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Um raio-x na crise da Globo

Dec 7, 2001

Com o final da Casa dos Artistas se aproximando, a onda “O Sílvio é um gênio” da semana retrasada parece estar lentamente se convertendo em “A Globo não é mais aquela”.

Esse sentimento era difícil de racionalizar para mim, até que o No. trouxe esta excelente matéria, na qual Anabela Paiva joga uma luz no assunto. É extenso, mas vale a leitura.

Potter: “queima ele!!!”

Dec 5, 2001

Tem horas que eu me rendo ao pessimismo: somos mesmos atrasados. Só agora surgiu um desinformado brazuca querendo associar Harry Potter ao anticristo (mesmo sem ter lido os livros ou assistido ao filme, como confessa na matéria).

Pastor Araújo, o Sr. está atrasadíssimo. Os neuróticos gringos já estão de olho no Potter há meses… Se o Sr. quiser inovar, sugiro dar uma olhada em DragonBall, desenho animado no qual:

. Deus (Kami Sama) não possui poderes, operando seus milagres através de um dragão (Sheng Long); . Qualquer mané pratica a ressurreição, a torto e direito, basta ser bem-relacionado (alguém tem que fazer o pedido pro dragão no seu nome); . A divindade suprema (Dai Kaioshin) só concordou em salvar a humanidade em troca de um momento mais “íntimo” com a gostosa da série (Bulma).

E por aí vai… Se esse Toriyama não é o profeta do Apocalipse, não sei quem pode ser. Queima ele, queima!!!

Bonecos ou bonecas?

Dec 4, 2001

“Homem brinca com bola, mulher brinca com boneca”.

Essa era a lei, e ai daquele que fizesse diferente. Impossível saber o que seria pior: a repressão familiar ou a humilhação perante os colegas. Apesar disso, os bonequinhos dos Comandos Em Ação (e outros militares de plástico semelhantes), conseguiram passar pelo crivo da conservadora família brasileira, sendo sucesso entre a garotada dos anos 80.

Nem sei se há tanta diferença assim entre um G.I. Joe e uma Barbie – ambos trabalham modelos de personalidade bem definidos, deixando a imaginação focada nos “enredos” das brincadeiras e na combinação dos acessórios, roupinhas e afins. Mas creio que dar um soldado desses para seu filho era visto pelos pais uma espécie de seguro contra o “perigo” de encontrar o varão trocando o vestidinho da Barbie ou da Suzi…

Não vou me estender no tema – só entrei nele porque tenho recebido vários links para sites de colecionadores desses bonecos, como o LoucoPorBonecos.com e o G.I. Joe em Ação. Parece que a onda agora é colecioná-los (eu fico feliz de ver pela web, obrigado), e o pessoal leva isso muito a sério.

Ah, esses milicos são muito truculentos pra você? Dê uma olhada no Billy, possivelmente o primeiro “action figure” gay da história. É interessante observar que os criadores tomaram o cuidado “power rangers” de distribuir etnicamente os personagens (Billy é um americano típico, Carlos um hombre latino e Tyson é o afro-americano). Não sei se vende muito, mas a visita ao site é no mínimo interessante.

Papai Noel não existe (mas não espalhe!!)

Dec 3, 2001

Uma professora primária foi expulsa da escola onde trabalhava por ter trazido à tona em sala de aula esta cruel realidade: o bom-velhinho não passa de uma armação criada pelos pais das crianças para que elas se comportem no período entre outubro e dezembro (já que, se dependesse de bom comportamento o ano todo, o trenó podia ser trocado por um Twingo que sobrava espaço pra presente).

Tá certo que a coitada era iniciante, mas tinha que abordar um assunto tão polêmico logo na primeira aula? Imagino que no segundo dia ela ia passar um daqueles documentários dos sindicatos americanos que mostram o Walt Disney tendo ataques histéricos com seus funcionários, ou algo do gênero.

E por falar em Papai Noel, quando será que alguém vai ter o bom-senso de revelar às criancinhas brasileiras que o bom velhinho existe, mas que na verdade ele usa bermudas vermelhas e camiseta florida? Como se não bastasse alguém ter que pagar o mico de se fantasiar pra alegrar a petizada, a pessoa ainda tem que colocar aquela roupa de inverno em pleno verão tropical. É a sacanagem das sacangens…

Gravata anti-gravatas

Dec 3, 2001

Você trabalha com tecnologia e sua empresa o obriga a usar gravata? Pense um pouco: isso quer dizer que a gerência perdeu tempo precioso determinando um código de vestuário. Este tempo poderia ser usado para aperfeiçoar a estratégia de mercado, repensando o processo de produção, enfim, para tentar almoçar a concorrência antes que ela os jante.

Já foi o tempo em que dava pra usar uma gravata com estampa do Pinky ou de outro personagem engraçadinho para continuar expressando sua individualidade – além de todo mundo ter uma dessas hoje em dia, a diretoria torce o nariz.

Assim, se você *precisa* manifestar sua opinião, uma solução é esta gravata que permite dar o recado de forma bem sutil: ela possui uma estampa discreta que, vista bem de perto, mostra ser uma seqüência de uns e zeros. Estes números são uma forma codificada (usando a tabela ASCII, velha conhecida dos programadores) de escrever a frase “TIES SUCK” – numa tradução livre, “gravatas são uma merda”.

Me parecem US$ 32,99 bem gastos, e é certamente menos do que o custo de uma hora de trabalho da pessoa que bolou o código de vestuário…

Deixe Jesus entrar na sua vida

Dec 3, 2001

Esta excelente reportagem sobre o “Guaraná Jesus” mostra que a família Sarney em breve deixará de ser a última coisa pitoresca que o Maranhão trouxe à nação…

Crise no Japão: a herdeira é menina

Dec 3, 2001

O Japão está em crise: a imperatriz deu à luz uma menina, o que pode desencadear uma crise política. Sério! A lei do país permite apenas que homens assumam o trono, mas o nascimento da princesa reacende o debate sobre o sentido desta lei nos tempos atuais.

Um dos catalisadores da crise foi o fato de a Imperatriz ter demonstrado interesse em criar a filha perto de si, pois normalmente os pais da realeza nipônica não criam seus filhos (dizem as más línguas que isso também acontece com a “realeza” brasileira hoje em dia, mas essa é outra história, na qual eu nem me meto…)

Sei que é um assunto seríssimo para eles, mas a “crise da imperatriz” não deixa de causar uma sensação estranha em nós, que enfrentamos a crise econômica, a crise energética, a crise da moralidade na política…

“Temos que passar o ibest a limpo”, diria Boris Casoy

Nov 30, 2001

O assunto de hoje foi a compra do iBest por um dos grupos acionistas do iG – e o fato vários grandes portais portais tirarem seus sites do evento, por acharem que a imparcialidade acabou.

Em primeiro lugar: empresas como o Grupo Abril e as Organizações Globo virem falar de imparcialidade na mídia é quase como o Juiz Nicolau pedindo a moralização na política. Sei que há trabalhos jornalísticos sérios nelas, mas não preciso chover no molhado apontando lobbies mascarados de jornalismo em publicações/programas de ambos os grupos.

Além disso, o iBest nunca foi flor que se cheire pra mim. Não é nada pessoal contra organizadores ou premiados (eu mesmo já participei da criação mais de um site vencedor) – acontece que, na minha opinião, o iBest é muito mais um medidor de eficiência das assessorias de imprensa e da capacidade de colocar popups “vote em mim” do que um critério de qualidade.

E eu não sou o único a pensar assim – tem gente até mais estressada do que eu com o assunto.

Frases da semana sobre “Casa dos Artistas”

Nov 30, 2001

(pra não dizer que não falei de flores)

“Sílvio Santos é um gênio” (dita, com razão, por pelo menos cinco pessoas por dia) “Eu boicoto Casa dos Artistas, nem quero saber o que é” (já ouvi várias vezes também, mas, como diriam os Borgs, “resistance is futile”)

Campeã: “Se o Serra que é ministro quebra patente, porque é que o Sílvio ia estar preocupado com a Globo?” (Cristiano, acerca do processo)

Equilíbrio no palanque

Nov 28, 2001

FHC resolveu dar as caras em público, apesar do seu ibope estar meio na sombra do apagão. Infelizmente (pro presidente) a aparição era a respeito do bolsa-escola, assim, não tinha como não trazer o Paulo Renato – cujo filme queimado nos permite dizer que, em termos de popularidade, isso só perde pra inaugurar uma creche e chamar o Michael Jackson pra fazer o discurso!

Deu quebra-pau com professores, claro. Menos mal que, pra contrabalancear, o Fernandão teve o bom-senso de levar junto a Eliana dos Dedinhos. Isso é lição aprendida com Ciro Gomes: gostosa no palanque dá mais certo que qualquer discurso…