Pra quem gosta de micros de 8 bits e da história das pessoas por trás deles, eis um tremendo achado: O site do MCI (Museu da Computação e Informática) reune, na seção biblioteca, uma coletânea de livros sobre a história da informática nacional. Prato cheio.
Combat! – um mangá até pra quem não gosta de mangá
Só o fato de ser do mesmo autor de “Mai” (um dos primeiros mangás a sair no Brasil, na época da onda Akira/Lobo Solitário) já valeria uma olhada neste gibi – e pelo jeito o Sr. Kazuya Kudo não perdeu a mão, o gibi é ótimo.
É verdade que a capa não seduz muito – talvez seja a colorização, meio artificial, ou a idéia (errada) de grupo infantil de combatentes que ela passa. A primeira coisa que me chamou a atençào é que a história se passa em Nova York (o personagem principal é nipo-americano), dando uma visão interessante a temas como a máfia, policiais nos dois lados da justiça e até sobre os veteranos do Vietnã que residem na cidade.
Também destaca-se o fato de não haver uma continuidade muito forte entre as histórias – apenas o personagem principal permanece. Este último fator, aliado ao fato de as páginas terem sido adaptadas para a ordem de leitura ocidental, certamente vai agradar os não-aficcionados pelo gênero, sem prejudicar os fãs como eu.
O fato de ser um formato maior e de terem “invertido” as páginas não impactou muito no preço: R$ 5,50 com três histórias que dividem 82 páginas. Fico torcendo para que os próximos números sejam publicados, pois tenho um certo receio quanto à viabilidade comercial de qualquer mangá acima da linha dos R$ 5. Desta vez espero estar errado.
Quadrinhos a serviço da igreja
Aproveitando o assunto HQ: por esses dias eu recebi na USP um panfleto, que me chamou a atenção por ser todo feito em quadrinhos. Não é novidade nego usar HQ para tentar passar um recado: o formato junta o apelo visual de mídias como a TV com a densidade dos meios escritos.
O que me chamou a atenção é que o panfleto era propaganda de uma igreja. Quadrinhos costumam abordar temas eclesiásticos, especialmente a partir dos anos 70, mas é comum fazê-lo através de uma visão mais distante. Quando há um posicionamento, geralmente é crítico.
Pinos Mágicos
Começou com pequenas doses, vendidas em pacotinhos perto do meu caminho. Daí foi crescendo, crescendo, e hoje minha mesa de trabalho (isso sem falar nas mesas ao redor da minha) é um verdadeiro mar de Pinos Mágicos – uma espécie de Lego com preços viáveis para a Vila Ema.
Crumb: a censura acontecendo onde menos se espera
A Conrad lançou o especial “R. Crumb: Frtiz the Cat”, uma edição com preço meio salgado na editora, mas que na FNAC estava com um bom desconto quando eu comprei.
Trata-se de uma compilação das histórias de Fritz, personagem de Robert Crumb que dispensa apresentações. O que me levou a escrever foi a história “R. Crumb Comics & Stories”. Eu já tinha lido esta no número 5 da revista “Porrada”, de 1998. Sem estragar muitas surpresas: Fritz retorna à casa de sua mãe no interior, depois de ter vivido um tempo na cidade, e acaba tendo uma relação sexual com uma garota.
Mensagens subliminares
Essa é tão ridícula que eu não podia deixar passar: o site Mundo Subliminar dedica-se a achar as mensagens que os conspiradores deixam na mídia na tentativa de corromper nossas criancinhas. Não sei se o autor é um rei da ironia, ou se acredita nisso tudo, mas ele juntou uma quantidade de material capaz de entreter por horas.
Um dos itens hilários é a “mensagem” que descobriram na campanha eleitoral de Lula (confira na seção “Destaques”), que comprova de forma irrefutável que ele é mesmo o demônio encarnado. Também gostei da matéria “Disney”, que promete boas risadas ao mostrar que tudo que o Tio Walt fez é para incutir idéias pecaminosas na petizada. E a seção de comentários, como não poderia de ser, descamba pro quebra-pau pseudo-teológico, dá até medo.
Os paulistas da Zona Leste ganham um brinde: no meio destes comentários, um cara alega que a vinheta da danceteria Overnight, tocada ao contrário, possui uma mensagem satânica (a mensagem é de 19/09/2002, tem que dar uns “avançar”). Se for verdade, é muito irônico, já que, no local onde era a Over, hoje funciona uma igreja…
Desista!
Ser macho, pra mim, é ser sincero. E neste ponto, me acho um pouco boiola: eu elogio vestidos floridos que realçam pneuzinhos, ignoro e-mails cuja gramática ou linha de argumentação imploram por uma desconstrução, parabenizo amigos “abençoados” com uma paternidade/maternidade inesperada, enfim, deixo a honestidade de lado na esperança de tornar o ar mais respirável para as pessoas.
Não me culpo por isso não – se todo mundo fosse sincero, esse mundo ia ser uma carnificina só. Mas admiro quem consegue colocar os dois pés na porta na hora certa, como o autor do artigo “Desista“. Não sou publicitário, mas depois de um certo tempo convivendo pessoal e profissionalmente com gente da área, acredito que o texto devia ser leitura obrigatória para vestibulandos nesta carreira.
P.S.: Ando escrevendo pouco. Combinação de FUVEST e uma repensada que eu estou dando no layout disso aqui. Mas eu volto.
Dez anos depois, uma devassa na Rede Globo
Eu sempre ouvi falar no documentário Brazil: Beyond Citzen Kane (“Brasil: Além do Cidadão Kane”), que disseca a história da TV Globo e a maneira com que esta manipulou seu público na defesa, entre outros interesses, dos governos militares e de Fernando Collor. Como muitas outras pessoas, não tive a oportunidade de assisti-lo na época (1993), já que as tentativas de trazê-lo a público no Brasil tendem a ser obliteradas† pela rede de influência da Vênus Platinada.
Já tinha procurado na Internet antes, mas foi só desta vez que encontrei uma página que disponibiliza os vídeos para download. O principal mérito do documentário é permitir um realinhamento com a realidade sempre que a Globo tenta passar uma imagem de jornalismo isento – fica difícil acreditar que seja possível deixar para trás uma herança deste porte.
É um pouco pesado para baixar: quatro episódios de uns 150MB cada, em formato DivX. Se fossem menores eu até disponibilizava aqui. Eis o link – se alguém conseguir converter pra VCD e disponibilizar, eu agradeço.
Macho que é macho programa em Atari
Certa vez escrevi um artigo sobre desenvolvimento de jogos para o videogame Atari 2600. Vira e mexe alguém quer mais informações sobre desenvolvimento pra Atari, e eu costumo recomendar o Stella – uma espécie de “manual oficial do desenvolvedor” – além de alguma coisa sobre Assembly 6502 (que você acha fácil no Google ou em sebos).
Da última vez que eu fui procurar, me deparei com um site que traz o código-fonte comentado (através de um paciente trabalho de engenharia reversa) de jogos como Combat, Freeway e Adventure. Passei uma hora divertidíssima (ok, diversão de nerd) lendo este último de cabo a rabo. Conclusão óbvia, mas indiscutível: esse Warren Robinett (autor do jogo) é um gênio. De marca maior.
Depois eu é que sou estranho…
A Wired News está dando uma matéria (também em português) falando sobre o fetichismo – na sua conotação sexual mesmo – que ronda o mundo do Macintosh. O destaque é para a quantidade de links para sites com fotos envolvendo Macs e sexo, fora alguns tão bizarros quanto, como o FAQ sobre sexo com carros (não em carros, mas com eles mesmo).
O artigo mostra que o mundo Windows não tem muito dessas coisas. Não que não tenha material com conteúdo sexual para esta plataforma, pelo contrário: tem de monte. É que os usuários de Windows provavelmente mantém sua vida sexual distante do seu hardware, assim, não tem material sobre sexo com a plataforma. Fora que os fetichistas devem ter alguma dificuldade para se excitarem com um desktop IBM ou para imaginarem uma fantasia erótica com aquele clips babaca do Office.
Também é digna de nota a informação de que existem iniciativas semelhantes (embora em menor número) dentre os usuários de Linux. Claro que ainda é prematuro concluir que existe vida sexual de qualquer espécie neste grupo…