que fazem falta: um teclado de verdade (indispensável para quem produz conteúdo) e a liberdade para usar os softwares que eu quiser. Mas fui seduzido pela novidade e, principalmente, pelo tempo generoso de bateria (algo muito útil em eventos de TI) e comprei um iPad 2 na minha última viagem. Claro que uma das primeiras coisas que eu quis tentar com ele foi ler quadrinhos – a tela e a resolução pareciam ideais para o formato.

Uma pesquisa rápida mostra que o comiXology é a maneira mais eficiente de fazer isso. Mais do que um aplicativo (cujo nome na App Store, “Comics”, já demonstra o pioneirismo), ele é o canal oficial de publicação das principais editoras norte-americanas. Através do aplicativo você pode comprar quadrinhos da Marvel, DC e Image. A loja virtual tem muitos lançamentos simultâneos com as edições em papel (a DC em particular está apostando nisso) e outros tantos com algum atraso, mas o mais interessante é poder revisitar coleções antigas: eu me empolguei com Lanterna Verde e fui desde clássicos do Dennis O’Neil até a excelente releitura do Geoff Johns.

Existe material grátis, mas os gibis normalmente custam em torno de US$ 2 (debitados na mesma conta que você usa para comprar apps). Há muitas promoções, e vale a pena ficar de olho na newsletter dos caras – lançamento de filme, por exemplo, é sempre acompanhado por descontos generosos nos quadrinhos relacionados. Eles ficam vinculados à sua conta, podendo ser baixados novamente caso você troque de dispositivo (e até em mais de um deles), como acontece, por exemplo, com o Kindle da Amazon. Em termos de qualidade, o iPad permite ver bem uma página inteira em 99% das vezes, e quando isso não ocorre você pode dar zoom ou usar o Guided View, um sistema originalmente pensado para dispositivos menores que mostra os quadrinhos em zoom, na ordem em que você leria. É uma boa, por exemplo, em páginas duplas (é possível girar o aparelho, mas eu acho pouco prático e perde-se um tantinho de resolução).

O comiXology é a app/loja mais popular, mas está longe de ser a única. O Comics+, por exemplo, licencia alguns outros títulos da Image, tem coisas da Top Cow e também Archie Comics a preços atrativos. Um lance curioso nele foi ver alguns volumes de PvP, que surgiu como webcomic mas lançou várias edições em papel, e estas foram parar no Comics+. E a editora IDW produziu um aplicativo próprio, o IDW Comics, que não pode faltar no seu aparelho por oferecer clássicos como Tank Girl e Rocketeer, bem como uma série de quadrinhos licenciados de franquias como CSI, Castlevania, Ghostbusters e tantas outras – não li quase nenhum desses, mas é um material que seria difícil conseguir aqui, mesmo importando. Nos dois casos, a compra e o armazenamento funcionam da mesma forma: via loja da Apple, vinculando ao seu usuário.

Claro que todas essas plataformas têm um custo (além do monetário): o uso de DRM (Digital Rights Management). Este tipo de tecnologia tem por objetivo evitar a pirataria e garantir que os autores sejam remunerados – o que é razoável e desejável – além de algumas conveniências como poder apagar os quadrinhos já lidos e baixar em outros dispositivos. O problema é que você fica nas mãos do publisher: eles podem, a qualquer momento, apagar um quadrinho que teoricamente era seu (já aconteceu com livros no Kindle), e se eles encerrarem as atividades, ou se você migrar para uma plataforma não-suportada, vai ficar a ver navios (como quase rolou com quem tinha músicas em dispositivos com tecnologia PlayForSure – os caras voltaram atrás, mas o risco está lá).

Eu honestamente acredito que o bem maior de manter viável a indústria (cujas crises no mundo real rivalizam aquelas que repaginam os super-heróis de tempos em tempos) justifica o DRM neste caso, mas entendo os riscos (e sei que tem gente séria preocupada com a questão). Se o DRM for impensável para você, a solução pode estar em obter quadrinhos no formato .cbr, para o qual existem diversos programas de visualização. Eu experimentei o ComicZeal, que por US$ 7,99 permite transferir os arquivos .cbr e ler no dispositivo de forma muito semelhante ao que os outros programas fazem com seus formatos proprietários. Existe uma infinidade de quadrinhos neste formato, mas sejamos honestos: baixar quadrinhos sem recompensar o autor é pirataria. Se você tem o quadrinho original, até vá lá, mas a real é que quase todo mundo baixa material que não comprou, ou seja, o autor não vê um centavo. Eu não aprovo.

E até agora eu só falei de quadrinhos estrangeiros – mas isso é porque os nacionais têm pouca presença no setor. Me surpreendi ao encontrar o aplicativo Digibi, que se propõe a disponibilizar quadrinhos de autores que vão dos “tradicionais” Angeli, Laerte, Glauco e Fernando Gonsales até gente mais nova como o genial Raphael Salimena. Infelizmente não pude fazer uma avaliação mais profunda, pois o aplicativo não funcionou muito bem no meu iPad. Na real, ele nem foi pensado para o aparelho – é um aplicativo de iPhone/iPod Touch que roda em zoom. E me preocupa o fato de as tiras aparecerem sem qualquer menção a um modelo comercial viável – eu gosto de conteúdo grátis tanto quanto qualquer um, mas é preciso remunerar o autor, e se a app não levar isso em conta, pode ser prejudicial no longo prazo. Mas é esperar pra ver o que as novas versões podem oferecer.

Espero que este relato ajude quem estiver considerando um iPad para ler quadrinhos, ou quem já tem um a (re)descobrir os mesmos – como aconteceu comigo. É bom lembrar que o iPad não é o único tablet do mercado, e eu (que não sou exatamente da Igreja do Mac) acredito que qualquer aparelho com resolução e formato/peso comparáveis se saia igualmente bem, em particular se tiver um sistema operacional com suporte bom. O Android parece ser a alternativa mais razoável: o comiXology está disponível para ele, o IDW sai em breve e eu tenho certeza que não faltam bons leitores do formato cdr. Seja qual for a plataforma, tablets realmente são bons para ler quadrinhos – se vão substituir o papel por completo ou não já é outra história, mas, pela minha experiência, qualquer fanático pela nona arte deve considerar um aparelho destes no seu arsenal.

O Mundo Mágico de Escher

19 Jun 2011 | Comments

Foi preciso coragem para vencer o frio e a preguiça, mas eu e a Bani fomos ver O Mundo Mágico de Escher, a tão falada exposição da arte de M.C. Escher. Qualquer nerd de respeito (e até alguns humanos normais) conhece muitas das ilustrações apresentadas ali, mas é bacana ver essas obras em tamanho grande – isso sem falar na parte interativa e no filminho 3D.

Dois obstáculos ficam no caminho do visitante potencial. O primeiro é a popularidade da exposição: já tínhamos tentado uma vez, mas a fila dava a volta no quarteirão. Hoje ela “só” ia até a esquina, e resolvemos ter paciência e encarar. Mas o pior mesmo é que pra chegar no Centro Cultural Banco do Brasil foi preciso enfrentar o centro da cidade, que está bem abandonado. Fomos do Metrô São Bento pela Rua São Bento e voltamos pela 15 de Novembro até o Metrô Sé. Os dois caminhos foram uma desventura de cheiros ruins e ruas semi-desertas com abordagens desagradáveis. Ir pela Sé foi o menos desagradável, mas mesmo eu que sou “rato” do centro fiquei tenso.

Voltando à fila: ela continua dentro do CCBB, mas  pelo menos você pode ver algumas obras enquanto aguarda sua vez para entrar no salão de cada piso. Dica: a fila do lado de fora vai direto para a exposição, passando ao lado da bilheteria onde tem os ingressos para o filme, e se for um grupo pequeno, dá para uma pessoa pegar os ingressos enquanto a outra aguarda na fila. O nosso ingresso era para uma seção dali a 1h – que foi o tempo certinho de ver a exposição e, ao final dela, o filme de 8 minutos.

Algumas instalações são, na minha opinião, dispensáveis. Ex.: o periscópio e a tentativa de reconstruir uma sala de um quadro, com direito a gato empalhado. Mas a maioria é bacana, e mesmo que você não queira pegar a fila para ver a exposição, vale interagir com a Sala de Escher. Reproduzida do museu original, ela permite que duas pessoas se posicionem em cantos opostos, para que um terceiro possa observar/fotografar a ilusão resultante do desenho da mesma. Como não tínhamos o terceiro, eu tirei duas fotos da Bani, e ela tratou de juntar:

O Mundo Mágico de Escher

O filme tem apenas oito minutos, mas é bacaninha: ele “desmonta” algumas das construções populares, mostrando como o ângulo particular que Escher usa para desenhá-las é crucial para gerar a ilusão de ótica desejada. Os óculos 3D funcionaram bem para mim (exceto durante os créditos), tornando o filme uma ótima maneira de encerrar a exposição – lembrando que ela só vai até 17 de Julho,  e eu recomendo uma visita. De preferência durante a semana, quando o Mundo Tenebroso da Sé não está tão largado – o que é uma pena, mas eu não esperava nada diferente de uma gestão do PFL DEM mesmo…