An untrained observer would infer I’d spend this Canada Day† lazily reading comics. That isn’t true: to honor the spirit of the day, I’ve been lazily reading Canada-related comic books (by author or subject).
Comics
Canada Day Comics
Dragon Ball Z: Kami to Kami (Battle of Gods)

It is not a secret to anyone how much of a Dragon Ball nerd I used to be. I collected the manga (having read it quite a few times) and watched the anime religiously, although I did not enjoy the post-manga material (Dragon Ball GT and the “TV specials”) that much. Granted, I did watch it, but those always felt like something was missing. Akira Toriyama (original manga writer/artist) not being much involved on their production surely played a role.
Exposição: Ocupação Angeli
Se o Laerte é o mais sofisticado dos quadrinhistas nacionais, o Angeli é de longe o que mais me influenciou. Quase tudo o que eu lia/ouvia no final dos anos 80 vinha pela Chiclete com Banana, e sua crítica social e de costumes me mostrou um mundo bem maior que a vidinha católico-suburbana que me cercava. Uma visita à exposição exclusiva do autor era mais do que obrigatória!
Quadrinhos no iPad
Resisti bastante à idéia de comprar um tablet. A inevitável comparação com o netbook mostra duas coisas que fazem falta: um teclado de verdade (indispensável para quem produz conteúdo) e a liberdade para usar os softwares que eu quiser. Mas fui seduzido pela novidade e, principalmente, pelo tempo generoso de bateria (algo muito útil em eventos de TI) e comprei um iPad 2 na minha última viagem. Claro que uma das primeiras coisas que eu quis tentar com ele foi ler quadrinhos – a tela e a resolução pareciam ideais para o formato.
WonderCon 2011
Um item importante da minha lista de coisas a fazer antes de morrer era participar de uma grande convenção gringa de quadrinhos. Meu alvo particular era a San Diego Comic-Con International (e ainda vou lá um dia), mas uma feliz coincidência me colocou em San Francisco justamente quando ocorria ali a WonderCon, uma “irmã mais nova” da Comic-Con que atualmente é organizada pelo mesmo grupo
The Amazing Adventures of Puny Parker
Muito bacana esse The Amazing Adventures of Puny Parker, do Vitor Cafaggi. É um quadrinho fanfic absurdamente bem desenhado, colorido e finalizado que ilustra as hipotéticas aventuras de uma versão infantil daquele que se tornaria o Homem-Aranha. O resultado lembra um pouco Calvin e Haroldo, em termos de leveza e profundidade, mas tem sotaque próprio:
Scott Pilgrim
Comecei a ler Scott Pilgrim sem saber do que se tratava – fui pelo burburinho e também por conta de boas experiências com a nova geração de quadrinhistas canadenses.
The 99
Os webcomics ainda são o melhor lugar para buscar inovação em quadrinhos, por conta da ausência de editores/intermediários e da disponibilidade. Mas de vez em quando os quadrinhos tradicionais revelam surpresas agradáveis como The 99 – ou The Ninety-Nine *para alguns, e *al-tisa’a wa tisaun para outros.
Meninas Iranianas (A Beginner’s Guide to Acting English / Persépolis)
Turma da Mônica Jovem (versão mangá)
Webcomics em dobro!
Anders Loves Maria
Dia do Quadrinho Nacional e o Blog dos Quadrinhos
Saldão de Gibis do Chester
Drawn! The Illustration and Cartooning Blog
Só na pacoteira
Way Lay
Magias e Barbaridades
Penny Arcade
Striptease
Girly
Sam and Fuzzy
Science Classics de Larry Gonick
Homenagem a Carlos Zéfiro
Questionable Content
Bira Dantas e os Trapalhões da Bloch
Pedro de Lara lá, lalalala-lalá…
Arte e “Pirataria”
A Turma da Kelly
Seiren e O Marinheiro Paupaye
Conhecendo o autor dos Combo Rangers
Quadrinhos sobre DDR
A babá do superbebê
Ring(u) – o chamado
Fritz the Cat – He’s X-Rated and Animated!
F. e Tarja Preta
MegaTokyo: HQ bacana, online e também em português
Quadrinhos no iPod
PBF e Diesel Sweeties
Quadreca
Filho de jor-el!
Qualquer que seja a leitura – do “escoteirinho” dos quadrinhos de Frank Miller ao “cara decente” do seriado SmallVille – o Superman sempre será o ícone do bom-mocismo… ou não?
Qualquer um fica meio na dúvida ao visitar o hilário Superman is a Dick, uma coleção de capas de revistas do Superman (a maioria bem antiga) onde o mesmo é retratado com o pior caráter possível.
Os comentários (feitos por um cara do National Lampoon) são impagáveis. Você fica realmente pensando onde os caras estavam com a cabeça quando bolavam certas chamadas.
UPDATE: Seguindo os links na página você vai ver outras coleções do gênero. Mas nada poderia ser mais apropriado nestes tempos de julgamento do Michael Jackson do que este frame. Já tem uns quinze minutos que eu vi, mas ainda estou rolando de rir…
Quadrinhos sobre graduação
PhD: Piled Higher and Deeper é mais uma daquelas tiras gratuitas online que, mesmo existindo desde 1900 e guaraná com rolha, eu só descobri agora. O autor (Jorge Cham) aparentemente começou a tira quando estava na faculdade, meio que para desestressar, e a coisa foi engrenando.
Os primeiros anos são bem crus no geral, mas a partir de 2001 ele começa a acertar o traço. Não é a tira mais incrível do planeta, mas é divertida (fora que site é muito bom em termos de visual e navegação). Certamente quem já passou (ou está passando, como eu) pelo calvário da graduação vai se identificar.
Mundinho animal
Quem já conhece o Allan Sieber (Preto no Branco) provavelmente já viu ele elogiando um tal Arnaldo Branco (e olha que para o rei do mau humor elogiar algo ou alguém é difícil).
Fica o toque: as tiras dele também estão disponíveis online. É um quadrinho tão forte quanto o do Allan, mas mais bem humorado (ou eu me deixo influenciar pelo colorido, sei lá). E, assim como o Sieber, o Arnaldo tem um blog, no qual posta cartuns e afins quase diariamente.
Luto
Péssima maneira de iniciar o ano. Apesar do seu trabalho ser eterno, infelizmente Mr. Eisner nao o era, e faleceu ontem.
Coincidentemente, neste mesmo dia o History Channel passava um excelente documentário sobre quadrinhos – claro, sob uma perspectiva histórica. Ali um bem-humorado Frank Miller admitia ter se inspirado em (ou, nas palavras do próprio, “roubado do início ao fim”) uma antiga história do Spirit para compor uma personagem.
Miller chegou a contar o fato ao próprio Eisner, que comentava despretensiosamente – quase alheio ao fato de ser uma lenda viva.
Quem parar de ler quadrinhos agora tem uma boa justificativa. Este foi, sem dúvida, o dia em que os quadrinhos morreram.
Desvendando os quadrinhos
Depois de quase uma década, foi lançado no Brasil o Desvendando os Quadrinhos de Scott McCloud. Valeu a espera: é leitura tão obrigatória quanto <a href=”http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=54251&franq=102414” taregt=_blank>Quadrinhos e Arte Seqüêncial</a>, de Will Einser.
Assim como o livro do Eisner, este tem uma cobertura universal o suficiente para não se tornar desatualizado. E o único assunto menos coberto – os quadrinhos na Web – é fartamente trabalhado no seu site (que já foi comentado aqui antes).
E por falar no site, também gostei de Bobo Puppyhead. Viva os quadrinhos não-desenhados!
Quadrinhos e jornalismo fotográfico
Joe Sacco é um reporter fotógrafico que passou um bom tempo em contato direto com a população palestina. Esta experiência se materializou em Palestina, uma nação ocupada, uma inusitada reportagem… isso mesmo, em quadrinhos!
Tratar deste assunto através de uma mídia tradicionalmente associada a temas mais leves pode soar inapropriado e até desrespeitoso, mas o resultado é simplesmente fantástico – poucas vezes este conflito foi analisado sob um ponto de vista tão humanista, tão próximo do dia-a-dia da população.
Para quem não conhece as razões deste conflito (que, embora originado por razões ainda mais complexas que as da “guerra ao terror”, guarda com esta última a infeliz semelhança de ter sido detonado e agravado pelo intervencionsimo anglo-americano), o autor traz, em uma única página de texto, uma didática introdução.
A edição pode parecer desatualizada, afinal, fala da situação do país em 1994. Infelizmente, o pouco que as coisas mudaram ali foi para pior – basta acompanhar as notícias (ou, ao menos, os setores menos banalizados da imprensa).
Apocamon: vai, anjo picachu
Mesmo nos meus tempos de fervoroso estudante da Bíblia, nunca tive muito saco para o livro do Apocalipse – aliás, me interessava por pouca coisa do Novo Testamento que fosse muito além dos Atos dos Apóstolos. Patrick Farley foi melhor que eu, sacando a semelhança entre as infindáveis bestas do Livro do Apocalipse e a franquia da Nintendo, o que o levou a produzir Apocamon.
É uma versão em flash do Livro do Apocalipse, só que apresentada em formato mangá. Conta com as indispensáveis piadinhas laterais, tais como o Apocadex (que permite responder à clássica pergunta “quem é esse Apocamon?”), e, apesar da paginação dar uns problemas comigo (nada que um botão direito e forward não resolvam), é divertido. Os dois primeiros episódios são gratuitos, e os outros podem ser comprados via BitPass (não saia para ler quadrinhos na web sem ele).
Bom cãozinho, mau cãozinho
Ótimo o livrinho Que Saudade, Snoopy!, lançado pela Conrad. São mais de 120 páginas de tiras do Snoopy a um preço que equivale a dois ou três dos mini-mangás atuais. O papel, a tradução, a impressão, e principalmente a seleção das tiras são todos de alto nível, gerando um excelente resultado.
Os elogios são em grande parte um contraponto ao fiasco Snoopy, eu te amo. Apesar do tema atrativo, a predileção por tiras muito antigas (que, com todo o sacrilégio que envolve falar mal do Schulz, eram bem amadoras e pouco lembram o Peanuts que conhecemos e amamos) e a limitação do tema acabam tornando o livro repetitivo e chato.
Fuja desse e fique com o primeiro. Não se deixe levar pelo marketing de “presente ideal para a pessoa amada” – eu mesmo comprei com essa intenção, mas o livro é tão ruim que eu resolvi provar o meu amor guardando ele pra mim…
Life with leslie
Problemas de saúde (física e mental) me fizeram dar uma pausa, e li bastante para desestressar e esquecer a enxaqueca. Pensei ter escolhido meu favorito do dia na nota anterior, mas Les McClaine me fez escrever novamente com seu Life With Leslie.
A tira é um relato da vida pessoal do autor – mais ou menos como esses blogs no estilo “diário pessoal” (que nunca me interessaram muito), só que em quadrinhos. Não tem muita sofisticação gráfica, nem o tom agressivo de um Preto no Branco, mas lembra um pouco pela maneira com que as frustrações do autor dirigem o trabalho. Só que aqui o humor prevalece, e você acaba se envolvendo muito mais.
A coisa fica mais interessante depois que ele e mais três amigos fazem uma aposta: colocando US$ 20 cada um, os quatro começariam a fazer uma tira diária, e quem conseguisse mantê-la por mais tempo ficaria com o dinheiro. A partir daí, as tiras começam a ficar ainda mais pessoais e impagáveis.
It’s about girls
O nome do autor é William G. (mas já ouvi falar dele como William Beckerson). É mais um desses talentos que só chegam ao público graças à mágica dos quadrinhos online.
Seu site, o Delineated Life Comics, possui bons momentos como Clotheslines (uma coleção de de pequenos ensaios unidos por uma temática de finalização). Mas sugiro ir direto à sensacional série It’s About Girls.
Ainda em andamento (mas com nove capítulos já publicados), a história se concentra no aspecto sentimental de Icon e das pessoas que o cercam, de maneira despretensiosa, e, por isso mesmo, muito agradável. Merece ser acompanhada de perto.
Kazu kibuishi
O que mais me alegra nos quadrinhos online é que eles seguem uma espécie de corrente do bem: os bons autores recomendam bons autores, que recomendam outros bons autores, e por aí vai. Seguindo esta linha, encontrei Kazu Kibuishi e seu excelente site Bolt City.
O trabalho todo é ótimo, mas, como de costume, alguma coisa me fisgou e me obrigou a escrever a respeito. No caso, foi o fantástico Copper (a ordem cronológica é de baixo para cima). São histórias de uma página, com uma linguagem simples, mas profunda.
Poderia resumi-lo como um cruzamento entre Calvin e Little Nemo, mas isso seria simplificar demais um quadrinho que fala completamente aos sentimentos. Talvez seja uma fase ultra-sensível minha, mas se este ou este momento não te agradarem, procure o Mágico de Oz, pois você precisa urgentemente de um coração.
Amar é…
Eu achava que as figurinhas “Amar É…” eram coisa brasileira. Meu engano foi desfeito através da seção Love Is… do ComicsPage, que traz dúzias desses quadrinhos/figurinhas feitos para pessoas… digamos… “sensíveis”.
Mesmo sem Internet, bastou o álbum ter como protagonistas duas crianças nuas que o underground logo bolou uma sátira – de péssimo gosto e qualidade, mas que se tornava engraçada num contexto em que as tais figurinhas vendiam como água. Mais ainda: deu pra encontrá-la no Google Image Search logo de primeira. Taí:
Mangá para leigos
O iG Ler publicou um guia sobre mangá que eu escrevi, voltado a pessoas que não conhecem nada de HQ japonesa. Para que a coisa não virasse um livro, algumas generalizações tiveram que ser feitas (e até agora as pessoas me cobram por não ter falado deste ou daquele mangá). É a vida.
Não é o primeiro artigo que escrevo para o portal iG, mas é um dos que eu mais gostei (tanto de fazer quanto do resultado final). Acho que empatou com o que fala sobre programação no Atari, meu favorito até então. Tem também um glossário sobre o tema.
Scott mccloud
Eu só tinha ouvido falar do livro dele (Understanding Comics), mas quando li o Derek Kirk Kim falando bem, fui dar uma olhada nos quadrinhos online de Scott McCloud.
Front quadrinhos
A Front Quadrinhos é um projeto/publicação bastante interessante, que usa o experimentalismo com responsabilidade. Isso, aliado ao fato de cada edição abordar um tema específico, acaba fazendo com que nem tudo o que se vê agrade a todos os paladares, mas no final das contas sempre tem alguma história que se sobressai e justifica as experiências.
Eu adoraria comentar a evolução a cada edição, mas os preços muito salgados (girando em torno dos R$ 30) me permitiram adquirir algumas poucas. Dentre elas, recomendo a de número 13, que trata do assunto feminilidade. O consolo é que as grandes editoras (particularmente as de comics) têm me incentivado a comprar menos quadrinhos, o que financia uma espiadela nesta idéia bacana de vez em quando.
Quadrinhos atari
<img src=”img/blig/atariage.jpg”alt=”capa da revista em quadrinhos do Yars’ Revenge” align=”left” >O Atari Age se destaca dos outros sites sobre o videogame pelo preciosismo com que é construído. Eu comecei a fuçar por causa dos jogos em desenvolvimento: tem até um clone do Dance Dance Revolution!
Mas o melhor foi descobrir que o site disponibiliza todos os quadrinhos que acompanhavam os cartuchos de lá (claro que os nossos cartuchos meia-boca não tinham esse tipo de luxo).
É interessante ver as primeiras histórias do Esquadrão Atari (aparentemente mais antigas e infantis que aquelas publicadas pela Abril), bem como a explicação para o Yars’ Revenge (ou, pelo menos, a explicação que os caras bolaram). Dá pra perder um tempo.
Liga zine
Quando o assunto são os quadrinhos mainstream (seja super-heróis, “adulto”, mangá ou o que for), existem sites bons como o Omelete. Mas de vez em quando a gente quer fugir um pouco daquele melê que se vê sempre nas bancas – e, principalmente, da discussão meio repetitiva que sai disso.
Num desses momentos topei com o Liga Zine. É bem organizadinho, não foge muito do tom de sites como o Omelete, mas foca mais nos territórios inexplorados. Como no artigo “O Mundo Perdido dos Pulp Fiction“, que me levou até ele.
Same difference and other stories
<img src=”img/blig/samediffother.gif”align=”right” border=”2”>Finalmente chegou o meu exemplar da versão papel das histórias do fantástico Derek Kirk Kim. Já falei dele antes por aqui, mas nunca é demais: suas histórias são fantásticas, particularmente a história-título, Same Difference.
Na edição ela ficou com o dobro de páginas (cada HTML tem o equivalente a duas), mantendo o mesmo ritmo apaixonante. É difícil explicar aqui em casa por que gastar US$ 22 (preço+envio) com quadrinhos que estão disponíveis online, mas no papel é sempre melhor – ainda mais para uma história a ser lida e relida inúmeras vezes. Para quem lê inglês, um prato cheio.
Revista Dundum
<img src=”img/blig/dundum.jpg”style=”float:right;border:1px solid black; margin:4px”>A Dundum foi publicada em Porto Alegre, bem no começo dos anos 90. Além de ser o berço de gente como Adão Iturrusgarai e Edgar Vasques, ficou famosa por ter recebido apoio da Secretaría Municipal de Cultura (gestão PT), seguida pelas tradicionais reações da oposição quanto à “imoralidade subsidiada pelo dinheiro público”, aquela papagaiada de sempre, mas que, no fim das contas, parece ter ajudado tanto a prefeitura quanto a revista.
Crumb & cia versus Eisner
Não vou me alongar demais explicando o que foi o Zap Comix (tem muito material na Internet sobre o assunto). Como o gibi/fanzine influenciou meio mundo – incluindo o meio mundo que me influenciou – comprei assim que vi na frente (apesar do preço salgado, na faixa dos R$ 30).
Honestamente, foi um pouco frustrante. Claro, é bacana para quem gosta de quadrinhos e quer ir um pouco além do convencional – ainda mais pelos textos introdutórios. Só que, em termos de diversão… sei lá, ficou bem atrás, por exemplo, da coletânea R. Crumb: Fritz the Cat, da mesma editora (Conrad), ou de outros quadrinhos do Shelton – por exemplo, “As Aventuras dos Fabulosos Freak Brothers” (outra ótima edição, embora um pouco difícil de achar).
Restolhada do Marcatti
Com o trabalho e as provas se acumulando, sobra pouco tempo para ler, assistir, navegar, fuçar, enfim, garimpar matéria prima para escrever aqui. Mas acabei dando de cara com o álbum Restolhada. O autor, Marcatti, dispensa apresentações – ou melhor, eu achava que dispensava – até ler o álbum.
Para mim, o Marcatti sempre foi aquele cara totalmente escatológico, dono de um traço “sujo” (como ele mesmo define), cujo zelo quase religioso pela a estrutura e pelos detalhes faz você querer mais, mesmo sem entender o porquê. Eu acreditava até que tinha algum material “pioneiro” dele, um fanzine de 1988. Ledo engano.
A coletânea compreende umas umas quinze histórias das mais diversas fases do autor (sim, ele já fez histórias sem um único ato erótico ou nojento), que, aliadas à entrevista da abertura, permitem uma visão menos simplista do seu trabalho.
Comecei a entender (e compartilhar) um pouco mais do respeito que praticamente todo mundo na área de HQ tem pelo cara. O livro é relativamente antigo (2000), mas eu achei em prateleira de livraria, então deve ser fácil de encontrar. E é bom lembrar que o Marcatti voltou às bancas com o Fráuzio, outro que vale cada centavo (e olha que são poucos centavos – o gibi é baratinho). </tr> </table>
<table width=”100”% border=0 cellspacing=0 cellpadding=0>
Quadrinhos dos últimos dias
<img src=”img/blig/mundodisney.jpg”align=”left” border=”1”>O Mundo de Disney, de Álvaro de Moya, é uma antologia relativamente recente (1996) que eu encontrei em promoção em uma livraria.
Por ser o autor quem é, eu esperava um enfoque maior nos quadrinhos Disney, mas o livro vai mais para o lado dos desenhos animados. É compreensível, mas eu me senti um pouco frustrado. De qualquer forma, é bastante completo, focando mais nas pessoas e no momento histórico do que nos desenhos em si.
<img src=”img/blig/casanova.gif”align=”right” border=”1”>Aproveitando a oportunidade: saiu, há umas duas semanas, a Crocodilo no. 2. Teve até propaganda na Locomotion. A “qualidade” se mantém a mesma, e o preço baixo (acho que os caras sacaram que no. 1 de qualquer coisa vende mais mesmo, e resolveram faturar em cima). Se a primeira, que era mais cara, já valia a pena, essa nem tem discussão.
Fora isso, li Shaman King (que me surpreendeu, vou acompanhar na certa) e o A Última Noite de Casanova†, de Hunt Emerson (anunciado na contra-capa da Crocodilo 2). Tá certo que nunca fui muito fã do Emerson (pelo menos não tanto quanto de Crumb, Shelton e cia.), mas não entendi o auê em torno dessa edição. Achei ok.
</tr> </table>
<table width=”100”% border=0 cellspacing=0 cellpadding=0>
Eisner de carne e osso
Fui assistir a Pessoas Invisíveis, uma peça baseada em diversas obras de Will Eisner. Com um certo pé atrás (que eu sempre tenho com essa idéia de “cross-media”, especialmente quando envolve quadrinhos), gostei bastante do espetáculo: a história é uma amarração de diversas histórias do mestre, das mais conhecidas como O Edifício até outras não tão difundidas, como a do homem que sabia voar (uma das minhas favoritas).
O começo deixa um pouco a desejar – tanto o cenário quanto o elo entre as histórias são um pouco difíceis de situar, apesar (ou por causa) do esmero na produção. Contudo, assim que o cenário muda para a Dropsie Avenue, a história entra nos eixos. O resultado final é uma peça divertida, especialmente para fãs do Eisner. Os figurinos dão um show a parte: o Gerhard Shnobble e o síndico do edifício da avendia Dropsie, entre outros, são encarnações fantásticas do “jeito Eisner” de retratar tipos comuns. Sozinhos já valem o espetáculo.
</tr> </table>
<table width=”100”% border=0 cellspacing=0 cellpadding=0>
Gen – Quadrinhos de Hiroshima
Acabo de concluir a leitura do terceiro volume de Gen – Pés Descalços (Hadashi no Gen). É realmente um daqueles quadrinhos para os quais não se tem palavras. Através do garoto Gen, Keiji Nakazawa faz um relato autobiográfico de como foi a vida antes, durante e depois da bomba. Aos olhos de Gen, este sofrimento do mundo adulto se mistura com os problemas de criança, mas, ao mesmo tempo, a sua alegria de criança o ajuda a superar aquele inferno que nenhuma criança ou adulto deveria conhecer.
Ao contrário do que possa sugerir, não há nenhum tom anti-americano – a mesma objetividade usada para mostrar o sofrimento dos sobreviventes com os efeitos da bomba é utilizada para mostrar como o governo japonês lançou na miséria a sua população, priorizando a alimentação dos soldados e a construção de armamentos de guerra, e como os japoneses hostilizavam os estrangeiros, particularmente os coreanos, qualquer que fosse a situação. Fantástico, fantástico.
Revista Crocodilo – trash que satisfaz
<img src=”img/blig/croc.jpg”align=”left” border=”2”>Ah, o que seria de nós sem os amigos bizarros? Por indicação de um deles comprei a Crocodilo, uma revista de humor e quadrinhos sem um gênero muito definido, mas que pega forte no lado trash.
Títulos como “Origami do Sexo”, “Bin Laden Pornô” e “A Febre dos Mariachis Iugoslavos” dão o tom da publicação. Fosse um site, seria mais um entre muitos. Mas pra colocar na banca precisa de coragem, e a Conrad parece que resolveu encarar.
Eu me identifiquei com o lado “cientista” dos caras: dentro de casa, eles dão a dica de como sintetizar o sexo oral feminno, mostram petiscos bizarros que podem ser feitos com o mínimo esforço, e por aí vai. Indo para a rua, eles experimentaram o famoso “treme-treme”, o bordel onde literalmente se transa com um vale-refeição. Quem disse que sai caro fazer reportagem externa?
Não consigo dar uma definição clara da revista: ela lembra um pouco a Casseta Popular, mas os quadrinhos remetem mais à Animal (e talvez a Mad tenha parecido tão ou mais chocante quando foi lançada, em 1742). Ainda não saquei muito bem onde Allan Sieber, Crumb e Hunt Emerson se encaixam no meio de tudo isso, mas ao menos são histórias menos “figurinha carimbada”, que fornecem uma excelente desculpa para desembolsar os R$ 6,90.
Hqs clássicas disponíveis para download
Os fãs de mangá e animê já conhecem o trabalho dos fansubbers e dos manga translators – indivíduos que traduzem os desenhos e gibis, disponbilizando-os na Internet. A qualidade das traduções varia, mas é muitas vezes o único jeito de ter acesso a coisas que não são lançadas num determinado idioma ou país.
</br/>No Brasil já existem alguns grupos que fazem isto – mas eles costumam obedecer a regra de ouro: só disponibilizar o que não existe no país, de forma a viabilizar a atividade das editoras locais. Um exemplo é o Love Hina Brasil, que, apesar do nome, está trabalhando em outros mangás desde que a JBC começou a publicar Love Hina (um dos meus prediletos, mas já citei isto em outra ocasião).
Sigam-me os bonzinhos
Não, não é do Chapolin que eu vou falar, e sim dos Combo Rangers. A história começou na época “pré-bolha” (~1999), com o site PutaQuePariu.com (não adianta procurar, nem o Internet Archive tem vestígio). </br/>O site era uma coleção de piadas e textos de humor no melhor estilo “5ª. série” (“mande seus amigos para a putaquepariu.com” era o mote de marketing), e tiveram o bom senso de terminar quando estavam por cima. Um dos webmasters (o Fabio “Sr. Y” Yabu), criou no Flash uma espécie de sátira dos seriados super sentai (Changeman, Power Rangers e similares), e com isso nasceram os Combo Rangers.
Com o tempo ele conseguiu espaço no UOL, e transformou em história em quadrinhos “de papel” (primeiro pela JBC e agora pela Panini). É voltada para o público infantil/infanto-juvenil, mas as tiradas e referências ao mundo “adulto” justificam a leitura: vão desde citações ao “Funk da Pamonha” até remakes de HQs e filmes semi-cult (vide o #10, “Mano Ou Ultramano”, uma das minhas favoritas).
Essas idéias meio absurdas são justamente o que torna o gibi divertido para adultos, por mais constrangedor que seja o clima “acho que aprendemos uma lição hoje”. E o melhor de tudo: dá pra comprar os números atrasados pela Internet na JBC – o correio sai baratinho e você compra pelo preço de capa. Arrematei todas e não me arrependo.
Quadrinho bom, de graça e online
Tem horas em que a vida nos surpreende: você gasta uma bala comprando quadrinhos que supostamente deveriam ser legais, e coisas bacanas de verdade pintam na web, de graça. Como foram dois casos só esse mês, me senti na obrigação de compartilhar:
O primeiro é o Small Stories Online, de Derek Kirk Kim. Não confunda os quadrinhos dele com os do substituto (Brent Kirk), que também são bons mas já é outra história. Fui imediatamente fisgado pela história Same Difference. Talvez eu esteja ficando (ou voltando a ser) sentimental, mas de repente me senti com 16 anos novamente (mesmo a história falando de gente da minha idade).
Se isso parece coisa de maricón pra você, corra pro Kaz’s Underworld (que descobri graças ao blog do Allan Sieber). Dê uma geral no arquivo e você verá como é bacana ver alguém cagando para o “politicamente correto” sem usar isso como justificativa para falta de talento. Tipo assim.
5a. fest comix
Não bastasse o Mundo Mix, compareci no domingo à 5ª Fest Comix. Estava lotadíssimo, mas valeu: o lugar tinha lançamentos dos últimos 3 anos, mas todos em estado de novo – e, em muitos casos, com preço de sebo. Isso fora a premiação, para a qual não pude ficar. É sempre legal ver o povo que faz os quadrinhos, mesmo pra quem, como eu, não tem vocação para “fã bobão“.
Deu pra completar minha coleção de Ranma 1/2, e comprar vários outros quadrinhos daqueles que estão sempre um pouco acima do que eu julgo razoável gastar num gibi – muita coisa de R$ 30 por R$ 20, de R$ 20 por R$ 15/12, etc. Há boatos de que o próximo será em Julho, mas planeje seus gastos, pois o lugar aceita cheque e cartão Visa. Desnecessário dizer que deixei as calças, minha mãe e ainda fiquei devendo.
Combat! – um mangá até pra quem não gosta de mangá
Só o fato de ser do mesmo autor de “Mai” (um dos primeiros mangás a sair no Brasil, na época da onda Akira/Lobo Solitário) já valeria uma olhada neste gibi – e pelo jeito o Sr. Kazuya Kudo não perdeu a mão, o gibi é ótimo.
É verdade que a capa não seduz muito – talvez seja a colorização, meio artificial, ou a idéia (errada) de grupo infantil de combatentes que ela passa. A primeira coisa que me chamou a atençào é que a história se passa em Nova York (o personagem principal é nipo-americano), dando uma visão interessante a temas como a máfia, policiais nos dois lados da justiça e até sobre os veteranos do Vietnã que residem na cidade.
Também destaca-se o fato de não haver uma continuidade muito forte entre as histórias – apenas o personagem principal permanece. Este último fator, aliado ao fato de as páginas terem sido adaptadas para a ordem de leitura ocidental, certamente vai agradar os não-aficcionados pelo gênero, sem prejudicar os fãs como eu.
O fato de ser um formato maior e de terem “invertido” as páginas não impactou muito no preço: R$ 5,50 com três histórias que dividem 82 páginas. Fico torcendo para que os próximos números sejam publicados, pois tenho um certo receio quanto à viabilidade comercial de qualquer mangá acima da linha dos R$ 5. Desta vez espero estar errado.
Quadrinhos a serviço da igreja
Aproveitando o assunto HQ: por esses dias eu recebi na USP um panfleto, que me chamou a atenção por ser todo feito em quadrinhos. Não é novidade nego usar HQ para tentar passar um recado: o formato junta o apelo visual de mídias como a TV com a densidade dos meios escritos.
O que me chamou a atenção é que o panfleto era propaganda de uma igreja. Quadrinhos costumam abordar temas eclesiásticos, especialmente a partir dos anos 70, mas é comum fazê-lo através de uma visão mais distante. Quando há um posicionamento, geralmente é crítico.
Crumb: a censura acontecendo onde menos se espera
A Conrad lançou o especial “R. Crumb: Frtiz the Cat”, uma edição com preço meio salgado na editora, mas que na FNAC estava com um bom desconto quando eu comprei.
Trata-se de uma compilação das histórias de Fritz, personagem de Robert Crumb que dispensa apresentações. O que me levou a escrever foi a história “R. Crumb Comics & Stories”. Eu já tinha lido esta no número 5 da revista “Porrada”, de 1998. Sem estragar muitas surpresas: Fritz retorna à casa de sua mãe no interior, depois de ter vivido um tempo na cidade, e acaba tendo uma relação sexual com uma garota.
É de menina, mas eu gosto
Ok, vou admitir: o mangá que mais está me divertindo, o que eu não aguento de ansiedade quando termina é esse mesmo, Love Hina – a história extremamente novelesca do jovem Keitarô Urashima que, depois de rodar algumas vezes no concorrido vestibular da Universidade de Tóquio, vai parar em uma pensão só para mulheres.
Mas a vida não é boa como possa parecer, pois ele apanha o tempo todo – e esses são os *bons* monentos: quando ele não está apanhando, está metido em algum rolo sentimental.
Cada uma das meninas da pensão daria um gibi à parte – no começo dá um nó na cabeça, mas você vai se acostumando. O autor não tem o menor compromisso com a realidade, e a linearidade da história muitas vezes é atropelada por situações dramáticas ou cômicas – e é isso que a torna genial.
A série está no número 13 em São Paulo, mas a R$ 3,50 sai mais barato comprar a coleção toda em algum comic shop do que, digamos, um CD duplo ou um DVD básico. Recomendo, recomendo, recomendo.
Cavaleiro das Trevas 2: mais um prego no caixão dos comics
Agora que finalmente saiu o terceiro volume, meu parecer: Cavaleiro das Trevas sintetiza tudo o que me levou a começar a ler gibis de super-heróis. Cavaleiro das Trevas 2, por sua vez, resume bem tudo aquilo que me fez *parar* de ler este gênero de quadrinhos (que me trouxe muita diversão e – por que não dizer – cultura nestes últimos quinze anos).
Não é culpa do Miller, não – o gibi é, no geral, bom. Acontece que ele é sintomático do esgotamento do gênero, que sacrificou demais a qualidade em prol da quantidade, o conteúdo em prol da forma, a diversão em prol da coleção. Ressaca total. Me parece mais jogo guardar o dinheiro para os eventuais lançamentos “de autor”, que não demandem conhecimentos enciclopédicos de cronologia e tragam mais diversão e cultura por página.
A princesa e o cavaleiro
Tendo o saldo das eleições sido positivo (apesar de ACM e suas crias, do caso PRONA e da crise de insanidade generalizada do eleitorado carioca, temos um Lula encaminhado, Genoíno com chances em SP e Quércia/Collor/Maluf enviados de volta para as trevas), voltemos às trivialidades: finalmente saiu A Princesa e o Cavaleiro, de Osamu Tezuka, no já tradicional formato mini da JBC. O Omelete, como de costume, deu uma boa matéria† a respeito, e só acrescento que ler Osama Tezuka é para o fã de mangá como ouvir Beatles para o fã de rock: ensino fundamental.
É muito interessante ver como o homem que praticamente criou o estilo oriental de quadrinhos era influenciado pelo estilo ocidental – os comentários sobre as semelhanças com Walt Disney são válidos. Mesmo com um tema tão carregado de contações sexuais, a sutileza de Tezuka torna o roteiro espantosamente leve. O rumo da história é um pouco confuso no princípio, mas vai ganhando força logo nos primeiros capítulos da edição. R$ 3,50 muito bem gastos.
Saudades de akira? experimente Gunm – Alita Battle Angel
Ainda estou impressionado com este mangá, lançado pela Opera Graphica. Logo nas primeiras páginas, a primeira coisa que me veio à mente quando li foi Akira, de Katsuhiro Otomo. Não que um tenha se baseado no outro, mas ambos navegam com habilidade no perigoso terreno da “influência ocidental”, tanto na temática bladerunneriana quanto no ritmo e na arte mais “orgânica”, que se distancia do desenho “cartunesco” característico do mangá.
Mangá made in brazil
Sempre que algum personagem ligado direta ou indiretamente a histórias em quadrinhos faz sucesso com o público infantil (leia-se: público ultra-consumidor), há um reflexo positivo no mercado de HQ. No caso de Dragonball, uma quantidade enorme de lançamentos de mangás que se viabilizou em grande parte graças ao sucesso do desenho animado e de seus produtos associados (ok, também ajudou o fato de os editores perceberem que podiam baratear bastante o produto final mantendo-o em preto-e-branco e na diagramação original).
Dr. Slump: chega de saiyajins
Se você tem aquele senso de humor um pouco diferente do resto da humanidade, i.e., mais pra Monty Python do que para Jim Carrey, não deixe de ler Dr. Slump, lançado pela editora Conrad. Este mangá, embora do mesmo criador de DragonBall, não tem nada a ver com batalhas planetárias ou dinastias de guerreiros – talvez as mentiras do Mr. Satan ou as aventuras amorosas do Mestre Kame coubessem aqui, mas nada mais.
A história não tem nenhum elemento humorístico de destaque. É o jeito com que Toriyama escreve que a deixa muito engraçada. Depois de me frustrar um pouco com One Piece e Fushigi Yuugi (que até são bons, mas não têm aquele “algo mais” que faz você ficar esperando a próxima edição), esse gibi coçou algum músculo na minha cabeça. Recomendo.
Filmes sobre quadrinhos: desconfie sempre
Depois de produções bem-cuidadas e com pelo menos um pouco de respeito à inteligência do público, como foram X-Men e Homem-Aranha, as pessoas parecem estar perdendo o medo das adaptações de quadrinhos para filmes.
Comigo não, violão! O Omelete (site cujo conteúdo é muito mais interessante que o nome) publicou esta excelente relação de filmes e seriados fuleiros baseados em quadrinhos. Uma passagem rápida pela divertidíssima lista mostra que a indústria do cinema ainda tem muito do que se redimir neste setor – e olha que eles esqueceram o Besouro Verde, cujo assistente (Kato) era intepretado pelo estreante Bruce Lee…
Hq: a volta do formatinho
A Abril decidiu voltar† a publicar seus gibis no polêmico “formatinho”. Num primeiro momento, achei uma boa, já que HQ de super-herói raramente justifica um grande investimento, mas a preços populares dá pra correr mais riscos.
Infelizmente, os preços não serão tão populares quanto nos anos 90: o gibizinho de 50 páginas foi anunciado por R$ 2,50. Parece pechincha, mas a agora aposentada linha “Premium” (formato americano) saía a R$ 10 por gibi de 160 páginas. Na ponta do lápis: R$ 0,05 por página no formatinho, versus R$ 0,0625 no americano. Ou seja, a economia é de meros 20% com a mudança de formato. Já foi muito maior, chegando aos 50% de economia quando se publicava em formatinho.
Pelo menos o preju pra quem quiser ler tudo o que sai de DC no mês será menor: com duas revistas quinzenais, gastava-se R$ 40 por mês, com cinco gibizinhos quinzenais, serão R$ 25. Claro que liam-se 640 páginas, e agora teremos “apenas” 500, mas fazer o que? Ao menos as revistas regulares da DC andam com um nível muito bom (parece que eles sacaram que é melhor produzir menos quantidade e mais qualidade), ao contrário da Marvel, da qual a Abril fez bem em se livrar. Como esse mundo dá voltas…
Tres mil duzentos e la vai coquinho gibis
Depois de incontáveis finais-de-semana, consegui organizar e catalogar os meus gibis, e, só de farra, coloquei a lista no site pra quem tiver curiosidade – ela está logo abaixo (e foi crescendo com o tempo).
Mataram o Kenny de vez… bastardos! (ou não?)
Dessa vez, mataram o Kenny mesmo. E essa notícia me fez pensar: por que os autores de quadrinhos e desenhos de sucesso precisam tão desesperadamente assassinar suas criações quando estas estão no auge?
Creio que Crumb começou esta onda, ao dar cabo de Fritz. Mas o caso dele é fácil de entender: o personagem estava tomando um rumo muito comercial, ele não curtiu, cortou pela raiz. Não foi o único: o Angeli mandou pro saco a Rê Bordosa na mesma linha de pensamento.
No extremo oposto, temos as editoras que descobriram que é uma boa idéia “matar” personagens quando suas vendas não andam muito boas – vendem-se alguns gibis “a morte do fulano”, “o enterro do fulano”, “a missa de sétimo dia do fulano”, e, claro, “a ressurreição do fulano”. Eventualmente surgem histórias boas (o “fulano” precussor, que todo mundo sabe quem é, foi agraciado com bons roteiros e desenhos, especialmente após a “ressurreição”), mas o golpe de marketing é evidente.
Acho que o caso do Kenny foi uma mistura dos dois: os autores se encheram o saco *e* resolveram chamar a atenção, eventualmente transformando isso em lucro. Como se South Park precisasse… :-)


