A Abril decidiu voltar† a publicar seus gibis no polêmico “formatinho”. Num primeiro momento, achei uma boa, já que HQ de super-herói raramente justifica um grande investimento, mas a preços populares dá pra correr mais riscos.
Infelizmente, os preços não serão tão populares quanto nos anos 90: o gibizinho de 50 páginas foi anunciado por R$ 2,50. Parece pechincha, mas a agora aposentada linha “Premium” (formato americano) saía a R$ 10 por gibi de 160 páginas. Na ponta do lápis: R$ 0,05 por página no formatinho, versus R$ 0,0625 no americano. Ou seja, a economia é de meros 20% com a mudança de formato. Já foi muito maior, chegando aos 50% de economia quando se publicava em formatinho.
Pelo menos o preju pra quem quiser ler tudo o que sai de DC no mês será menor: com duas revistas quinzenais, gastava-se R$ 40 por mês, com cinco gibizinhos quinzenais, serão R$ 25. Claro que liam-se 640 páginas, e agora teremos “apenas” 500, mas fazer o que? Ao menos as revistas regulares da DC andam com um nível muito bom (parece que eles sacaram que é melhor produzir menos quantidade e mais qualidade), ao contrário da Marvel, da qual a Abril fez bem em se livrar. Como esse mundo dá voltas…
Todo mundo já teve algum amigo, professor de história ou colega de trabalho teórico da conspiração, daqueles que acha que qualquer mudança nos intervalos comerciais da televisão é uma tentativa de propaganda subliminar. Quando isso se mistura com religião, então, é que a casa cai.
Creio que Crumb começou esta onda, ao dar cabo de Fritz. Mas o caso dele é fácil de entender: o personagem estava tomando um rumo muito comercial, ele não curtiu, cortou pela raiz. Não foi o único: o Angeli mandou pro saco a Rê Bordosa na mesma linha de pensamento.