Foi quase coincidência, mas no mesmo dia em que eu terminei de ler Stupid White Men – Uma Nacão de Idiotas, eu aproveitei para pegar a última apresentação nos cinemas de São Paulo do documentário Tiros em Columbine, escrito e dirigido pelo mesmo autor do livro.
Crumb & cia versus Eisner
Não vou me alongar demais explicando o que foi o Zap Comix (tem muito material na Internet sobre o assunto). Como o gibi/fanzine influenciou meio mundo – incluindo o meio mundo que me influenciou – comprei assim que vi na frente (apesar do preço salgado, na faixa dos R$ 30).
Honestamente, foi um pouco frustrante. Claro, é bacana para quem gosta de quadrinhos e quer ir um pouco além do convencional – ainda mais pelos textos introdutórios. Só que, em termos de diversão… sei lá, ficou bem atrás, por exemplo, da coletânea R. Crumb: Fritz the Cat, da mesma editora (Conrad), ou de outros quadrinhos do Shelton – por exemplo, “As Aventuras dos Fabulosos Freak Brothers” (outra ótima edição, embora um pouco difícil de achar).
O Google dos livros
Já fui leitor ávido da Revista Wired, mas hoje eu tenho um pé atrás. Convenhamos, falar sobre “era digital” ou “nova economia” é meio que dar a previsão do tempo de ontem (e ainda por cima, errando de vez em quando).
Apesar disso, a qualidade continua inquestionável. Quando pinta uma novidade realmente interessante, não só costuma aparecer primeiro lá, como também acaba sendo a melhor apresentação.
O que me chamou a atenção para o fato foi esta matéria†, que fala sobre um novo feature da Amazon: a maior livraria online criou uma espécie de “Google para livros de papel”, isto é, digitalizou uma quantidade razoável deles, e agora permite que você faça buscas no conteúdo destes livros.
A coisa ainda está nos estágios iniciais, mas vale a pena perder um tempo (tanto na matéria quanto no site), porque isso é mais revolucionário do que parece.
Distinguindo o chinês do japonês
Estava eu procurando material de apoio para entender melhor o último artigo do Joel Spolsky, quando me vi no site oficial do Unicode (sim, existe um).
Ali eu encontrei a seção East Asian Scripts do manual do Unicode, isto é, a parte que diz respeito a caracteres chineses, japoneses, coreanos e similares. É um trabalho fantástico, que desnuda muitas das diferenças e nuances destes sistemas de escrita, tão semelhantes à primeira vista.
Claro que, sendo desenvolvedor e estudante de Japonês, meu interesse é maior, mas poucas vezes eu vi uma explicação tão acessível para não-iniciados. Show de bola.
Spray anti-radar
Em mais um controverso artigo de John Fitzpatrick (jornalista escocês residente no Brasil) veio esta pérola do crime digital: os caras estão vendendo um spray anti-radar para automóveis.
No espírito do que disse o jornalista, um crime é um crime, mas quando a vítima também é um pretenso criminoso, dá uma sensação de justiça. É inevitável.
Saldo da guerra
Quando eu vi o Iraq Body Count pela primeira vez, achei um pouco macabro, e creio até que tenha condenado mentalmente a idéia. Mas pensei melhor e percebi que este dado é importante para que as pessoas percebam o que foi (ou melhor: o que está sendo) esta guerra.
A seção database do site faz um trabalho bastante profissional, consultando várias fontes jornalísticas e trabalhando com os relatos mais otimistas e mais pessimistas – o que ajuda a minimizar a já conhecida parcialidade de agências específicas.
A publicidade menos pior
Enquanto somos obrigados a aturar aberrações de marketing do calibre do “experimenta, experimenta” (alguma TV paga chegou ao cúmulo de gastar meu tempo e dinheiro com um making-of dessa patasquada), os gringos se divertem com a campanha de relançamento do Napster, na qual vários cartazes de rua aparecem sobrepostos por adesivos com o logotipo da empresa .
Parece ser mais um twist bizarro da guerrilha anti-marketing – um subproduto interessante dos estranhos anos 90. Claro, os verdadeiros adulteradores de cartazes não curtiram muito. Mas faz parte.
Restolhada do Marcatti
Com o trabalho e as provas se acumulando, sobra pouco tempo para ler, assistir, navegar, fuçar, enfim, garimpar matéria prima para escrever aqui. Mas acabei dando de cara com o álbum Restolhada. O autor, Marcatti, dispensa apresentações – ou melhor, eu achava que dispensava – até ler o álbum.
Para mim, o Marcatti sempre foi aquele cara totalmente escatológico, dono de um traço “sujo” (como ele mesmo define), cujo zelo quase religioso pela a estrutura e pelos detalhes faz você querer mais, mesmo sem entender o porquê. Eu acreditava até que tinha algum material “pioneiro” dele, um fanzine de 1988. Ledo engano.
A coletânea compreende umas umas quinze histórias das mais diversas fases do autor (sim, ele já fez histórias sem um único ato erótico ou nojento), que, aliadas à entrevista da abertura, permitem uma visão menos simplista do seu trabalho.
Comecei a entender (e compartilhar) um pouco mais do respeito que praticamente todo mundo na área de HQ tem pelo cara. O livro é relativamente antigo (2000), mas eu achei em prateleira de livraria, então deve ser fácil de encontrar. E é bom lembrar que o Marcatti voltou às bancas com o Fráuzio, outro que vale cada centavo (e olha que são poucos centavos – o gibi é baratinho).
Hello, Kitty… what are you doing there???
É, minha gente, é isso aí mesmo: um vibrador da Hello Kitty! Claro, é vendido como “massegeador de costas”, e até passa despercebido entre os badulaques da típica bolsa de adolescente feminina. Mas nem a loja virtual bota muito uma fé no uso recomendado pelo fabricante.
Respeito quem usa, mas pra mim masturbação é coisa séria: o que diabos a pessoa pensa quando está sendo possuida pela Hello Kitty??? Pouco importa seu sexo biológico, opção, ou o que quer que seja: é bizarro demais, até para mim!
Quadrinhos dos últimos dias
O Mundo de Disney, de Álvaro de Moya, é uma antologia relativamente recente (1996) que eu encontrei em promoção em uma livraria.
Por ser o autor quem é, eu esperava um enfoque maior nos quadrinhos Disney, mas o livro vai mais para o lado dos desenhos animados. É compreensível, mas eu me senti um pouco frustrado. De qualquer forma, é bastante completo, focando mais nas pessoas e no momento histórico do que nos desenhos em si.
Aproveitando a oportunidade: saiu, há umas duas semanas, a Crocodilo no. 2. Teve até propaganda na Locomotion. A “qualidade” se mantém a mesma, e o preço baixo (acho que os caras sacaram que no. 1 de qualquer coisa vende mais mesmo, e resolveram faturar em cima). Se a primeira, que era mais cara, já valia a pena, essa nem tem discussão.
Fora isso, li Shaman King (que me surpreendeu, vou acompanhar na certa) e o A Última Noite de Casanova†, de Hunt Emerson (anunciado na contra-capa da Crocodilo 2). Tá certo que nunca fui muito fã do Emerson (pelo menos não tanto quanto de Crumb, Shelton e cia.), mas não entendi o auê em torno dessa edição. Achei ok.