chester's blog

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Depois reclamam do Charles De Gaulle*

Jan 23, 2002

(* estadista francês que teria dito que “o Brasil não é um país sério”)

Isso deve ser carne de vaca na cultorolândia, mas eu soube hoje que Stefan Zweig, o autor da frase “O Brasil é o país do futuro” (que é, na verdade, uma leitura ligeiramente alterada do título de um dos seus livros), suicidou-se depois de passar alguns meses aqui… isso foi algum recado?

Spectreman – limpando o nome do Dr. Gori

Jan 2, 2002

(ou “spectromen”, como pronunciávamos nos anos 80)

Hoje em dia já devem ter mais páginas sobre o assunto, mas a primeira vez que eu fui procurar algo sobre o Spectreman na web, eu só achei esta página. Não ligue pro layout meio datado, ela é bem legal, com bastante fotos, e tem até alguns MP3 em português.

Mas eu resolvi escrever porque depois de grande percebi o seguinte: o Dr. Gori era o herói da história, e o Spectremen era, na verdade, o vilão. Pense bem: o Dr. Gori era um cientista que concluiu que a raça humana estava acabando com o planeta. Raciocínio perfeito. Ao invés de fundar um Greenpeace da vida, e ficar mendigando resultados, ele simplesmente resolveu cortar o mal pela raiz, dominando ou exterminando a raça humana. Simples, não?

Infelizmente, Spectreman ( um pau-mandado de uma espécie de ONU espacial, os “Dominantes”, cujo nome já diz tudo) vinha aqui no nosso planeta de terceira órbita, sem entender direito o nosso problema, já soltando porrada. E ele era “auxiliado” por um grupo de funcionários públicos japoneses, o “Grupo Anti-Poluição”, que não ficam devendo nada aos brasileiros: eles não faziam NADA a não ser lamber as botas do Spectreman e falar mal do Gori, que, à semelhança das esquerdas nacionais, era rechaçado mas sempre tentava de novo.

E, para eliminar qualquer dúvida: o Dr. Gori tinha uma consciência ecológica tão avançada, mas tão avançada, que teve o bom-senso de fazer todos os seus monstros de lixo. Ou seja, mostros reciclados. Doutor, o senhor é mesmo um injustiçado…

Retrospectiva Sílvio Santos 2001

Jan 2, 2002

(meio longo, mas é pra compensar os dias de ausência)

Na onda das retrospectivas, eu só digo o seguinte: 2001 foi o ano do Sílvio, goste-se ou não (e, considerando que o inimigo do meu inimigo é meu amigo, eu adorei). Vamos relembrar:

Em janeiro, tivemos briga do mal contra o mal: Eurico Miranda, numa tentativa de retaliar as alfinetadas que vinha sofrendo da Globo, estampa o logotipo do SBT nos uniformes do Vasco, e os Marinho ficam numa sinuca: ou não transmitem o futebol, ou fazem propaganda de graça para o homem do baú. E isso rolou sem que ele precisasse mexer uma palha (exceto, claro, se o SBT resolvesse processar o Vasco por uso indevido de imagem).

Mas isso foi só um aperitivo para o banquete que se seguiu. No carnaval, Sílvio Santos foi homenageado por uma escola de samba, e lá vai mais uma hora e tanto de transmissão do seu Sílvio na telinha global. Afinal, estamos no Brasil, ou seja: quando o assunto é futebol ou carnaval não dá pra fingir que não viu…

A vida transcorreu mais-ou-menos normalmente até agosto (apesar do “efeito Show do Milhão”, uma bola de neve que já vinha do ano anterior), quando ocorreu o sequestro de Patrícia Abravanel (filha de Sílvio, para quem esteve em outro planeta).

O comportamento da Globo neste episódio só tem um nome: pé-na-jaca. Alegando não querer incentivar outros sequestradores a fazerem exigências, deu a notícia do sequestro com antecedência, enquanto toda a mídia paulista mantinha a coisa em segredo, a pedido da família. Curiosamente, não teve essa pressa toda quando outro sequestro, este mais recente, envolvia um publicitário – ou seja, um representante dos clientes da empresa…

Não houve moral da história, mas ficou uma pergunta sem resposta: o que alguém ganha abalando a própria credibidade enquanto órgão de imprensa, com o único propósito de colocar o concorrente (mais uma vez) em destaque?

E a coisa não parou por aí: não bastasse o depoimento-pregação de Patrícia (desde Edir Macedo nenhum evangélico conseguiu catalisar tanta atenção da mídia em tão pouco tempo), o retorno do sequestrador à casa dos Abravanel deu ao episódio um enredo de folhetim com o qual as telenovelas globais já sonham há alguns anos.

O mês de setembro foi marcado pelos ataques a NY. Isso foi um alívio para a Globo, já que o aparato técnico-jornalístico lhes dá vantagem natural num evento como este. Entretanto, Sílvio guardava o uppercut para o final: a Casa dos Artistas, que se mostrou um “Show da Vida” muito mais interessante do que qualquer Fantástico. O resumo deste programa é um só: a Vênus Platinada apanhou mais do que gato em desenho animado.

Enfim, mesmo tendo deixado alguns eventos pontuais de fora (Show do Milhão dos Políticos, a biografia do Sílvio, etc.), dá pra ver que o ano foi do homem e ninguém tasca. Nao sei como será 2002, mas que 2001 foi divertido para quem precisava ver a emissora Mickey Mouse (a amiga do guarda), que foi cabo eleitoral do Collor e de tantos outros, enfim, a arrogante Rede Globo tomar uns cascudos (de quem quer que seja) pra variar, ah, isso foi…

Noites de sono se tornam obsoletas

Dec 21, 2001

Só faltava essa – um acessório para os palmtops da Handspring que permite a você tirar uma soneca, mas que te acorda se você cair em sono profundo.

A tecnologia é interessante, mas me assusta o uso prático: o usuário pode ir alternando ciclos de trabalho com pequenas doses de sono, e, de acordo com o fabricante, ficar disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. Imagine quando as empresas pontocom descobrirem este lance – nego só volta pra casa quando se aposentar…

Show do caetano

Dec 19, 2001

Essa não tem notícia relacionada: ontem eu assisti um show do Caetano Veloso. Musicalmente é bacana, mas as letras tinham um toque de Gerald Thomas – i.e., ninguém entendeu nada.

Tarado? não, é só o jardineiro

Dec 17, 2001

É sério, tem nego defendendo que jeito mais relaxante de fazer jardinagem é peladão. E o site não é de naturismo, e sim de jardinagem mesmo.

As inevitáveis piadinhas envolvendo tesouras de jardinagem e outros intstrumentos relacionados ficam por conta do leitor. E depois eu é que sou estranho…

Ressucitando Bruce Lee

Dec 14, 2001

Um produtor coreano está querendo fazer um novo filme de Bruce Lee – usando computação gráfica para trazer o mestre do kung-fu cinematográfico de volta à vida. O diretor é pretensioso – está dizendo que Final Fantasy foi fraquinho, e que ele vai fazer e acontecer. Eu, simples mortal, achei Final Fantasy do caraco, assim, estou doido pra ver no que vai dar…

Cegonha: ainda um sucesso na China

Dec 14, 2001

É difícil de aceitar para nós, latinos calientes, mas, entre os universitários chineses, 10% dos homens e 16% das mulheres simplesmente não sabem como nascem as crianças, conforme pesquisa realizada recentemente e divulgada neste artigo.

O mais bizarro é que, ao ler isto, a primeira coisa que vem à cabeça é a imagem de milhões de adolescentes grávidas, e que isto seria a principal causa da superpopulação da China. Afinal, é comum atribuir à desinformação o problema da gravidez precoce que tão duramente atinge o nosso país. Entretanto, o mesmo artigo salienta que a China “é um dos países do mundo onde os jovens começam mais tarde a ter relações sexuais, em torno dos 22 anos”.

Percebe-se, então, que as coisas não são tão simples. Outro dado: ao comparar com outros estudos, acadêmicos ou não, sobre o assunto, percebe-se que os tabus em torno do sexo lá não mudaram muito nos últimos vinte ou trinta anos (eu tomo por base o excelente livro “Henfil na China”, onde o “irmão do Betinho” descreve de forma irreverente e detalhada sua viagem feita ao “país do cumunismo” em plena época de repressão).

Polícia ou bandido? Na periferia tanto faz

Dec 10, 2001

A crise de identidade da polícia se agravou nesta semana: enquanto policiais são flagrados controlando o tráfico de drogas na “cracolândia” de SP, o líder do PCC fica puto com um assalto a uma creche e manda os bandidos “éticos” caçarem os bandidos “sem coração”.

Pra quem mora na periferia de São Paulo, esse tipo de contradição não causa espanto. Quando eu era moleque na Vila Ema (zona leste de SP), era senso comum a gente sair à noite com um olho no bandido e outro na polícia. Claro, bandido era mais perigoso (pelo menos pra mim, que não tinha “cor de marginal” – essa segregação filha da puta que alguns chamam de racismo cordial), mas o fato é que ninguém ficava muito à vontade quando pintava a polícia.

O que é uma pena, porque essa carência de referências positivas na figura da autoridade constituída é um dos pilares da popularidade dos Malufs e suas crias na região – afinal, qualquer aspecto caótico de idéias como o endividamento público ou a transformação da polícia em gestapo desaparece quando é comparado com a situação que lá se apresenta…