Já observei que a maior parte dos programadores com algum tempo de estrada tende a se acomodar, acreditando que o que quer que fosse estado da arte (ou apenas popular) quando a pessoa era ultra-jovem é a verdade absoluta e inenarrável. Não sei se por preguiça, insegurança, ou cansaço, mas muita gente, depois de um tempo, se recusa a a aprender qualquer tecnologia, paradigma ou modo de trabalho novo, em muitos casos se afastando da programação porque já “aprendeu tudo”.
Books
Clean Code (Código Limpo), por Robert “Uncle Bob” Martin
O Mundo Mágico de Escher
Foi preciso coragem para vencer o frio e a preguiça, mas eu e a Bani fomos ver O Mundo Mágico de Escher, a tão falada exposição da arte de M.C. Escher. Qualquer nerd de respeito (e até alguns humanos normais) conhece muitas das ilustrações apresentadas ali, mas é bacana ver essas obras em tamanho grande – isso sem falar na parte interativa e no filminho 3D.
Revolution in the Valley: The Insanely Great Story of How the Mac Was Made
Antes de se tornar objeto da admiração de uns e desinteresse/suspeita de outros, a Apple passou por três fases bem definidas: a “era de ouro” em que o Apple II e o Macintosh original foram criados; a queda em parafuso rumo à irrelevância; e a volta por cima. O papel evidente de Steve Jobs nas fases virtuosas alavanca o culto em torno de sua pessoa a um ponto que fica difícil separar a verdade do mito, valorizando qualquer testemunho de quem esteve mais próximo.
Revolution in the Valley: The Insanely Great Story of How the Mac Was Made é um livro que reúne dúzias de histórias sobre o fim da primeira fase, isto é, sobre a criação do Macintosh. Boa parte delas veio do site Folklore.org: Macintosh Stories, organizado pelo autor – ninguém menos que Andy Hertzfeld, que escreveu boa parte do sistema operacional original do Mac.
Racing the Beam: Um raio-x do Atari 2600
Um aviso: não tenho como ser muito imparcial com este livro. Pra começo de conversa, jogos como Enduro, Pitfall, Adventure e Raiders of The Lost Ark são parte integrante das minhas memórias de infância. Eu associo o nome Atari ao universo dos videogames tanto quanto gerações mais recentes o fazem com Nintendo, Sega ou Sony. E um dos grandes “to-do”s da minha vida é concluir o desenvolvimento de algum jogo para essa plataforma. Já flertei com esta proeza no passado, o que resultou em uma pequena animação interativa (perdida no tempo) e em um artigo publicado há quase DEZ anos atrás no site Fliperama – cortesia do Internet Archive Wayback Machine.
Scroogenomics: A Economia dos Presentes
Um livro cujo título junta Economics (economia) e Scrooge (personagem avarento do conto de Dickens, que também foi homenageado por Carl Barks ao nomear o Tio Patinhas – Uncle Scrooge no original), pode parecer mal-intencionado. Mas não é: o objetivo de Scroogenomics é mostrar que a compra desenfreada de presentes no natal não é exatamente a oitava maravilha para a economia nacional ou global – ao contrário do que o senso comum (compras ⇒ aquecimento econômico) possa sugerir.
Numbers Rule Your World
Seria um exagero dizer que todo mundo curte um bom livro sobre matemática. Mas não dá para ignorar a popularidade dos que tentam jogar fora a interpretação natural dos números em favor de uma nova ordem que possa emergir do caos aparente. Exemplos incluem o Freakonomics, com a sua investigação baseada em números; o Outliers, que olha para as pessoas e coisas que se destacam; o Free; o The Long Tail e toda uma série de livros cujo tema é a “matemática fora da caixa”.
Nas Redes do Sexo – Os bastidores do pornô brasileiro
Nas Redes do Sexo foi mais um daqueles livros “fora da caixa” inseridos entre uma e outra leitura mais próxima do meu cotidiano – uma tática de expansão de horizontes que raramente me decepciona.
JavaScript: The Good Parts (O Melhor do JavaScript)
Não ia escrever sobre esse livro, simplesmente porque não teria muito a acrescentar, mas o Lucas me convenceu de que valeria a pena nem que fosse só pra convocar as pessoas a ler. Se você programa em JavaScript (mais ainda: se não programa ou não gosta dela por ter tido experiências ruins), preste atenção:
Coders At Work (Peter Seibel)
Depois de ter curtido tanto as entrevistas com os fundadores das startups mais famosas no Founders At Work, eu esperava que o Coders at Work – fosse ser ainda mais bacana. Afinal, a lista de entrevistados é diversificada e impressionante: vai de gente mais “próxima” como os criadores do memcached, JavaScript e JSON até decanos como Fran Allen e Donald Knuth, cujos méritos acadêmicos e na indústria tornam desnecessárias quaisquer apresentações.
Outliers (Fora de Série), por Malcolm Gladwell
Peguei Outliers para ler no ano passado, mas só agora deu tempo de escrever. Ele abre apontando uma relação estatística entre o horóscopo e as chances de sucesso de um jogador de hóquei – e o nome original¹ pode dar a entender que se trata de outro livro na linha do Freakonomics.
A Arte de Entrevistar Bem (Thaís Oyama)
Pode parecer estranho, mas algumas das minhas leituras mais agradáveis (e reveladoras) foram não-ficção fora da minha “zona de conforto” profissional e pessoal. É o caso de A Arte de Entrevistar Bem, um livro que busca orientar estudantes e profissionais nessa complicada tarefa de transformar conversas em jornalismo.
A autora já demonstra sua tarimba ao tornar o texto objetivo o bastante a ponto de não-jornalistas (como eu) acompanhem com facilidade. Para quem já foi entrevistado algumas vezes, vários momentos que me soavam como dissimulação e até ignorância revelaram-se, após a leitura do livro, técnicas sutis e apuradas para obter um material maior e melhor, muitas vezes até contra a vontade do entrevistado.
E ainda que nada disso interesse ao leitor (duvido), só os “causos” relatados por grandes nomes oriundos de veículos como CBN, Veja, O Globo e The New York Times divertem bastante. Se você quer dar um “break” nas leituras da sua área, dê uma folheada e considere. Para jornalistas eu realmente não sei se é bom ou não – mas é parte do ofício deles apurar, né?
Meninas Iranianas (A Beginner’s Guide to Acting English / Persépolis)
Por Um Fio
Siddharta, por Herman Hesse
O Universo em Um Átomo – O Encontro da Ciência com a Espiritualidade
Budismo Essencial – A Arte de Viver o Dia-a-Dia
Some Of My Best Friends Are White
Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas
Os Vagabundos Iluminados (The Dharma Bums)
The Starfish and the Spider / Founders at Work
Stumbling on Happiness (O Que Nos Faz Felizes), de Daniel Gilbert
Little Brother / Free Culture
Liberal Libertário Libertino – Crônicas
Getting Real
Freakonomics: O lado oculto (e, muitas vezes, bizarro) da socioeconomia
Linguagens de Programação Comparadas
O Marketing depois de amanhã
Deuses Americanos
A “civilidade” feminina em 1920
Por Que Almocei Meu Pai
Como mover o Monte Fuji?
Porque todo mundo tem um coração envenenado
Coração Envenenado† é uma autobiografia (relativamente antiga, da metade dos anos 90) de Dee Dee Ramone, fundador, baixista e autor de boa parte das músicas dos Ramones (ele escreveu bastante material, mesmo depois de deixar o grupo). O livro (que eu sugiro comprar no site, na loja é mais caro) vai da infância do autor até a fase em que ele se livra da heroína – que não durou muito, já que a droga o levou à morte em 2002.
Fãs da banda (como eu) irão encontrar uma relação íntima entre a vida “largada” dos membros da banda e as suas letras, e também conhecerão um ponto de vista bastante contundente acerca das mudanças de formação. Quem não é chegado em rock pesado de três acordes pode se frustrar, pois sem esta referência o livro está mais para uma edição light de Eu, Christiane F.†.
Transpiauí: uma peregrinação proctológica
Sem maiores delongas: li o Transpiauí: uma peregrinação proctológica, do semi-famoso MrManson (uma das mentes criminosas por trás do Cocadaboa). Demorei porque tentei achar nas livrarias online tradicionais, sem sucesso. No entanto, a loja online do Cocadaboa funcionou bem, e entregou rápido.
Os textos do MrManson no site sempre abordam o lado tosco de qualquer assunto que seja. Só assim para tornar interessante um livro sobre uma viagem ao meio do nada, na qual o autor nada fez. Não muda a vida de ninguém (e nem promete isso), mas garante umas boas risadas.
O vendedor de histórias
Já tinha lido dois livros do autor (Jostein Gaarder): o famoso O Mundo de Sofia (que é um misto de romance e curso básico de história da filosofia), e o menos badalado, mas talvez mais interessante O Dia do Curinga. Este último era meu favorito pessoal, até que resolvi experimentar O Vendedor de Histórias – talvez o melhor livro que li este ano.
O narrador e personagem principal é uma pessoa extremamente imaginativa, capaz de criar e recordar histórias com a mesma intensidade e riqueza de detalhes que encontra nas memórias de fatos reais. Após algum tempo contando sua infância e adolescência, ele mostra a maneira pouco ortodoxa na qual aplicou tal dom para ganhar a vida, e as conseqüências disto.
Esta trama permite que várias outras histórias curtas sejam inclusas no meio da história principal. Algumas delas, claro, possuem ligação com a história principal, mas, independente disso, algumas delas já são geniais independente do conjunto, e justificariam o livro sozinhas.
O final, embora interessante, não empolgou como os finais das histórias mais curtas – o que não tira o mérito do livro. Não recomendo ler as sinopses – é muito mais divertido descobrir tudo à medida que vai acontecendo (isso devia ser com qualquer livro, mas parece que com esse os sites de venda insistem em querer revelar mais do que deveriam).
Ensaio Sobre a Cegueira (e uma espetada no Alan Moore)
Já que confesso os filmes que assisto tardiamente, aproveito para mencionar Ensaio Sobre a Cegueira, que só li agora.Sem grandes pretensões, este relato de uma cidade na qual vários habitantes são acometidos de uma cegueira misteriosa é interessante e justifica a leitura.
O autor é criticado por seu estilo que substitui os diálogos por longos parágrafos onde o narrador assume o “tom” de quem está falando.Não tive problemas com isso – ou, ao menos, não foram nada comparados aos que eu tive com o chatérrimo Voz do Fogo, que usa um artifício semelhante para tentar colocar o leitor dentro da cabeça de um homem das cavernas mentalmente debilitado. Este livro me levou a dois sacrilégios: falar mal do autor (Alan Moore) e parar de ler um livro antes do final.
Asperger, a vida, o universo e tudo mais
Nunca me decepcionei com as resenhas de livros do Joel Spolsky. Mas o assunto costuma ser o processo de desenvolvimento de software, o que me deixou supreso ao ler seu comentário a respeito de O Estranho Caso do Cachorro Morto (bem, talvez nem tão surpreso assim, já que ele é o único outro desenvolvedor que eu conheço que cita Gilmore Girls do nada).
Hai-kais e outros livrinhos
Achei este Hai-Kais, do Millôr Fernandes, em um sebo. Ele abre explicando o uso da grafia “Hai-Kai” no lugar de “Haiku” (que é o nome original dos tradicionais versos japoneses de três linhas). Infelizmente, o buraco é mais embaixo.
Inclusão digital e a origem do linux
<img src=”img/blig/softlivre.jpg”align=”right” border=”2” alt=”Software Livre e Inclusão Digital”>Uma das grandes virtudes da comunidade do software livre é seu primor pela excelência técnica. Infelizmente, este é o catalisador do que é possívelmente seu maior vício: a disposição que este pessoal tem para dizer bobagens sobre assuntos que pouco entendem – desde o software do concorrente até ética e geopolítica.
Kanji Pictográfico
Quase comprei a versão original de Kanji Pictográfico, mas um amigo mencionou ter ganho a edição em português, e, de fato, achei em uma banca de rodoviária! Como a capa sugere, o livro tenta explicar cerca de 1000 kanjis (caracteres japoneses herdados da China) através da associação com figuras.
Muitos kanjis são, de fato, pictográficos, e para estes o livro é excelente. Entretanto, ele usa o mesmo artifício com os não-pictográficos – ou ainda, com aqueles cuja imagem de origem pouco se relaciona com o significado. Nestes, o resultado varia: vai de algumas pérolas de criatividade até as mais indigestas forçadas.
Para quem está estudando, todo santo ajuda – e o preço está abaixo de muitos livros “didáticos” que não chegam aos pés deste. Como curiosidade eu fico dividido – acho que eu daria de presente para alguém, mas não sei se compraria um pra mim.
Dose dupla de michael moore
Foi quase coincidência, mas no mesmo dia em que eu terminei de ler Stupid White Men – Uma Nacão de Idiotas, eu aproveitei para pegar a última apresentação nos cinemas de São Paulo do documentário Tiros em Columbine, escrito e dirigido pelo mesmo autor do livro.
The Happy Mutant Handbook
Uma coisa leva à outra: ao ler The Hacker Files (HQ sobre Internet muito à frente de sua época, mas eu falo dela outro dia) tomei conhecimento do fanzine bOING bOING (hoje um “diretório de coisas fantásticas“). O zine era ótimo, mas difícil de conseguir por aqui. Em 1995 os autores publicaram o livro The Happy Mutant Handbook: Mischievous Fun For Higher Primates, e em 1998 eu perdi o medo do e-commerce e comprei na Amazon.
Livros da FUVEST
Quem já prestou FUVEST sabe do grande dilema do vestibulando. Não, não é qual carreira escolher, e sim decidir se deve ou não ler as “obras recomendadas”. Por um lado, há a possibilidade de recorrer aos resumos e investir o tempo economizado em outras matérias. Por outro, é uma boa maneira de misturar estudo e lazer.
