Depois de ter curtido tanto as entrevistas com os fundadores das startups mais famosas no Founders At Work, eu esperava que o Coders at Work – fosse ser ainda mais bacana. Afinal, a lista de entrevistados é diversificada e impressionante: vai de gente mais “próxima” como os criadores do memcached, JavaScript e JSON até decanos como Fran Allen e Donald Knuth, cujos méritos acadêmicos e na indústria tornam desnecessárias quaisquer apresentações.
Super Munchkin
Eu até curto um jogo de cartas/tabuleiro mais elaborado, mas tenho alergia àqueles onde você queima horas aprendendo para só aí começar a jogar decentemente e se divertir. Felizmente o @btco me apresentou o Munchkin – jogo de cartas que, segundo o próprio fabricante, “captura a essência da experiência da aventura-em-masmorra, sem aquela parafernália de RPG” – o que seria uma afirmação à toa, se o fabricante em questão não fosse a própria Steve Jackson Games¹ – pioneira do gênero RPG nos EUA.
Esse tipo de humor auto-depreciativo mostra o diferencial do Munchkin: ao invés de vender a ilusão de que uma mecânica complexa demonstra algum tipo de superioridade intelectual dos participantes (como fazem tantos RPGs e jogos de carta/tabuleiro por aí), ele se baseia em um conjunto simples de regras. Os detalhes mais cabeludos ficam por conta de cada carta, facilitando muito o aprendizado e tornando-o divertido de imediato.
O jogo original deu origem a variantes temáticas – a que eu tenho, claro, é o Super Munchkin, na qual jogadores e monstros são, respectivamente, super-heróis e vilões. Assim como o original satiriza o gênero RPG medieval, esse não poupa os comics da ironia: a carta “erro de continuidade” anula tudo o que foi feito numa batalha (causando grande confusão), o nível do jogador sobe com cartas do tipo ”cueca pra fora da roupa”, e por aí vai.
Um pré-requisito é entender inglês – não apenas para interpretar as cartas, mas para apreciar o humor nerd em cada uma delas. A Devir lançou uma versão nacional do original, mas parece que esgotou e não se encontra mais em lugar nenhum. O melhor é importar (ou procurar um pouco por aqui) e encarar o idioma.
¹ Quem leu o livro-reportagem The Hacker Crackdown deve lembrar que o serviço secreto americano investigou de forma truculenta a empresa quando soube que um dos seus colaboradores (responsável pelo GURPS Cyberpunk) circulava no submundo hacker – pesquisa de campo é isso aí, o resto é resto.
Outliers (Fora de Série), por Malcolm Gladwell
Peguei Outliers para ler no ano passado, mas só agora deu tempo de escrever. Ele abre apontando uma relação estatística entre o horóscopo e as chances de sucesso de um jogador de hóquei – e o nome original¹ pode dar a entender que se trata de outro livro na linha do Freakonomics.
tilewriter – desenhando ladrilhos em JavaScript
Eu fiquei vidrado no layout de “ladrinhos” do logotipo do site do RHoK, que lembra os micros de 8 bits sem deixar de ser moderno, e pensei “taí, vou roubar me inspirar criar um trabalho artístico derivativo para o próximo update visual do meu blog”.
O chato é que não apenas sou um zero à esquerda em GIMP/PhotoShop, mas também queria algo que pesasse menos no carregamento. Solução: programar.
O canvas do HTML5 viria a calhar, mas o suporte dos browsers ainda está longe do ideal. Resolvi, então, criar uma biblioteca minimalista para fazer desenhos nesse estilo usando elementos de HTML.
Urban Fact (Fato Urbano) / RHoK #1 SP
O Random Hacks of Kindness (RHoK) reuniu programadores em vários locais do mundo simultaneamente ao longo do último fim-de-semana, com o objetivo de desenvolver ferramentas que possam ajudar a lidar com os desafios gerados pelo risco de desastres naturais.
O esforço foi patrocinado e liderado por gente do Google, Yahoo!, Microsoft, NASA e do Banco Mundial, e eu não só tive a oportunidade de participar da primeira edição de São Paulo, que aconteceu aqui na Fundação Getúlio Vargas (FGV), mas também tive a alegria de ter o projeto do meu grupo, o Urban Fact, premiado com o segundo lugar.
cruzalinhas
O site da SPTrans oferece várias informações sobre as linhas de ônibus, trem e metrô que operam na cidade de São Paulo. A navegação, entretanto, deixa um pouco a desejar – razão que leva as pessoas a alternativas como o Tô a Pé e o eficiente sistema de rotas do Google Maps.
Este último resolve bem a minha vida, mas às vezes tudo o que eu quero é saber quais ônibus passam por um determinado local. Ou ainda: quais, dentre eles, passam por um segundo local, e quais passam entre este e um terceiro, i.e., quais minhas opções para ir do ponto A ao ponto B, e dele ao ponto C, e por aí em diante.
Misturando essa demanda com um desejo de colocar as informações de itinerário do transporte público de São Paulo nas mãos da população, desenvolvi o cruzalinhas. A aplicação ainda precisa de muitas melhorias (eu diria que é “beta”, mas o que não é?) mas já permite responder às perguntas acima.
Como de costume, o código-fonte é livre (licença MIT), e esse post vai falar um pouco sobre o funcionamento do mesmo.
Minificação automática de JavaScript no Eclipse
Esse post mostra como configurar o Eclipse/Aptana para gerar uma versão compacta e unificada dos .js do seu projeto sempre que você salvar um deles – um lance que eu tentei explicar em 140 caracteres, mas não deu muito certo…
The 99
Os webcomics ainda são o melhor lugar para buscar inovação em quadrinhos, por conta da ausência de editores/intermediários e da disponibilidade. Mas de vez em quando os quadrinhos tradicionais revelam surpresas agradáveis como The 99 – ou The Ninety-Nine *para alguns, e *al-tisa’a wa tisaun para outros.
Entenda Lost
Em uma lista de e-mail o @lucasfontes resumiu bem (e me autorizou a publicar) tudo o que você precisa saber sobre essa série:
Primeira temporada: Assim.. um aviao caiu numa ilha…. e uh… essa ilha tem umas pessoas… e uh…. essas pessoas vao tentar atacar os caras do aviao. nota da producao: JURAMOS q as pessoas nao estao mortas, vcs vao adorar essa serie!
Segunda temporada: Uh… as pessoas da ilha sao malvadas e andam descalco.. eles tem um lider q nunca aparece nota da producao: a trama esta apenas comecando, teremos 15 temporadas, action figures e canecas de cafe
Terceira temporada: Uh…. agora as pessoas da ilha nao tem computador, internet e satelite….. e o lider na verdade nem existe.. eh tudo invencao.. Mataram o Santoro com apenas 2 falas em 3 temporadas… nota da producao: eles nao estao mortos…tudo sera explicado, no seu tempo.
Quarta temporada: Tem um cara q consegue sair e voltar da ilha… acho q precisamos trazer aquele lider de volta hein? nota da producao: precisamos comecar matar os personagens caros ( tipo o Michael ), CGI esta mais barato q filmar em Ibiza
Quinta temporada: Vamo leva todo mundo pra fora da ilha, dar um final feliz, e rezar pra NBC cancelar a gente pra nao precisarmos explicar a farofa q fizemos nas temporadas anteriores nota da producao: precisamos dar um tempo…. ( entre quinta e sexta, teve quase 1 ano de espera )
Sexta temporada: Fodeu galere… vamos ter q explicar tudo! O lider existe, vamo mata ele, colocar um outro malvadao na historia. E agora a grande sacada do show……. eles estao mortos. nota da producao: se o final nao colar, a gente ainda consegue fazer um dvd com uns extras e tal….. AH, e ainda temos algumas daquelas canecas pra vender!
A Arte de Entrevistar Bem (Thaís Oyama)
Pode parecer estranho, mas algumas das minhas leituras mais agradáveis (e reveladoras) foram não-ficção fora da minha “zona de conforto” profissional e pessoal. É o caso de A Arte de Entrevistar Bem, um livro que busca orientar estudantes e profissionais nessa complicada tarefa de transformar conversas em jornalismo.
A autora já demonstra sua tarimba ao tornar o texto objetivo o bastante a ponto de não-jornalistas (como eu) acompanhem com facilidade. Para quem já foi entrevistado algumas vezes, vários momentos que me soavam como dissimulação e até ignorância revelaram-se, após a leitura do livro, técnicas sutis e apuradas para obter um material maior e melhor, muitas vezes até contra a vontade do entrevistado.
E ainda que nada disso interesse ao leitor (duvido), só os “causos” relatados por grandes nomes oriundos de veículos como CBN, Veja, O Globo e The New York Times divertem bastante. Se você quer dar um “break” nas leituras da sua área, dê uma folheada e considere. Para jornalistas eu realmente não sei se é bom ou não – mas é parte do ofício deles apurar, né?
