chester's blog

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Mangá para leigos

18 Feb 2004 | Comments

'A Grande Onda de Kanagawa, por Katsushita Hokusai. Ilustração do início do século XIX.O iG Ler publicou um guia sobre mangá que eu escrevi, voltado a pessoas que não conhecem nada de HQ japonesa. Para que a coisa não virasse um livro, algumas generalizações tiveram que ser feitas (e até agora as pessoas me cobram por não ter falado deste ou daquele mangá). É a vida.

Não é o primeiro artigo que escrevo para o portal iG, mas é um dos que eu mais gostei (tanto de fazer quanto do resultado final). Acho que empatou com o que fala sobre programação no Atari, meu favorito até então. Tem também um glossário sobre o tema.

Golpe do ICQ

18 Feb 2004 | Comments

Depois de um dia difícil, ainda aparece isso no meu e-mail:

*********************************
Tenha um ICQ de apenas 6 digitos!
*********************************
Para você ou sua empresa.

Com isso ficará mais fácil de seus clientes ou amigos entrarem em contato com você.Finalize mais negócios em sua empresa!Por que comprar um ICQ se posso conseguir de graça? Os ICQ de 6 dígitos, foram os primeiros números de ICQ disponíveis, os números começaram apartir de 6 dígitos. Por serem pequenos, eles são mais fáceis degravar, não recebem SPAM e também poucas pessoas o possuem. EX: 303132

APENAS R$ 10,00 Mais informações, acesse:

http://www.vendoicq.com <<<

</pre>

No site tem um FAQ, onde eles “explicam” a mágica:

“Esses ICQs são Hackeados? Não, esses ICQs não são hackeados. Agente simplesmente reativa os ICQs inativos, por já existirem a 7 anos.”

Eu queria saber como “agente” faz para que um ICQ fique inativo. Nem a Mirabilis sabe, pode procurar. Até se você quiser desativar manualmente não dá, mesmo porque eles não ganhariam nada deflacionando as contagens de usuários.

Mais ainda: mesmo que a história fosse fosse verdade, o Termo de Uso do ICQ proibe terminantemente esse tipo de coisa:

“You shall not transfer, assign, delegate, sublicense nor pledge in any manner whatsoever, any of your rights or obligations under this Agreement. For example, and without any limitation, you shall not transfer, assign, sell or offer for sale ICQ numbers, nor purchase or receive such ICQ numbers from any third party”.

Não caia nessa furada - até porque isso certamente incentiva eles a hackear mais números ainda.

Código-fonte do windows

16 Feb 2004 | Comments

Código-FontePor esses dias, parte do código-fonte do Windows NT/2000 vazou para a Internet.O que mais se discute é se isso pode viabilizar ataques baseados em vulnerabilidades até então desconhecidas no sistema. Já acharam uma no Internet Explorer 5 (que vem com o Windows 2000), mas esse browser é cheio delas: até eu, um mero mortal, descobri como derrubar o IE5 usando apenas HTML.

Tem bastante coisa na rede cobrindo o assunto, mas eu começaria pelo excelente artigo do Kuro5hin, que foca mais nos comentários deixados pelos programadores ao longo do código do que no próprio. Parece que o pessoal de Redmond andou enrolando e fumando o Code Complete: é um comentário mais engraçado que o outro.

Como a “esquerda Slashdot” da informática tende a só enxergar os deméritos no outro lado da cerca, acho relevante destacar os seguintes pontos (não costumo fazer isso porque a reação natural é atacar a fonte, mas o Kuro5hin é respeitado tanto pelos desenvolvedores sérios quanto pelos wannabees):

*“Despite the above, the quality of the code is generally excellent. Modules are small, and procedures generally fit on a single screen. The commenting is very detailed about intentions, but doesn’t fall into ‘add one to i’ redundancy. “

“The security risks from this code appear to be low. Microsoft do appear to be checking for buffer overruns in the obvious places. The amount of networking code here is small enough for Microsoft to easily check for any vulnerabilities that might be revealed: it’s the big applications that pose more of a risk. This code is also nearly four years old: any obvious problems should be patched by now.”*

Aliás, eu tenho brincado esses dias, dizendo que, de um jeito ou de outro, caiu por terra a única vantagem que o Linux tinha sobre os Windows da família NT, que era a revisão feita por milhares de olhos no mundo todo… :-)

Tk-85

15 Feb 2004 | Comments

Enquanto não conseguia inicializar o Mac512, coloquei pra funcionar o meu TK85. Tá faltando um gravador cassete, mas dá pra usar o PC para esta função, e queimar umas horas no Monstro das Trevas. Ah, férias da faculdade…

Hai-kais e outros livrinhos

10 Feb 2004 | Comments

Livro 'Hai-Kais', do MillôrAchei este Hai-Kais, do Millôr Fernandes, em um sebo. Ele abre explicando o uso da grafia “Hai-Kai” no lugar de “Haiku” (que é o nome original dos tradicionais versos japoneses de três linhas). Infelizmente, o buraco é mais embaixo.

Eu não sou extremamente fã de poesia em geral ou de Haiku em particular (coisas de vilaemense rústico), inclusive questionando até que ponto dá pra escrever Haiku sem ser em japonês. Mas esse eu levei ao reparar que cada Haiku acompanha uma ilustração nada trivial.

Algumas são do próprio Millor, mas os outros ilustradores incluem Gustave Doré (ilustrador do século 19, famoso por suas ilustrações para A Divina Comédia), além de gênios dos quadrinhos como Milo Manara, Guido Crepax e Hugo Pratt. Isso tudo num livro de bolso!

Não arrisco os outros, mas os do Manara são visivelmente decalcados de histórias dele. Será que o Millor falou com toda essa gente? É possível, o cara é influente e tudo o mais… mas que cheira a pirataria de leve, isso cheira.

Livro 'Numa Fria', de Charles BukowskiLivro 'A Arte da Guerra' de Sun-TzuNessa linha de livrinhos, também li o tal A Arte da Guerra, de Sun Tzu. É divertido, mas tem que ter muita imaginação para ver uma utilidade prática – a não ser, claro, se você for um general de exército medieval. Isto não impede a proliferação de livros na linha “A Arte da Guerra de Sun-Tzu nos negócios”, “A Arte da Guerra de Sun-Tzu para mulheres”, “A Arte da Guerra de Sun-Tzu para aumentar seu pênis” e similares. Lamentável.

Pelo menos agora estou me divertindo com Numa Fria, uma coletânea de contos de Bukowski. Muitas vezes ele apela para um certo “realismo gratuito”, mas quando você entra no clima, a maior parte dos contos é divertida.

Dakimakura – almofadas de abraçar (e sabe mais o que)

10 Feb 2004 | Comments

Apesar de o XBox não ter sido muito bem sucedido no Japão, a família “Dead or Alive” (jogos estrelados por garotas em biquinis apertados) vendeu bem nesta plataforma. E a Microsoft aproveitou para capitalizar, anunciando um console customizado para os fãs da série.

O que chamou a atenção do Wired News (nesta matéria) é que o pacote inclui uma dakimakura, i.e., uma almofada do tamanho de uma pessoa, personalizada com as figuras dos games.Eu fiquei abismado com a popularidade destas “almofadas de abraçar” na terra do sol.

A matéria sugere uma busca no Google Images, mas na parte de imagens do AltaVista o resultado também é abrangente. As figuras vão desde um inocente Snoopy até garotas nuas, que incentivam “abraços” mais calorosos…

Não amo muito tudo isso

05 Feb 2004 | Comments

Uma menina puxando a trança e fazendo cara de panaca, vestindo logotipos da cidadeQue os 450 anos de São Paulo iriam gerar barulho na mídia tudo bem, era previsível. E peças publicitárias de qualidade duvidosa seriam inevitáveis. Mas a pior parte do meu dia tem sido descer a Marginal Pinheiros e ver os outdoors “Amo Muito Sampa“, uma versão local daquela campanha mundial do McDonalds que todo mundo já conhece.

Caramba, eu só não fico constrangido de ser paulista porque é preciso ser muito alienado para achar que os jovens daqui (ou, na média, de qualquer lugar do país) são babões do jeito que aparecem nos cartazes. Não fossem os clipes dirigidos pelo Marcelo Tas, eu acreditaria em conspiração difamatória por parte de algum outro estado.

Unitron Mac 512

03 Feb 2004 | Comments

Para o desespero da patroa, consegui outro micro antigo, mas dessa vez é uma raridade mesmo. Trata-se de um Unitron Mac 512, o único clone do Macintosh “clássico”, made in Brazil.

O micro deu o maior bafafá com a Apple na época, e, no final, mal chegou a ser comercializado. Como de costume, já coloquei algumas fotos.

E-mails desnecessários

03 Feb 2004 | Comments

Pra não ficar só nos quadrinhos (um efeito colateral das férias de faculdade): será que os autores de antivírus corporativos e/ou administradores de redes que os instalam ainda não perceberam que nenhum vírus de e-mail que se preze usa um remetente verdadeiro ao se propagar?

O vírus MyDoom não me deu, nem de longe, o trabalho que deram os e-mails do tipo “Atenção, você enviou um e-mail com um vírus para fulano@empresa”, gerados automaticamente por tais programas.Será que não percebem que estes “avisos” só aumentam o pânico, o tráfego, e, principalmente, o trabalho de quem tem que apagá-los?

Tudo o que eu sei é que toda vez que eu recebo um destes (particularmente quando recebo centenas, como nos últimos dias), eu só presto atenção no domínio do destinatário do meu suposto e-mail, e isso nunca me ajuda a pensar coisas positivas sobre o administrador de redes do lugar…

Scott mccloud

01 Feb 2004 | Comments

My Obsession With Chess, Scott McCloudEu só tinha ouvido falar do livro dele (Understanding Comics), mas quando li o Derek Kirk Kim falando bem, fui dar uma olhada nos quadrinhos online de Scott McCloud.

E que quadrinhos! Fui fisgado por My Obsession With Chess – normalmente não sou muito fã de “formatos alternativos interligados com a história” (isso leva a aberrações como o malfadado Digital Justice), mas aqui a coisa deu um casamento perfeito.

Outra bem bacana (e também com leitura exótica) é a quilométrica Hearts And Minds, cujo protagonista é, como diz o autor, um herói dos anos 80. Correndo o risco de exagerar, eu diria que é uma daquelas histórias estilo Watchmen, i.e., tão competentes que devolvem o ânimo até a um descrente no gênero como eu.

cena de The Right Number, de Scott McCloudO site não acaba nunca. Para fechar, não posso deixar de citar a parte (merecidamente) paga. The Right Number é apresentada em três partes, embora a terceira ainda não tenha sido lançada. O formato, pra variar, não é tradicional: um flash onde cada quadrinho está “dentro” do outro, e você vai clicando para ampliar a próxima cena. Torci o nariz no primeiro quadrinho, depois do quinto já estava completamente imerso.

O preço? Míseros 25 centavos de dólar por episódio. A era dos micropagamentos está finalmente saindo do papel, graças ao BitPass: um sistema no qual você compra “cartões pré-pagos” de US$ 3 ou mais, e gasta qualquer fração deles nos sites associados. Melhor ainda: dá pra comprar os cartões virtuais com o PayPal, de forma que nem o BitPass, nem o vendedor ficam sabendo o número do seu cartão. Grana bem gasta, recomendo integralmente.